Abaixo fica a reprodução das capas dos exemplares que tenho [se alguém tiver o nº 2 e me deixar fotocopiar ...]. Sobre o conteúdo haverá quem fale. Sobre uma reedição (talvez fac-simile) haverá, com toda a certeza, quem tenha a legitimidade para a aventar.
[Nº 1, Junho 1984. Entrevista a Rui Nogar por Tomás Vimaró; poemas de Pessoa, Césaire, Dante, Char, Sartre, Brecht; publicação de "Godido" de João Dias; textos de Khosa, Mikas Dunga, António Magaia; poemas de Bucuane, Muteia, White; ilustrações de Ídasse (e Naguib?)]
[Nº 3, Outubro de 1984; Entrevista a Pepetela por Tomás Vimaró; textos de Khosa, Roberto Amado, Aníbal Aleluia, Panguana, Khambira Khambiray (Aldino Muianga?), Tomás Vimaró, Nathan Erúbi, Mikas Dunga (Pedro Chissano?); poemas de Adamogy, Pinto de Abreu, Fernando Pablo, Fernando Manuel, Juvenal Bucuane, Alvaro do Ó, Hilário Matusse, Armando Artur, Sibone]

[Nº 5/6, Abril/Junho 1985; Entrevista a Luís Carlos Patraquim por Vimaró; poema de Corsino Fortes; textos de Manuel Ferreira (excerto, sobre a Charrua, publicado no JL de Portugal), de Vimaró, Maria Amélia Russo (sobre Rui Knopfli), Juvenal Bucuane, Marcelo Panguana, Ídasse, Sulemane Cassamo, Castigo Zita, Khosa; Ilustrações de Ídasse, Míguel César; poemas de Edmundo Manhiça, Armando Artur, Job Matola, António Tomé, Filimone Meigos, Guilherme Afonso, M´to Tóva, José Maria (Júnior), Cândido Mondlane, Sibone, Mukeswane (seria o Bento Carlos?), Bucuane, Luís Carlos Patraquim, Yussuf Ebrahim, Nataniel Ngomane, Angélica Muvumbe, White, Rufino Roque, Muteia, Dobie Ralph]

[Nº 7, Agosto 1985; Poema de Corsino Fortes; Entrevista a Marcelino Alves por Vimaró; textos de Pedro Chissano, Orlando Mendes, Juvenal Bucuane, José Cardoso, White, Aníbal Aleluia, Fátima Mendonça, Muteia, Khambira Khambiray, Vimaró, Maria Jorge, Nelson Saúte; poemas de Ilídio Chamusso, Nelson Saúte, Clotilde Silva, Belocéu, Mwana Mutipo, Guevane, António Tomé, Fernando Manuel, Hilário Matusse, Bucuane, Ngomane, Guilherme Afonso, Armando Artur, Jójó Muhau, Sarimate K.M., Ripanga Raku Xeka, Rufino Roque, Lonamu-Lehia, Filimone Meigos; Ilustração de Mandhate]

[Nº 8, Dezembro 1986; textos de Pedro Chissano, Isménia Sacramento, Nilson Luiz May (sobre Luandino Vieira), Panguana (sobre Bento Sitoe), Clementino Vaquina, Aníbal Aleluia, Orlando Mendes, Khosa, Vimaró; poemas de Armando Artur, Bucuane, Muteia, Filimone Meigos, Guilherme Afonso, Nelson Saúte; ilustração de Ídasse]
E do primeiro número transcrevo um poema que, hoje, se confirma anúncio:
(Eduardo White)


8 comments ↓
A «Charrua» foi a primeira revista literária no Maputo do pós- Independência; e ela encerra verdadeiros tesouros da Literatura moçambicana e o registo de vozes que se calaram deixando um vazio por preencher no panorama literário moçambicano. Aponto, antes de mais, o nome de Aníbal Aleluia, o veterano das letras moçambicanas, que ainda tive a dita de conhecer. Talvez fosse interessante que «Ma-schamba» lhe dedicasse algumas linhas publicando excertos da obra desse grande cultor da língua portuguesa que foi Aníbal Aleluia.
Eduardo White, Suleiman e Baka-Kossa, já nesses números de Charrua revelavam quem viriam a ser; Patraquim já era um sério senhor das letras, mas há um poeta que aparece na Charrua e que nunca mais publica, nem se lhe pede obra: trata-se de Sibone. A qualidade da sua lírica chamou a minha atenção quando li um seu poema. Trata-se de um encontro entre um menino e outro menino; o contexto é Maputo dos anos 8o; o cenário do quadro é uma lixeira e a cena dois olhos que se cruzam, uma mão que se estende e uma que se recusa…. Depois fica em todos os leitores uma interrogação:«Porquê?…»
Sei que Sibone é hoje um médico, filho de outro médico muito conhecido em Moçambique. Tentei contactá-lo há uns anos atrás; mas fiquei sem saber se recebeu as minhas mensagens. Trata-se de um poeta a sério que, certamente, terá muita coisa escrita que nos faria muito bem ler e saber que os problemas que o preconceito alimenta poderiam, ver-se resolvidos pela mão de uma criança. Bastava que elas vissem os adultos a darem-se as mãos… E confiassem em quem as quer ajudar a crescer no Mundo Novo que a Independência lhes prometeu.
Fernanda Angius
Agradeço-lhe o comentário..
Não conheço Sibone e dou-lhe, num a priori serodio, razão.
Se opinasse – coisa que me recuso no fascismo vigente, que sublinha a cobardia dos “escritores” moçambicanos, vis epifenómenos do mais vil racismo e xenofismo – falaria de uma arte em desuso, a do cronista Pedro Chissano. Mas aqui, terra da cobardia, não se justifica …
um bocadinho ácido em demasia o meu comentário acima – aproveite-se, pelo menos, a minha ideia de que Pedro Chissano era um belissimo cronista lamentavelmente hoje em pousio
Como posso, em Portugal, arranjar estas revistas?
Duvido que lhe seja possivel
A Revista Charrua não se encontra disponível fora de Moçambique. Porém, se quem estiver interessado nela se dirigir ao Dr. António Sopa, no Arquivo Histórico de Moçambique, em Maputo, estou certa da sua disponibilidade para lhe enviar as cópias. O mesmo poderá suceder com o número 2 , mas também não possuo esse número e desconheço se o Arquivo o tem. Outra alternativa será pedir essas cópias directamente ÀEMO.
Conheço a extrema disponibilidade do dr. António Sopa, graças a quem descobri verdadeiros tesouros na Literatura Moçambicana que tenciono trazer a público muito em breve. Assim a sorte e a saúde me permitam acabar o trabalho que estou fazendo.
Fernanda Angius
jpt, esqueci de confirmar que de facto o pseudónimo Kambira Kambiray corresponde ao nome de Aldino Muianga, um meu caríssimo amigo. Depois, também concordo consigo quanto às crónicas de Pedro Cissano.
Quanto ao resto, é tão óbvia a situação moçambicana que nem vale a pena comentar nada.
F. Angius
Fernanda,
Muito obrigada pelo esclarecimento mas suponho que as que estão em arquivo sejam peças únicas e só possam ser consultadas “in loco”. Entretanto espero que consiga aqui publicar algumas dessas raridades da literatura moçambicana.
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