João Paulo Borges Coelho ganhou o Prémio Leya

João Paulo Borges Coelho acaba de ganhar o Prémio Leya, no valor de 100 000 euros. O prémio foi atribuído ao romance inédito “O Olho de Hertzog“, uma narrativa aventurosa decorrida no final da I Guerra Mundial entre Moçambique e a África do Sul, concertando a fantástica epopeia do General von Lettow-Vorbeck, o que o torna o grande romance da I Guerra em português, com uma fabulosa e minuciosa construção do Lourenço Marques de então, onde avultam personagens – entre as quais o vulto Albasini, figura lendária das letras locais – cuja múltipla origem transforma a cidade assim criada como um centro do mundo. Sendo uma demanda até policial o livro é um manifesto, da grandeza do local.

JPBC é uma grande figura da prosa ficcional em português. Uma obra muito cuidada, tecida com saber e imaginação e muito interpretável. Escapado – desde o seu primeiro livro – aos exotismos do escritor africano. Merece muito mais atenção, muito mais leituras, do que aquela que lhe vêm dando, do que aquelas que tem tido.

Espero que o prémio “abra os olhos” da sua editora para a sua divulgação em Portugal (onde é secundarizado – como constato cada vez que defronto os escaparates portugueses). E também aqui em Moçambique, onde os seus livros chegam a inexistir – ainda que agora, finalmente, comecem a sair as reedições locais. E que seja editado no Brasil, onde estranhamente ainda não o foi. Que eu saiba vão-se aprontando uma tradução em catalão e uma outra em italiano. Tudo isto manifestamente pouco.

[Depois, ele é um tipo fantástico. E isso também vale imenso, ainda que não lhe melhore os livros].

Abaixo ficam as capas dos seus livros. No fim da colecção ficam as suas longínquas bandas desenhadas, um mundo mais antigo mas que de quando em vez regressa – como um pouco neste lindíssimo “O Olho de Hertzog“. Vão lá lê-lo, ao autor, vão lá lê-los, aos livros.

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17 Responses to “João Paulo Borges Coelho ganhou o Prémio Leya”

  1. Amélia Russo diz:

    Estou mesmo feliz por ele! Merece mesmo….Como se diz em cima, nao é suficientemente conhecido, mesmo em Moçambique!

  2. Não imagina como esta notícia me agrada.
    Um abraço.

  3. Olga diz:

    Eu também fico muito feliz com a notícia. Finalmente!

  4. cg diz:

    porra, parabéns mesmo!

  5. Desde Belo Horizonte, a minha felicidade pelo prêmio ao João Paulo. Muitos e efusivos parabéns para ele.

  6. ABM diz:

    Gostava de, sem por um momento estragar o tom merecidamente festivo do momento, chamar a atenção para o seguinte:
    1. Contrariamente ao JPT, que é um convertido, a julgar pelo entusiasmo e acompanhamento assíduo da obra de JPBC, eu conheço mal a pessoa e obra de JPBC, que parece ter um conteúdo bastante evolutivo, sendo que pela críptica descrição dada (esta obra é inédita) a temática “cai” finalmente perto da área de especialização do Autor. Como eu, deve haver legiões de gente que ainda conhecem mal a pessoa e a obra (para caçar uns dados biográficos mínimos e uma fotografia pequerrucha tive que ir pescar uma entrevista de 2006 num outro site. Ou seja, tirando esta distinção, ele ainda não é suficientemente conhecido.
    2. Surge agora uma oportunidade preciosa de promover a pessoa e a obra. Mas -ah – ele vive em Moçambique e a não ser que isto seja um Nobel e não um Leya, o potencial mercado nº1 desta obra é Portugal – onde há gente que se interessa pelo episódio de von Vorbeck e dinheiro para comprar o livro que há-de sair. Ele tem que aprender umas coisas com o Mia, que faz “shuttling” para Portugal regularmente e onde, cnsequentemente, é muito conhecido e apreciado.
    3. Isso implica que a editora dele vai ter que se mexer e fazer um bocadinho de jogo de cintura. Vender livros cá provavelmente devia ser a prioridade cá, bem como o JPBC meter-se num avião e vir cá dar as entrevistas da praxe na televisão.
    4. Infelizmente, até com os autores moçambicanos mais consagrados, a venda de livros em Moçambique, por os mesmos serem obscenamente caros para a bolsa de 90% dos moçambicanos (que ainda por cima não lêem tanto quanto se gostaria acontecesse) acaba por ser quase residual. É um dos maiores paradoxos do “publishing business” moçambicano e Mia é se calhar também o melhor exemplo desse paradoxo.
    4. Para além da entusiasmada inserção do JPT e do que eu li, pouco ou nada mais se sabe sobre o livro premiado, para além da menção do nome de Lettow von Vorbeck, do de Albasini (o João?) e quanto ao Hertzog fico sem perceber se é o legendário general boer (não lhe conhecia laços com Vorbeck para além de um leve grau de germanofilia, por contraste com Smuts) ou aquele piloto alemão maluco que voava para a empresa Rudolph Hertzog e que foi apanhado na actual Tanzania em 1914.
    5. Portanto parabéns e boa sorte. Como dizem os americanos, “your luck has just started” =)

  7. jpt diz:

    1. o livro é inédito
    donde
    4 (bis). pouco se sabe do livro

    ainda
    4 (bis). os pormenores leremos quando sair o livro

    Sobre 4 (verdadeiro) Os livros em Moçambique náo se vendem aos milhares. Mas podem-se vender mais ou menos. Por outras palavras, podem ser vendidos ou não. Espero que este (e os outros) venham a ser mais vendidos

    Finalmente 2/3 – náo se trata de aprender com o Mia. Trata-se da editora promover o autor. Chego aí e – no “segmento” escritores africanos em língua portuguesa (que é coisa da comercialização, e nada mais) – vejo nos escaparates os livros do Mia (que tem mercado antigo) e do Ondjaki (que, para náo dizer mais, está no início), do Agualusa, e do Luandino (o Camoes faz vender, pronto) De vez em quando apanha-se o Manuel Rui e o Ruy Duarte (entao este quase nunca). Acho um absurdo, sem me por a valorizar

    Acho um absurdo editorial num mercado que vende meia dúzia de milhares de exemplares chegar a Lisboa na altura do Natal, querer comprar livros do jpbc para oferecer e não existirem nas livrarias mais centrais. Dos outros mais badalados há – repito, estou a falar de um “segmento” que tem apenas validade enquanto rótulo comercial.

    E acho muito mais absurdo um livro ganhar o premio nacional de literatura em Moçambique, estar esgotado e assim continuar um ano.

    Como vês não tem a ver com um autor aprender a comercializar ou não. Trata-se de uma editora ter ou não unhas para o grande catálogo que tem.

  8. A B de Melo diz:

    JPT – Escapou-te a leve (ah tão leve) mas crucial ironia no que disse acima sobre o JPBC aprender com o Mia. São percursos completamente diferentes. Destaco apenas a necessidade de potenciar esta fantástica oportunidade de promoção, em que a editora e o autor têm que desenhar uma estratégia … na face dos precedentes que tão sucinta e magistralmente relataste.

    Presumindo que a obra é tão boa como o júri da Leya diz que é.

    Sr Bibliotecário de Babel – Albasini “figura lendária das letras locais”? está a falar de quem? “o” Albasini que conheço foi um português das arábias, uma conhecida figura histórica do relacionamento entre os portugueses proto-coloniais e os boers da República Sul Africana. Morreu muito antes de von Vorbeck meter um pé em África e não consta ter produzido “letras”.

  9. jpt diz:

    ABM não me escapou a tua ironia. Apenas achei necessário reforçar a canelada (tipo “entrada a pés juntos” em futebolês – e que ganhemos a Malta) na editora

    O Albasini lenda das letras locais é do meu texto e não do BB. E estás equivocado

  10. Fico feliz com essa premiação. Me encantei com As Duas Sombras do Rio e aguardo ansiosamente a possibilidade de ler este novo livro de JPBC.
    Pena que no Brasil, país de minha origem, seja tão difícil chegar esta literatura. E pena também que em Tete, onde resido, o preço dos livros sejam impraticáveis até mesmo para os estrangeiros que lá vivem. Aguardarei a oportunidade de comprá-lo em Maputo.

  11. Antonio Bure Simango diz:

    Estou lendo neste momemto o Meridiao,Indicos Indicios II. Devo confessar que o premio Leya, atribuido ao seu romance ” O olho de Hertzog” e apenas o culminar dum grande reconhecimento de Joao Paulo Borges Coelho, como um dos mais concorrentes autores da Literaratura mocambicana. Merece-lhe o premio e mais, porque nas suas diferentes narrativas descreve com arte e paixao, a cultura e gente de Mocambique, como se as palavras estivessem a sair da boca dessa gente, que parte dela, talvez nem sabe que cada conversa que teve com o autor n ao foi em vao.

  12. João Pedro Chaby diz:

    Oi João Paulo
    Não sei se há lembrança da minha fugaz passagem por Maputo onde tive o enorme prazer de degustar a famosa “açorda de caranguejo”.
    Daqui de lusas terras envio um imenso abraço e um comovido grito de parabéns pela obra e prémio.
    O assunto foi aflorado por mim num seminário dum longínquo mestrado de história de áfrica, já nem me lembro de qual, e o personagem-general por todos estes anos vem, de quando em vez, à minha memória, pela fantástica aventura de estratégia de guerrilha. Acho até que conversámos, já lá vão mais de 10 anos, pelo menos uma vez, sobre a “invençao da guerrilha” por ele.
    Um grande abraço, um beijo à Maria Manuel e cumprimentos aos filhotes que já devem ser uns homes
    com saudade
    João Pedro Chaby

  13. Gabriel diz:

    Sou português, vivo e trabalho em Lisboa e desconhecia (até ler o livro premiado pela Leya) completamente este escritor de língua portuguesa. Gostei bastante do livro e espero que leiam porque é uma agradável suspresa! Informo também que o livro está a ter uma boa promoção em Portugal, assumindo mesmo lugar de destaque no top de vendas nas principais livrarias e já se encontra no top10 de vendas. Parabéns ao escritor e venha o próximo.

  14. Tema interessante, escrita absorvente. Todos os condimentos para, na minha óptica, o premio ter sido bem atribuido. Regosijo-me com facto !

  15. carlos pereira diz:

    Sem palavras
    Para mim, absolutamente desconhecido (salvo uma agradável conversa entre Bragança e Mirandela) e depois…fixar o olho no Hertzog e dar voltas e reviravoltas para perceber de onde me era familiar.
    Afinal a palestra que me permitiu o elogio soube a pouco…isto é, depois de ler, acho que fui muito modesto!
    Um grande aplauso para um grande autor da língua portuguesa.

  16. [...] Petromax gostou de ler o O Olho de Hertzog de João Paulo Borges Coelho. E daí que está a colocar uma série de imagens de [...]

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