Tecnologias. E Aprendizagem.

Umberto Eco diz que se deve ensinar a pesquisar: os jornais dizem que para ele o Google é uma tragédia para os aprendizes. Eu diria que os jornalistas não sabem ler nem escrever.

Henrique Raposo foi ao Google e postou no Expresso uma crónica já escrita por não-sei-quantos, com o mesmo argumento, a mesma parca ironia, o mesmo tom. Com o sucesso que o Expresso dá, que a tralha já me chegou via email.

coluna henrique monteiro

Quem vai ao Google não são apenas os estudantes, como se vê.

E eu tenho uma sorte fantástica, isto de ter estudantes que sabem ler e escrever. Alguns não tanto, é certo. Mas a grande maioria sabe. E melhora durante os estudos. E, vejam lá, vão ao Google. Deve ser, imagino, por viverem noutro país. E, imagino ainda, por não lerem o Expresso e estas sopas já azedas, estes copy pastes, como se novos – exactamente aquilo que se ensina aos “rapazes” que não se faz.

É giro o pensamento no meu país… Perdão, são giros os jornais no meu país.

jpt

6 comments ↓

#1 AL on 12.07.09 at 2:53


Va, digam la, conseguem imaginar a vossa vida sem o google? Eu nao!

#2 Carlos Azevedo on 12.07.09 at 18:59


Tem toda a razão. Amigos que dão aulas no ensino superior contaram-me casos de teses de mestrado quase integralmente copiadas do google

#3 jpt on 12.07.09 at 20:59


Seja bem-vindo CA (há anos que não o lia por cá …!)

Certo, há muito plágio por aí. Mas também há programas anti-plágio, há discussões com os alunos, há tutoria na produção de textos, há controle bibliográfico, há controle linguístico, há faro para as incongruências, há associação entre modo (tons e sons) da docência havida e da produção recebida. Há alunos que plagiam? Há, mas há muitas formas de compreender isso. E o que o Eco quer dizer (e di-lo explicitamente) é que o ensino tem que ser menos massificado para que a pesquisa seja feita em interacção com os professores, que o google não se substitua há condução (em lato senso) da pesquisa – claro que o jornal pega no título chocante para alegrar o leitor.
Cumprimentos

#4 Carlos Azevedo on 12.09.09 at 2:57


Obrigado! Não tenho comentado, mas tenho visitado.

Não pretendi passar a ideia de que tal é praticado apenas pelos estudantes; apenas mencionei o que pessoas próximas me contam – e contam-no porque é a realidade com que lidam.

#5 Carlos Azevedo on 12.09.09 at 3:00


Já agora: a questão das consequências do ensino de massas parece-me muito complexa, e de difícil resolução. Mas disso pouco percebo – excepto, lá está, o que me contam as pessoas que lidam de perto com essa realidade.
Cumprimentos

#6 jpt on 12.09.09 at 5:50


CA nem me passa pela cabeça negar a realidade do plágio (ou da cópia inactiva, o que é algo diferente, mas também perverso) no seio dos diversos estratos estudantis. E também das dificuldades que isso levanta.

Agora o que me parece é:
a) a boutade de Eco é no sentido de um aprofundamento do ensino, náo é uma mero ditirambo contra a tecnologia. No fundo – neste caso não é preciso ser Eco para ser Eco, mas é preciso ser Eco para ter eco – o que os professores dizem. O googlismo é uma armadilha – mas é uma armadilha deliciosa, pois permite-nos encantos mil (não o google em si, mas toda a informação disponível) Aprender o que fazer o com ela é o que andamos todos a fazer, uns com sucesso outros nem tanto.

b) A articulação do texto com o outro é, para mim, simples – e isto vem lateralmente aos seus comentários. Há um discurso atomista vs as “cièncias sociais” – a psicologia, a pedagogia, a sociologia, etc. Descartam dessa crítica, por razóes mais sociológicas do que intelectuais, a economia e a ciència política. E toca de ridicularizar os exageros mas acima de tudo as vulgatas construídas à revelia, as caricaturas no fundo.
Um texto como o aqui reproduzido que invectiva pedagogia, psicologia, e implicitamente, a sociologia, e resume os problemas da educação no campo da “responsabilidade individual”, no indivíduo (paterno e-ou materno) é um texto boçal, é um texto iletrado. Na prática é um texto anti-científico, como negar uma qualquer outra ciència (a geologia por exemplo). Tem um registo de charla, crónica, passa para o papel uma série de “comuns opinioes”, calha bem ao rame-rame dominical. Mas é uma vergonha no seu implícito – e é aceite, toda esta tralha flinstoniana é aceite. E os autores até sáo elogiados – o bloguista em causa é um homem sistematicamente elogiado, por exemplo.

É uma aberração, porventura pior do que o google.

c) de novo cumprimentos, até ao breve possível

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