Como não se vendem livros nem se divulgam escritores.
Há cerca de um ano o Prémio Literário José Craveirinha, respeitante às edições do ano transacto, foi atribuído ao livro As Visitas do Dr. Valdez, de João Paulo Borges Coelho. Os prémios valem o que valem, mas para além do dinheirinho (gentil patrocínio da HCB) são um incentivo à leitura, para novos leitores do autor, para velhos leitores do autor.
Para quem lê o que se publica a atribuição do Prémio José Craveirinha não surpreendeu. Nada mesmo. Muito dificilmente o juri escolheria outro livro. Digamos que apenas surpreendeu a sua editora, Caminho/Ndjira. Pois o livro estava aqui esgotado. E assim continuou. Para quem o procurou, nada. Para o patrocinador, que na altura aventou a ideia de adquirir as obras premiadas e as distribuir pelas escolas dos distritos, nada.
Um ano passou. A Ndjira vai reeditando outras muito dignas obras, mas da premiada não se lembra. A Caminho não envia dos exemplares editados em Portugal (e aqui vendidos mais caros do que a edição nacional). Os livreiros não encomendam a obra premiada (aliás os livreiros não publicitam as obras premiadas o que, vindo de quem vem, é uma original crítica aos críticos).
Ah, vem tudo a isto a propósito de que (ovinhos de Páscoa?) encontrei agora, o tal ano depois, alguns exemplares à venda, recentemente chegados de Portugal.
Os alunos universitários lá vão dizendo. Os que são de leituras conhecem Mia Couto, Craveirinha, Paulina Chiziane. Alguns, poucos, Khosa (será que o livro está esgotado? é que o prémio deve estar a sair, espero que a Imprensa Universitária não imite coisas destas). Depois, esporadicamente, um ou outro escritor (Albino Magaia, Aldino Muianga, Nelson Saúte, alguns outros). Nunca Borges Coelho.
O melhor mesmo é não se atribuirem prémios. Para não vermos como não se vendem livros nem se divulgam escritores.


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