
Ilha de Moçambique
Não é a pedra.
O que me fascina
é o que a pedra diz.
A voz cristalizada,
o segredo da rocha rumo ao pó.
E escutar a multidão
de empedernidos seres
que a meu pé se vão afeiçoando.
A pedra grávida
a pedra solteira,
a que canta, na solidão,
o destino de ser ilha.
O poeta quer escrever
a voz na pedra.
Mas a vida de suas mãos migra
e levanta voo na palavra.
Uns dizem: na pedra nasceu uma figueira.
Eu digo: na figueira nasceu uma pedra.
(Mia Couto, idades, cidades, divindades, Maputo, Ndjira, 2008)

2 comments ↓
Foi ótimo visitá-los e reencontrar aqui José Craveirinha, Luiz Carlos Patraquim, Mia Couto e outros. Todos guardo em mim com enorme carinho e saudades. A net, ao fim serve a isso, aos reencontros. Isadora.
ainda bem que valeu a visita. e agradeço-lhe o facto de o dizer
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