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Palmira F. da Silva, do De Rerum Natura, José Carlos Matias, no O Sínico e o FNV do grão-blog Mar Salgado desafiam para que aqui bote das minhas últimas leituras. Como leio vários livros ao mesmo tempo não sei bem a ordem das conclusões (e abandonos). Mas aqui vai(ão) resposta(s), com agradecimentos pela curiosidade. E como foram várias os desafios junto às respostas requeridas a lista das prendas e compras de primeiro dia em Lisboa:

Narrativas, Crónicas, Memórias:

1. Niassa (Francisco Camacho): um “southern” inofensivo, até aprazível se em zapping;
2. O Aprendiz (Miguel César): as memórias de um moçambicano de ascendência portuguesa, com ênfase na adesão pós-independência. Imenso interesse pelo empenho emocional, mas nulo em (auto)análise - o que só lhe incrementa o interesse (releitura);
3. O Fio das Missangas (Mia Couto): tenho imensas dificuldades na leitura do autor, o que muito vai para além do respeito, simpatia e admiração pela pessoa, e pela sua coragem moral (e até física). Daí o ter-me atrasado na leitura deste pequeno livro, obra formalmente menor. Mas que é uma surpresa - muito contrariamente à imagem que tantos têm de Mia esta colecção de pequeníssimos contos é pura provocação, suaves como o exigem as provocações eficientes. A ler e a recomendar.
4. Aventuras de um Nabogador (Onésimo Teotónio Almeida) - o habitual gosto de vida do autor, agora com um toque pícaro (para mim) surpreendente; sou fã (ou fan?).
5. Avenida Paulista (João Pereira Coutinho): cronista célebre em Portugal após a minha saída, e dado que não leio os jornais da terra desperta-me curiosidade. Há tempos tinha aqui comprado o “Vida Independente”, que me deixou francamente desiludido, incompreendendo do seu sucesso - ou antevendo que já estou eu demasiado longe para aderir. Este conjunto de textos é bem mais interessante, talvez porque “para fora”. Mas o tom é algo recorrente, parece-me que as gerações anteriores tiveram maiores idiossincracias.

Narrativas com rodapés:

1. Comunidades Imaginadas (B. Anderson) - relendo um já clássico sobre nacionalismos;
2. A Diferença (Michel Wieviorka) - outra releitura profissional (e também para aferir as tralhas sobre os multiculturalismos, que servem para tantas blogosuperficialidades);
3. Marxist Modern. An Ethnographic History of the Ethiopian Revolution (D.L. Donham) - uma fabulosa (e invejável) história etnográfica da “revolução” etíope. Imperdível.
4. A Persistência da Raça (Peter Fry) - Fry é interessantíssimo a falar das comparações entre os colonialismos inglês e português, muito para além das tropelias intelectuais marxistas dos 60s em diante. E é crucial no anti-correctismo em linguagem antropológica. Mas acima de tudo neste livro tem um artigo que me é fetiche - cristalino ali o paradoxo do antropólogo opinativo. Obrigatório ler, para nunca repetir.
5. Junod e as Sociedades Africanas. Impacto dos Missionários Suíços na África Austral (Patrick Harries) - um livro competentissimo, sobre o ambiente de formação científica na Suíça oitocentista, sobre o caldo moral e científico que construíu a antropologia tardo-oitocentista. E sobre a obra espantosa deste “pai fundador” da Antropologia e seus fantásticos trabalhos etnográficos nos actuais Moçambique e África do Sul.

Prendas recebidas à chegada:

1. Ana Martins, O Nono Brasão - livro publicado pela filha (14 anos) de uns queridissimos amigos (dela seria “tio” se nós fossemos pirosos arrivistas). A partilhar o orgulho pela cria que medrou;
2. Lewis Wolpert, The Unnatural Nature of Science
3. Rogério Ribeiro, Desenho
4. Mark Twain, Contos Satíricos
5. Carlos Gil, Xicuembo

Compras de primeiro dia:

a. narrativas:

Fiódor Dostoiévski, Gente Pobre
Fiódor Dostoiévski, A Submissa e Outras Histórias
Samuel Butler, Erewhon
Adolfo Bioy Casares, Diário da Guerra dos Porcos
Eduardo Pitta, Cidade Proibida
Luís Carmelo, Máscaras de Amsterdão
Luigi Pirandello, Um, Ninguém e Cem Mil
Tolstoi, Anna Karénina

b. narrativas com rodapés:

Emmanuel Levinas, Da Evasão
Rui Bebiano, O Poder da Imaginação. Juventude, Rebeldia e Resistência nos Anos 60
José Policarpo, Cardeal Cerejeira (fabuloso)
Luís Carmelo, Anjos e Meteoros. Ensaios Sobre a Instantaneidade
Pascal Bruckner, A Euforia Perpétua. Ensaio Sobre o Dever da Felicidade
Michel Foucault, É Preciso Defender a Sociedade
S. M. Eisenstadt, Múltiplas Modernidades
Amartya Sen, Identidade e Violência

Nota: como estes desafios já foram de algum tempo não os vou reproduzir, pode ser que já estejam fora-de-moda. Mas se algum dos leitores habituais do ma-schamba quiser assumi-los será um prazer - sejam bloguistas activos (de blog próprio montado) ou passivos (então deixem aí nos comentários, eu subi-los-ei a texto).

4 comments ↓

#1 Carlos Gil on 07.13.07 at 17:53

li o Casares e gostei. é… perturbante

#2 A indecisa on 07.25.07 at 8:18

Olá

Luigi Pirandello, Um, Ninguém e Cem Mil… Gostei bastante

Só hoje soube do teu blog através do blog do Quim Nogueira.

Bjs

#3 JPT on 07.25.07 at 9:04

Ola, ola, ola, viva, viva. Como disse la no jpn, isto ja parece o Ponto de Encontro do Henrique Mendes. Hei-de perseguir-te

#4 A indecisa on 07.25.07 at 10:18

Não através do meu blog…só o criei para comentar outros…
Na blogosfera sou eu que persigo os outros!!!

Beijos

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