Desenvolvimento (outro bis, também porque me apetece).

Andava eu nisto, nas coisas do desenvolvimento, Pnud e isso, tantos são eles que lhes perdemos os rótulos, quando chegou o Rodrigues, esse mesmo, o padre apóstata, que sabemos quebrado nas torturas da vida, cá na terra, missionário rendido resmungado um japão mais sofrido do que o que tinha imaginado. E pôs isso no relatório:
Este país é um pântano…Um pântano sim, e muito mais espantoso do que imagina…. o Deus em que os japoneses então acreditavam não era o nosso Deus. Eram os seus deuses. Ignorámos isso demasiado tempo e quisemos acreditar que se tinham feito cristãos…É provável que ninguém acredite no que eu digo e me dê ouvidos … Você não compreende nada. Nem você, nem essa turba de excursionistas que para aqui vêm dos conventos de Goa e Macau e se dizem apóstolos. Já desde o princípio que os japoneses que confundiam Deus com Dainichi [o Grande Sol] começaram a deformar e a adaptar à sua maneira o nosso Deus, criando algo diferente… [não] acreditavam no Deus cristão. Acreditavam, sim, na sua propria distorção…um Deus acomodado à sua mentalidade, incompreensível para nós.”
[S. Endo, Silêncio, D. Quixote, 181-183]

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