Já cai a noite, na avenida abrando chegando-me ao semáforo em vermelho. No grupo dos putos-de-rua, ali sentados no passeio, um deles enche o sorriso e e ensaia a familiaridade feita ganha-pão, saudando-me num sonoro e arrastado ”Amigo brasileiro!…”. Sorrio para mim, é-me uma estreia. Sinal, óbvio, dos tempos.
jpt

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Devia estar muito escuro. De qualquer modo, estratégia errada para sacar umas moedas em troco de nada.
E lembras-te de uma fatídica manhã de Setembro de 2003, em que eles em vez de te chamarem o teu nome habitual – PATRÃO – te chamaram Sr. Teixeira.
“patrão” não era exactamente o “nome habitual” – variava e e ainda, “bosse” também, essas coisas (e aqui falo de “moluenes” não de vendedores, como esses que referes). Mas lembro-me muito bem desse dia, no entre-tiros passei de patrão/bosse/doutor a Teixeira (sem senhor) – que isto do medo nos une a todos
Pois eu acho-os todos simpáticos e irmãos de armas mas sou mais do tipo “deixem-me em paz”. A omnipresença de alguém que, a partir da via pública, sabe tudo o que fazemos e quem somos não é o meu ideal de vida urbana, é invasão de provacidade com outro nome. E para isso já bastam os serviços secretos, os vizinhos e nomeadamente as cuscas.
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