Triste de mim mais triste que a tristeza
triste como a mão que segura o copo
como a luz do farol esgaçando a névoa
triste como cão manco
deixado na serra pelos caçadores
…..
triste como uma puta alentejana
num bar de Ourense
que me viu à cerveja e lesta
me chamou compadre
vozes que a gente colecciona
…
triste e já sem nenhum reparo
a fazer à metafísica
senão que é um défice
porventura
do córtex cerebral
[Fernando Assis Pacheco, Respiração Assistida]

4 comments ↓
ah…. um poeta belíssimo.
Sim, é lindíssimo.
Publicado por: sara monteiro às abril 17, 2005 03:08 AM
o livro eh marcante
E já leu «Memórias de um Craque»?
http://www.novacultura.de/0504pacheco.html
É uma delícia!
Peço desculpa pela repetição dos comentários ali em cima.
Publicado por: legendas às abril 18, 2005 03:57 PM
http://apor.blogspot.com/
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