Ainda a ortografia, e seus acordos

Daniel da Costa investe contra a nova mania de se utilizar “aderência” no sentido de “adesão”. Sorrio, concordante. Mas logo me lembro destes tipos da “esquerda libertária” – e tantos de blog em riste -, ufanos no paleio de que a grafia é uma convenção, como se mera repressão de uma “natureza” humana livre como um passarinho por ela amordaçada (somos um beija-flor, não é assim?!). E não é uma convenção utilizar “adesão” e não “aderência”? Ou outra qualquer palavra? Não é uma mera convenção (repressora) dizer “intelectual” em vez de “imbecil”, “reflexivo” em vez de “desonesto”, “libertário” em vez de “reaccionário”? Ou “pensante” em vez de “dioajtroai”? Ou “daçqwue”? (não é uma convenção do teclado “qwert” que me produz estes “libertários” neologismos?). Vou ali e já venho. Farto de “filósofos do homem” “zerohuitards”…


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5 Responses to “Ainda a ortografia, e seus acordos”

  1. Caro J@pt.

    Da imbecilidade icónica dos intelectuais fica a pluralidade exótica dos espertalhões. Os geofónicos como me diria ontem, iluminadamente, um cidadão executivo da sua descidadania. Exemplarmente cruel como convém e filósificamente defecante como daí se advirá. Das aderencias ficarão adesivas nossas deslibertinadas decisões. Porém, alocatário que sou da deslinguada Língua Portuguesa, com as rendas pagas todos os dias desde o primeiro biberon, se é assim que se escreve, acoalho o leite da prolixidade com que não me lamberão o c. a dizer, ai, lindo bébé a dar um pum. Que se lixe o acordo ortográlhico onde, espero, ano meu país, ninguém se reveja. Salvo , como sabemos, os matulões dos chupadores a quem gostativamente ele convém. E isto, porque “o malandro na dureza/ senta a mesa do café/ pede um copo de cachaça/ e acha graça e dá no pé. De passagem pelo caixa, dá uma baixa no português….. e lá vamos cantando e rindo

  2. jpt diz:

    Abraço Eduardo (ah, no Ma-schamba não precisas de amputar as palavras em nome do “acordo ortomoral”): Aqui caralho escreve-se caralho.

  3. oi j@pt, é também alguma questão de pudor. Um abraço meu velho, quando eu chegar quero que me convides, embora atemorizado, a fbeber uma garrafa de whisky para falarmos mal da vida. Um abração e um obrigado cheio de saudades. Por falar nisso, ainda não te paguei o empréstimo!!!!!!!!!!!

  4. gaf diz:

    jpt, estou de acordo com a verve satírica e com o alvo, que bem a merece, mas acho descabido o prtexto e a mistura de um neologismo perfeitamente legítimo (aderência) com a «ortografia e os seus acordos». A criação de palavras novas e de modismos linguísticos não tem nada a ver com o acordo ortográfico idiota.

  5. jpt diz:

    GAF (espero que ainda venha aqui ler a resposta, já tardia). Nao deixa de ter razão, mas apenas quero referir que a “convenção” que se atribui à grafia é também atribuível a outros conteúdos da expressão. Quanto à “aderência”, e isto é marginal, mero proposto, é um modismo, como qualquer outro – permito-me intuir que terá começado por um feixe de ignorâncias e depois se vai vulgarizando. Como em tantos outros casos. Como tal não grave

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