O Acordo Ortográfico

Sobre o Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa (já mais de 62 000 assinaturas) deixei aqui sobre o meu relativo desconforto ao assinar o documento. E ficou-me algo a remoer. Fica a minha relativa discordância com o texto (que não com as preocupações) mais explícita assim:

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lamento para a língua portuguesa

não és mais do que as outras, mas és nossa,
e crescemos em ti. nem se imagina
que alguma vez uma outra língua possa
pôr-te incolor, ou inodora, insossa,
ser remédio brutal, mera aspirina,
ou tirar-nos de vez de alguma fossa,
ou dar-nos vida nova e repentina.
mas é o teu país que te destroça,
o teu próprio país quer-te esquecer
e a sua condição te contamina
e no seu dia a dia te assassina.

ruiu a casa que és do nosso ser
e ese anda por isso desavindo
connosco, no sentir e no entender,
mas sem que a desavença nos importe
nós já falamos nem sequer fingindo
que só ruínas vamos repetindo.

[Vasco Graça Moura, Uma Carta no Inverno, Quetzal, 1997]

2 comments ↓

#1 Ênio Kersting Correa on 07.03.08 at 14:26


REFORMA ORTOGRÁFICA IRRACIONAL
O gramático paulista Eduardo Carlos Pereira, no início do século 20, em sua “Grammatica Historica”, dizia que o sistema ortográfico ideal seria fonético e teria um só símbolo para cada fonema. Já observava ele que isto era impossível com as vogais porque existem mais sons vocálicos do que letras.
Então, os defeitos do Acordo Ortográfico são: 1)elimina o trema ao invés de eliminar os dígrafos “GU” e “QU”; 2)traz de volta as letras “W”, “Y” e “K”, para cujos fonemas já existem símbolos.
Parece-me que houve mais uniformização do que aperfeiçoamento.
Minhas saudações!

#2 Política da língua em Portugal, Figo e o Camões | ma-schamba on 07.09.08 at 22:56


[...] que nisto seguem juntas) já deixei aqui o que acho. E sobre a escatológica visão de Graça Moura também. A qual polui um pouco bons argumentos que [...]

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