Banda Desenhada de João Paulo Borges Coelho

Nota para recordar antiguidades da banda desenhada moçambicana, e para reconhecidamente agradecer ao Machado da Graça a oferta de um rarissimo exemplar de uma das obras, bem como da fotocópia de uma outra.

Esgotadissimos estão ambos os livros, da autoria de João Paulo Borges Coelho, esse historiador que aqui tenho referido várias vezes a propósito da sua recomendável recente faceta literária.

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Akapwitchi Akaporo. Armas e Escravos, Maputo, Instituto Nacional do Livro e do Disco, 1981.

Um livro sobre as guerras do Marave, recuperando a resistência no norte de Moçambique à ocupação portuguesa no final de XIX. Lendo-se hoje tem também a (normal) impressão digital do seu tempo, a da construção de uma memória histórica que se queria nacional, por via da resistência anti-colonial. Mas tem também uma poesia, algo de melancolia nostálgica, dir-se-ia prattiana, a emoldurar o olhar do tempo. E assim a fazer-nos aderir à obra, ainda para mais sabendo-a assumidamente amadora.

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Esta foi a primeira publicação na colecção “Banda Desenhada” editada pelo INLD. É interessante recuperar o texto introdutório, apresentação da colecção, então ainda sentindo necessidade de valorizar a Banda Desenhada face às ideias desvalorizadoras da arte que se fariam sentir. E de notar também a dimensão da edição, 20 000 exemplares. Outros tempos! Quem publicará tamanha edição de banda desenhada no hoje em dia.

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No Tempo do Farelahi, Maputo, Instituto Nacional do Livro e do Disco, 1984 [o autor assina apenas João Paulo]

Recuperando a expedição de Mouzinho de Albuquerque à então província de Moçambique, baseado na Ilha, e a resistência que lhe foi oposta. Uma temática semelhante à anterior, uma narrativa ainda mais aventurosa.

Do mesmo autor há ainda um 3º livro, “Namacurra“, recuperando a extraordinária epopeia da I Guerra Mundial em Moçambique, cruzada com o mundo dos Prazos zambezianos, centrada nessas espantosas personagens que ali foram aparentemente dominantes, as “Donas”. Deste trio é o meu preferido. Tive (ou será que ainda tenho?) fotocópia de original, ofertada pelo autor, também ele desprovido de exemplares de reserva.

Mas algum amigo levou-o de empréstimo, e recentemente, para o (re)fotocopiar e ter-se-á esquecido de o devolver. Esqueceu-se ele de mo entregar, esqueci-me eu a quem o emprestei. (Já sabes, se leres o Ma-Schamba traz lá a modesta cópia do livro, que me faz muita falta ao prazer). Portanto, se algum vizinho visitante tiver exemplar desse “Namacurra” faça o favor de mo emprestar, sob palavra de honra que o devolvo depois de cuidadosamente fotocopiado. E se tiver algum excedentário para oferta a um gostador, saiba da minha predisposição (gulosa) para ser ofertado.

Adenda post-blog: abro o email e tenho notícias do Machado da Graça relativa a este texto. Aqui o cito,

A tua referência ao Pratt, a propósito do João Paulo, lembra-me uma história:

Seria 1980 ou 1981 e o Instituto Nacional do Livro e do Disco, de que eu era director adjunto, foi convidado a estar presente na Feira do Livro Infantil de Bolonha, Itália. Fui lá, com um colega da área comercial, e montamos o estaminé. O ponto forte da decoração eram as páginas, em formato grande, do Armas e Escravos do João Paulo. À falta de muita coisa para expor as páginas forravam as paredes do nosso local.

Num dos dias da feira vejo aproximar-se um fulano baixo, gordito, que pára e fica a ver as páginas. Era o próprio Hugo Pratt. Viu-as, demoradamente, e comentou qualquer coisa como: “bastante bom. Este tipo tem futuro”. Após o que seguiu o seu caminho.

A respeito do Namacurra não houve livro nenhum. Saiu num dos números do jornal Kurika. Se te portares bem (me ensinares a por o contador de visitas no blog e aturares outras minhas ignorâncias…) dou-te uma fotocópia.

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