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Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa, um abaixo-assinado encabeçado por figuras da elite intelectual portuguesa que recusa o Acordo Ortográfico.

1. Assinei. Ainda que leigo concordo com o “politiquês” inapropriado do Acordo (e é sempre aconselhável regressar a este texto de Rui Ramos: preto no branco aí está explícito como este Acordo esconde, sob a capa “multicultural”, um espírito imperial). Em meu entender este regresso ao Acordo é o que resta da ideologia “lusófona” socialista, mera ignorância aparelhística - e que hoje, surpreendentemente, revive em alguns belos espíritos (até bloguistas) que confundem vero afecto, paixão mesmo, com homografia.

2. Assinei. Não concordo com o texto (muito provavelmente de - ou também de - Vasco de Graça Moura, primeiro signatário). É lusocentrado, é excessivamente opinativo, dispara em vários sentidos e em muitos deles incorrectamente. É ideologicamente escatológico. Entenda-se, oscila entre a “iluminação” e a irritação. Ou seja, é reaccionário.

Ponto 1: “O uso oral e escrito da língua portuguesa degradou-se a um ponto de aviltamento inaceitável …”. Certo é que se fala de Portugal. Ora, nunca aí tantos frequentaram a escola, e tanto. Nunca tantos não ficaram analfabetos. O gemido fascista (em especial o dos velhos oposicionistas, e tantos agora assinando) de que no tempo do “Liceu Camões do professor Rómulo Carvalho é que era” fede! Entenda-se, nunca o uso oral e escrito da língua portuguesa foi tão elevado (no sentido académico).

Ponto 2: “a desagregação do sistema de educação” é uma falácia. Nada pode ser pior do que o sistema de educação pós-Abril de 74, que conheci em sangue vivo. Apenas, refiro, a tralha elitista e memorialista que antecedeu Abril de 74.

Finalmente, um ponto muito positivo: ponto 4 - “Convém que se estudem regras claras para a integração das palavras de outras línguas dos PALOP, de Timor [eu diria apenas PALOP (”A” de afro-americano-asiáticos)] e de outras zonas do mundo onde se fala o Português, na grafia da língua portuguesa. (e não haverá já “empréstimos” leste-europeus”, processos no português de Portugal?) A transcrição de palavras de outras línguas e a sua eventual adaptação ao português devem fazer-se segundo as normas científicas internacionais (caso do árabe, por exemplo).” Ora aí está - como se pode ser verdadeira e racionalmente multigrafista. Uma lição que a “intelectualidade” lusófona, do irracionalismo multicultural nunca atingiu. Nem pode, presa que está às suas amarras políticas.

2 comments ↓

#1 Lutz on 05.06.08 at 14:44

Com a reserva a que me obriga o meu conhecimento limitado do assunto, digo: Excelente!

#2 charlie on 05.07.08 at 13:27

Este acordo é efectivamente, não ortográfico, mas antes aberrográfico, servilgráfico, estupidó-gráfico e etcétera-ó-gráfico.
É um pseudo-acordo.
Mal fundamentado, perdendo-se em contradições, os seus defensores à falta de argumentos científicos que lhe dêem sustento, respondem com clichés como se de pastores duma seita se tratassem.
Eu assino qualquer documento que seja contra, e estou ao dispor para rebater todos os que estão a favor.

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