Feiticeiro: Agradeço os votos que me faz diante dos espíritos. Mas porque mandou chamar-me assim, com tanta urgência, Gatsi Lucere?

Mambo: Para que seja garantida a continuidade da extensão do meu domínio sobre alguns vassalos que contra mim se rebelam, solicito os préstimos da tua magia.

Feiticeiro: Sugere que faça cair sobre os seus inimigos os malefícios da minha arte?

Mambo: Não. O castigo que pretendo para esses traidores é outro. A esses lacaios que, empaturrados pelo tributo que me roubam, ousam sublevar-se contra o meu poder, quero uma morte bem sofrida: uma morte a ferro e fogo!

Feiticeiro: Mas como o posso ajudar nesse desejo?

Mambo: Preparando-em com extrema brevidade umas duas bilhas e meia de dore-re-simba.

(…)

Feiticeiro [em jeito de conclusão]: Em troca da vida, Gatsi Lucere! Da vida…Se obrigares aos mineiros a tomar esse doro, eles encontrarão a morte em menos de sete semanas.

Mambo: Isso é o que pesa menos na minha consciência, feiticeiro. Agora pesa-me o ouro que não terei se esses servos continuarem vivos depois desse tempo.

Feiticeiro: E, a julgar pela quantidade de doro que me pede, é extenso o número de mineiros que tenciona sacrificar.

Mambo: Todos os dias nasce capim novo para alimentar o gado.

(…)

[Aurélio Furdela, Gatsi Lucere]

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