por ABM (Cascais, aos 20 de Dezembro de 2009)
Um convite inesperado.
Uma tarde agradável, de conversa, uns pregos, uma Coca Cola e umas cervejolas pelo meio no British Bar, seguida de uma visita à exposição do fotógrafo cubano Alberto Korda no Museu da Cordoaria. Depois, regresso ao mesmo bar e mais conversa, mais pregos e mais bebidas. As chamussas são provocatoriamente “africanas”.
Mais tarde, descubro que o British Bar é ponto de encontro informal de alguma diáspora moçambicana às sextas-feiras ao fim do dia. Os sobreviventes seguem depois para um restaurante ali perto, baratusco, a que chamam afectuosamente “a palhota”.
Lá, encontro o Parcídio, meu vizinho quando eu tinha 6 anos e que não via desde então. Deu-me conta dele, do Jó e do Janeca, os irmãos.
Quase estranhei. Essa África, que já só vive na minha cabeça e nos livros, raramente é de carne e osso.
Nada demais para uma tarde, não tivesse o convite que me foi dirigido vindo de nada menos que S.Exa JPT, o “Senador” do Maschamba (dixit CG) de momento em digressão por Olivais e arredores, não fosse perder a verve lusa.
Ainda assim, revelando a sua crescente espiritualidade moçambicana, pediu sem pensar nem hesitar uma 2M ao barman do British Bar, que ficou a olhar para ele. Como é possível não haver uma 2M em Portugal?
Ao lado dele, o grande Kok Nam, aqui passando uma temporada para uma cura de águas. Ao vê-lo mais tarde passear-se no legado de Korda, pensava no dele próprio, para mim mil vezes mais interessante, desde que os seus antepassados largaram Cantão no fim do século XIX e, quiçá via Macau, acabaram em Lourenço Marques. Kok viu a LM colonial crescer e metamorfosear-se em Maputo, a colónia a transformar-se em país, de que ele, um pouco como Korda, fotografou, mas de que até ao momento quase nada se viu. É altura, todos concluímos. Mas falta conspirar. Entretanto, com o Fernando Lima, patrocina o Savana, que a meu ver é de longe o melhor e o mais sério semanário moçambicano.
Do outro lado da mesa, Luis Carlos Patraquim, que só conhecia de nome e das letras, até que a Dulce Gouveia me segredou há algumas semanas que a mulher dele é a Paula Pussolo, a grande jogadora de básquetebol do Desportivo e uma das estrelas da excelência do meu clube de infância. “A primeira grande jogadora de basquetebol em Moçambique a encestar com uma só mão”, assegurou Kok Nam.
Havia mais gente connosco, como o Fernando Florêncio, antropólogo amigo do JPT (ele dá-se com uma perigosa e suspeita quantidade de antropólogos) e o Nuno Kok Nam, o filho de Kok Nam, que apareceu mais tarde.
Desta vez fui eu o fotógrafo. E aqui ficam umas fotografias.
(JPT pontifica enquanto Patraquim e Fernando escutam e Kok suspira)
(Pose tipo Os Vencidos da Vida para o barman do British Bar)
(Kok Nam e Patraquim revisitam Korda)
(K,K&K – Kok Nam Korda e Kodak)
Last but not least:
(Kok Nam e Nuno Kok Nam – duas gerações)




7 comments ↓
Ai, isso de me trocar o Alberto pelo Alfredo … não perdoo
Não publique o comentário, por favor. Estou apenas a dar-lhe conta da gralha.
ui, um homem a dar um beijo a outro.
ai meus deus!
upa upa já está – Alberto Alberto Alberto !
sim, é um pesadelo, tal e qual como o que aquele deputado do PSD disse que ia acontecer agora que vai ser permitido casar com homens – a seguir são pais e filhos e irmãos com irmãos.
Mas neste caso acho que é só amor filial…se é que se diz assim.
Que bela crónica e que óptimas fotografias! Obrigada!
Para quem deixou Moçambique há 10 anos e continua a estudar as suas produções literárias e artísticas, ter a oportunidade de sentir que está a «ver»alguns daqueles que fazem parte do seu universo intelectual e social é um acontecimento que nem sempre os cronistas saudosos nos proporcionam…. Olho O jpt, o Patraquim, o Kok Nam e parece-me estar a passar perto do PIRI.PIRI, há doze anos atrás…
Espero que o autor continue a oferecer-nos estas oportunidades de rever quem nos fala de um clima, um modo de vida e uma cumplicidade que ultrapassa diverfências de opiniões e de credos.
A saudade que em Viseu estou partilhando com a Inez Paes e com outros amigos é mitigada muito pela Ma schamba e pelo que ela nos dá. Obrigada, jpt.
eu estava a ser parva, abm.
Ok. Mas eu também…
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