Rousseau sem rima

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Os três irmãos cabo-verdianos sentaram-se e pediram uma sopa
um deles gritou: Então, o vinho? …
e comida a sopa, o vinho aos tragos, desataram a rir
e comentaram os acontecimentos da semana
com uma boa disposição que contaminou os mais circunspectos.
Tudo isto, afinal, porque não sabem mentir…

[Ruy Cinatti, “Espectáculo”, 56 Poemas, Lisboa, Relógio d’Água, 1992]

2 comments ↓

#1 on 03.15.08 at 16:33

lindo isto; que escrita límpida

e linda a tua sempre aguardada verve, irada, de matar saudades por aqui.
Quando se eriça nos bicos das letras tem um certo balanço fluído também, (como no texto que citas acima), nessa forma como se irrita e assim vai crescendo disparando impropérios ao bom estilo haddockiano por esse portugal (a)fora. E neste caso junto-me a ti - retrógrados pois claro - tens toda a razão Zé, por duas vezes razão na razão que é a mesma. Mas isto/isso é o mais simples, racionalizar. Dificil é ‘desracionalizar’ as coisas, como parece que agora deve ser. Estaremos p’ra velhos pá?

#2 jpt on 03.16.08 at 2:12

claro que estamos para velhos …
mil agradecimentos, ainda que sabendo daí amiguismo, pela referência ao “estilo haddockiano”. Imerecido elogio mas ainda assim grande afago ao ego

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