Do Nobel Le Clézio diz o excelente Estado Civil que “se tornou um Lévi-Strauss arraçado de Chatwin”. Nunca li o autor. E em assim sendo como dizer algo diante de uma formulação tão paradoxal?
O Pen Club português atribuíu os seus Prémios 2008. A categoria Ficção 1ª Obra foi para “Niassa“, de Francisco Camacho. O nome anuncia o sítio da trama, o prémio pode por cá acrescer curiosidade à leitura. Quando o li pareceu-me um southern escorreito, ainda que o “niassa” se repita “longínquo”, e vá assente num argumento um bocado para o fácil – tráfico de orgãos, resquícios da história do “Angoche”, uma loura de destino óbvio desde a primeira linha em que aparece, umas estradas muito esburacadas. Mas lê-se bem, texto bom para cinema. Ainda assim é um prémio que me faz lembrar, os jurados destes prémios, especialistas, sabem bem mais de literatura do que os leitores. E decerto que ainda bem.

2 comments ↓
Essa apreciação no Estado Cívil é redutora. Um pouco desbargada e atrevida, como se o su autor se tivesse esquecido do que escrevera no Post anterior sobre o Autor.
Le Clézio tem uma voz própria, intensa e contaminada por uma visão justa, implacavelmente limpa.
Esse autor, do Estado Civil, deve pensar que todos adoptaram o mesmo método de trabalho que ele para fazer as sua poesias. Não é assim.
Como disse não li Le Clézio, não posso opinar sobre a sua obra. E sobre o que dele dizem tenho que o fazer com parcimónia, para além de me parecer inútil. Apenas me parece que L-S e Chatwin são tão distantes, cada um tem um “olhar distanciado” tão diverso e com pontos de partida e de interesse (até afectivo) que isto me parece paradoxal. O que não implica que não possa ser interessante, apenas o digo surpreendente.
Daí a protestar com P. Mexia pelo seu “método” poético é uma “vontade” sua, legítima decerto. Mas que me ultrapassa por completo
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