Imputação a Agualusa

Aqui se ecoa a acusação a José Eduardo Agualusa de ter cometido plágio no seu “Estação das Chuvas”. Fui ver e ler. E parece-me muito forçada a tal acusação. Plágio não é isto, caramba! Goste-se ou não da escrita de alguém.

20 comments ↓

#1 umBhalane on 06.24.09 at 21:38


De acordo.

#2 Agry on 06.24.09 at 22:10


Noutro espaço, também me recusei a crucificar Agualusa apesar da recente polémica de que foi protagonista e, com a qual, não concordei nem um bocadinho!

#3 jpt on 06.25.09 at 4:30


Ainda bem, estamos de acordo entre gente que lê,

#4 A B MELO on 06.25.09 at 17:14


Adorava poder participar mas não sei nada da polémica e quando clico o “aqui” ali em cima não aparece nada. Mas como vocês são tudo boa gente e decerto sabem do que falam, fica o registo. Viva Águalusa! Ainda que o louco do Óscar Wilde tenha legendariamente referido que a cópia e o plágio são o mais nobre dos elogios, de facto os actos de copiar e plagiar derrotam o objectivo de se querer ser escritor ou escriba. Eu, por exemplo, adoraria plagiar Eça.

Mas falta-me o chá e daria muito trabalho tentar.

#5 jpt on 06.26.09 at 8:53


Já corrigi a ligação (Demorou, mas o acesso aqui é esporádico)
E sim senhor, o Wilde tinha razão (uma razão). Faz lembrar um do Borges, a do tipo que reescrevia o D. Quixote

#6 PiresF on 06.27.09 at 2:36


Pois… é assim, com ligeireza, que alguns tentam destruir o trabalho de uma vida.
E o pior, é que nalguns casos até conseguem.

Um abraço, JPT.

#7 Sandro Brincher on 07.01.09 at 23:54


Inspirar-se em fatos reais para escrever ficção é uma coisa; o que ele fez vai um pouco além da mera inspiração. Sou fã do Agualusa (inclusive meu trabalho no mestrado é sobre ele), mas aquilo ali é bem mais que usar a vida “real” como fundamento. Se a fonte é assim utilizada em todos os seus detalhes (calibre das armas, distância entre aeronaves, altitude), deveria ter sido citada ao menos em alguma nota final.
Se é plágio ou não, caberia às autoridades competentes decidir e, claro, tão somente se houvesse uma denúncia formal, o que parece não ser o caso.
Abraço.

#8 A B Melo on 07.04.09 at 6:00


Só por curiosidade, quem são as autoridades formais? O tribunal da santa inquisição da Literatura? quando se diz que o Águalusa, que creio que é angolano, plagiou, vai-se a um tribunal em Luanda apresentar queixa? e já agora, quem é que ele plagiou? pelos vistos o visado (ou visada) não reagiu formalmente

#9 Sandro Brincher on 07.04.09 at 14:36


Amigo, como bem deves saber, não existe nada nem próximo a um “tribunal da santa inquisição da Literatura” (feliz ou infelizmente..). Em Angola, se for denunciado um caso de plágio [que é crime, segundo a Lei 4/90 (dos Direitos de Autor), punido com prisão e multa], a denúncia deve ser feita à Direcção Nacional dos Direitos de Autor e Conexos. Há, entretanto, uma particularidade interessante lá: se a obra tiver sido registrada apenas no exterior, não há como protegê-la. Para saber mais sobre isso, leia: http://tinyurl.com/lljl84
Para ler a lei na íntegra: http://tinyurl.com/nq8kd4

No entanto, tudo isso só é cabível se houver a denúncia, o que, como já disse e o colega acima reiterou, não aconteceu. Se vai ou não, pessoalmente pouco me importa. Importa é a informação.

Abraço.

#10 luzinira frangoulis on 07.11.09 at 3:53


E se começarmos a partir de agora, a aplicar na prática esse lado negro da fiscalização? vamos ver quem imita quem…vamos ler quem usou a frase e/ou a expressão de alguém…quem sou a foto de …
Parece-me injusta a acusação ao José Eduardo Agualusa; Leia-se a obra e aprendamos aos poucos e de uma vez por todas a pensar por nós próprios; novas ideias precisam-se; chover no molhado não;
O Agualusa é indiscutivelmente um dos melhores escritores de expressão portugesa – valorizemos as coisas boas e disfrutemos delas; porque será que só pegamos no lado negativo (muitas vezes carecendo de consistência, de validação)…para fazermos valer as nossas(??) ideias – disse “nossas”? provavelmente de alguém … ou será plágio? ou estaremos proibidos a partir de agora de usar e abusar da riqueza que é a língua portguesa com as suas variantes dos diversos países;
Deliciem-se com os livros do Agualusa e de outros escritores com valor…afinal é o mais importante!
(senso comum): “Levante-se o réu…” (estou a plagiar, a imitar alguém…e então? a expressão perde o sentido? não nos deram o direito de julgarmos o outro…isso não!
Espero e desejo que ele continue a escrever e a espalhar a língua portuguesa pelos quatro cantos do mundo; Gosto do Agualusa, sim! e muito!

#11 A B Melo on 07.11.09 at 4:05


Luzinira,

Plagiaste os meus pensamentos.

Isso conta?

#12 Sandro Brincher on 07.11.09 at 5:35


Antes de mais nada, fico triste em perceber que retiraram meu último comentário, no qual respondo às questões levantadas pelo Sr. A B Melo. Enfim, entristece-me esse tipo de censura.

Luzinira, não se trata de gostar de um autor ou não, não se trata de estarmos “proibidos a partir de agora de usar e abusar da riqueza que é a língua portuguesa”, a questão em jogo não passa por aí em nenhum momento. Gosto do Agualusa tanto quanto tu pareces gostar, mas quanto à questão do plágio, se o mesmíssimo caso ocorresse em uma monografia em minha universidade, por exemplo, certamente seria julgado, no mínimo, como apropriação indevida (um nome mais ameno para dizer que alguém usou um texto sem citá-lo). Aí está o X da questão: se fosse um texto acadêmico, seria plágio ou apropriação indevida (porque é da natureza desses textos citar fontes). Sendo o texto de Agualusa ficcional, raramente se fazem citações, logo, basear-se num fato real (supõe-se que o de Pedro Silva o é) para escrever ficção não é plágio, pelo contrário, é às vezes a própria matéria da qual se faz um romance.

Enfim, reitero o que disse: se Pedro Silva ou seus representantes acharem que é plágio, que vão às instâncias competentes e prestem queixa. Caso contrário, que siga o Agualusa parafraseando partes de relatos dos livros que bem entender.

#13 A B Melo on 07.11.09 at 14:17


Sandro,

Não percebo nada do lado técnico e editorial do excelente blogue do nosso genial anfitrião, mas do que vejo que eu escrevo no meu decrépito computador quando carrego na tecla o texto sai aqui.

Tens razão (please deixa cair o “Sr. Melo”, creio que aqui somos irmãos na caneta e na comunhão dos pensamentos) no que referes em geral quanto à matéria do plágio. Eu tenho o vício de citar mas também de referir as fontes. Quem escreve para publicar deve essa atenção e rasgo de honestidade intelectual se mais nada.

Já li o excerto e de facto há ali qualquer coisa de… analogia sequencial de factos e de situação. Possivelmente foi um caso de “inspiração forçada”. Legalmente não sei o que dá ter uma pagina num roimance assim. Se algo há, ele que se defenda e o outro lado que apresente os seus raciiocínios. Já li sobre situações destas, desde com o Saramago e o seu livro sobre o elefante até à autora dos hipermilionários livros do Harry Potter. Boa sorte a todos!

#14 Sandro Brincher on 07.11.09 at 14:27


Talvez eu tenha exagerado quanto à “censura”, pode ser que tenha sido um problema do servidor, enfim… É que o comentário havia sido publicado, depois sumiu.
Quanto ao “Sr”, foi mais num sentido respeitoso mesmo, não de ironia ou sarcasmo.
Meu resumo da coisa toda vai de encontro ao que disseste: “Se algo há, ele que se defenda e o outro lado que apresente os seus raciocínios”. Como não sou advogado, menos ainda especialista neste tipo de questão, fico aqui com minhas suposições, mas guardo-as doravante só comigo.
Mas, para não perder a viagem, uma coisa me intriga: o próprio autor não se pronunciou sobre isso, não? É capaz que ignorar tenha sido a melhor estratégia mesmo.

Abraço.

#15 A B Melo on 07.11.09 at 14:49


Sobre o Agualusa não se pronunciar, deixa-me dizer uma coisa: ao longo da minha vida já conheci a minha dose de escritores e poetas. Uma parte muito considerável é uma raça maldita: vivem para o que produzem, têm o (considerável) ego à flor da pele, vivem através do que cospem para o papel. Quase mais nada interessa, nem família, nem amigos, o que escrevem é quase mais importante que o sexo, e mesmo esse parece às vezes ser praticado para abanar não a pila (no caso dos homens, claro) mas a musa inspiradora. Mordem-se de preocupação e remorso antecipatório com o seu “legado” e a sua “obra”, um pouco como os antigos farós egípcios gastavam o que tinham e não tinham para que a sua pirâmide fosse maior e mais duradoura que a dos outros. A maior parte não ganha tusto com isso mas vislumbram essa “imortalidade cultural” como um fim por si só. Serem um pequeno blip num percurso cultural duma comunidade cultural. Acharem que assim fizeram a sua diferença.

Que tal isto como uma cruel generalização?

Ora a acusação de plágio é provavelmente uma das situações expoentes de um “vade retro satanás” no que concerne à edificação de uma “obra”. É no mínimo o equivalente moral de ser suspeito de roubar o pacote de esparguete no supermercado sem haver vídeo a prová-lo. A ser a passagem pelo menos “levemente plagiarizante”, a grandeza de Águalusa devia ficar quase incólume perante a constatação, por parte dele, de que ele se inspirou na páginas das tantas do livro de não sei quê do outro de 1978. Mas isso é a minha opinião. Eu não sou escritor nem poeta, mando apenas umas linhas aqui e ali quando me dá para isso. Não tenho o ego que descrevo acima, não tenho “obra”, reputação nem preocupações.

Ele certamente que tem.

#16 José da Silva Martins on 07.11.09 at 15:19


Caro JPT, estou em principio consigo. A transcrição analisada e caso se baseie um facto histórico, não é plágio, caso seja ficção então já existe ali uma ou outra coincidência onde o Agualusa se inspirou. Tão simples como isto.
Lembro-me que tentaram fazer o mesmo com o Miguel Sousa Tavares sobre um episódio histórico salvo erro no Equador e em que ele até referia na bibliografia os livros consultados. Conclusão, o MST continua a ser o autor português que mais vende, o que deve chatear muita gente.
Agora é o Agualusa amanhã será outro e vamos tendo de viver com este tipo de acusações boas para quem não tem mais nada que fazer.

Cumprimentos

#17 luzinira frangoulis on 07.12.09 at 21:59


Li apenas e tão só o texto introdutório – que deu o mote a esta discussão saudável e acesa àcerca do escritor JEAgualusa;
- Antes de mais nada – porque será que várias pessoas podem acertar numa mesma chave de um qualquer jogo de sorte (totoloto ou euromilhões … querem ver que andam a copiar as chaves uns dos outros…???!!)

Entrando na discussão propriamente dita:
-Tudo o que disse E MANTENHO àcerca do Agualusa refere-se tão somente à sua obra; é senso comum que um romance histórico não tem o rigor científico que muitos lhe querem (à força) atribuir, como se de História se tratasse – de facto.
Também conheço relativamente bem a obra do JEA e não me parece que não divulgue as fontes – pelo contrário até explana ideias e conta episódios, como que inserindo (as fontes) em personagens.
Gostava sobretudo que nos remetessemos – concordando e/ou discordando, com linhas de pensamento aproximadas ou não – repito, gostava que nos remetessemos à figura do escritor; na vida somos personagens também (representamos muitas vezes) – a vida privada dele não conta.
O José Eduardo Agualusa é, a par de Lobo Antunes, Alçada Baptista, Cardoso Pires ou Virgílio Ferreira, dos escritores que mais se tem aproximado dos leitores; isso faz a diferença…goste-se ou não dele; e faz por isso…a injustiça de recorrermos ao chamado não argumento pode matar esta nossa discussão (plágio ou não) e pode deitar por terra uma personalidade…que esconde por trás um ser humano; atentemos a este lado, quando a mim de superior importância.
Um abraço a todos,
Lz

#18 Sandro Brincher on 07.12.09 at 22:22


Luzinira, há alguma menção nos comentários à vida privada de Agualusa? De minha parte, reli o que escrevi e não achei. Não é nenhuma provocação, é apenas para esclarecimento mesmo.
Quanto à reputação, méritos ou qaulidades literárias de JEA, elas inevitavelmente não importam se a discussão é sobre plágio. A “figura do escritor” não pode ser acusada de plágio ou qualquer coisa, é à pessoa física que se podem impingir tais acusações.

Vejo que esta discussão já começa a ficar um tanto heterogênea. De qualquer forma, interessante.

ABraço.

#19 luzinira frangoulis on 07.13.09 at 9:46


Cada vez mais me convenço do valor das palavras…
do peso e do significado das palavras;
acontece porém que o mais grave nestas situações não é o que se diz, é antes de mais – isso sim – o que não se diz … mas pensa-se… e insinua-se…
Criar a suspeita – “que estranhas formas de vida…”
gostava apenas de referir que os meus comentários não são direccionados, são apenas a transcrição do meu raciocínio – MAS SÃO isso sim, em defesa de um escritor que se chama José Eduardo Agualusa e do homem que se chama José Eduardo Agualusa…amanhã – naturalmente – conhecendo a obra, farei o mesmo com outro(a) qualquer … o estranho de tudo isto é que estas coisas são cíclicas; infelizmente…o incrível em tudo isto é que – se são falsas determinadas insinuações (até prova em contrário), por acaso já pensaámos como a pessoa – nesta circunstância o JEA, assiste a isto tudo? já imaginaram o que ocorre à pessoa? Repito – não acuso ,e à partida todos são inocentes – até prova em contrário… já se pensou no Homem Agualusa ?
Parafraseando o prof.Marcelo Rebelo de Sousa, (quanto a mim insuspeito) o Agualusa é um escritor que escreve com inteligência, um profundo conhecedor da história e da língua portguesa – tão só…
Citando Obama: (in the audacy of hope): no fim de tudo isto…tenho a esperança que algo de bom se vai aproveitar…
Um abraço a todos, espero voltar aqui em breve com um outro tema, uma realidade diferente…

#20 luzinira frangoulis on 07.13.09 at 9:56


Só mais uma àchega: o que dirá o escritor no meio de tudo isto ??? não faço ideia porque não o conheço mas …
sempre ouvi dizer que não se pode calar as bocas do mundo…lançam-se farpas e …elas (as farpas) andam por aí …
Resumindo – remetendo-se ao silêncio e assistindo de fora (tão de fora quanto lhe é possível), usa as suas mehores armas: o silêncio e o respeito…(não estou certa, imagino que seja assim)…
Plágio(o início desta interessante discussã)…eu disfruto cada livro, cada obra e assim quero continuar …

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