um tipo num blog (diário pessoal) mete o que quer. Um tipo que é pago para opinar num jornal (e de “referência”) tem algo mais … assim tipo responsabilidade social, dir-se-ia. Breves dias em Portugal deixam-me entender que há algumas vozes novas (pelo menos para mim) no grupo dos fazedores de opiniâo. Descobre-se (ou reconhece-se) um nome e logo o encontramos nos jornais, na tv, o prestígio está ganho.
Neste verão é Rui Tavares. A esquerda que ri, presumo. Leio-lhe no Público a opinião, decerto que abrilhantada com o brilho do intelectual: “sou um obamista“. Não se trata de discutir a falência do modelo bush, do cristo-reaccionarismo americano da ultima década, de entender a necessidade de alguma mudança por lá, da esperança numa outra política externa, mais complexa, e noutra interna, alimentando (ressuscitando?) o peso mundial de um modelo de sociedade social – e não a tralha omnívora a que alguns chamam (porquê?) neo-liberalismo (uma palhaçada intelectual que alimenta a “direita” bloguística portuguesa, de prosápias intelectuais mas muito dados a abridged versions ou “ensaios” – na lógica portuguesa da palavra). Nâo se trata disso, trata-se de uma esquerda moribunda, incapaz de se entender sem o farol americano (anti-americanista, agora obamista). O domínio radical do impensamento: o mundo visto do club med, o pequeno-burguês não vai mais longe por mais andanças que faça. É o novo-riquismo de batina académica …
Um gajo declara-se obamista: adepto “ista” de quem tem “director de fé”, de quem acredita no que vem na bíblia, de quem abre um congresso político com a mulher e as duas meninas dizendo-lhe (e à tv) que o amam muito – “ah, mas é na América, tem que ser assim!!” dirão, na explanação da sua profunda desonestidade intelectual (e não só – insisto, os textos nos jornais são pagos, é uma actividade laboral, a desonestidade no trabalho é igual para todos). Ou seja um qualquer McCain diz coisas de que não gostamos e desvenda a sua demoníaca essência! Um qualquer Obama diz coisas de que não gostamos e evidencia a mera necessidade de adequar a forma do discurso ao público.
É esta a esquerda que escreve em Portugal, enquanto ri – que é “ista” do irracionalismo dos “gurus” cristãos, que é “ista” da demagogia populista mais baixa, que é “ista” do “criaccionismo” ainda que subtil, que é “ista” do primeiro-damismo mais imbecil.
Que a esquerda política de cagança académica morrera já se sabia. Que os jornais acolhem os despojos também. Um tipo não se deve irritar. Apenas se enoja, nisto de vir de ano a ano, encontrar as novas caras. E entristece-se quando as poucas vozes que vão indo ainda dão cobertura a esta paródia.
Adenda: é evidente que não é com esta gente que se deve discutir a questão racial, o “agora é a nossa vez”. Pois interrogar isso exigirá querer interrogar. Sem ser “ista”. Para quem tiver a decência (no fundo não é nada mais do que isso) de não ser “ista” d’algo procure no youtube a cerimónia dos oscares pré-obama (oscar a hale berry, denzel washington, sidney poitier e … robert redford). Analisem: agora é a nossa vez. E pensem, o mundo não é só hollywood. Mas repito, não vale a pena discutir essas coisas com esses macainistas/obamistas.
Adenda Segunda: Rui Tavares teve a gentileza de deixar na caixa de comentários o artigo que referi, e que assim transcrevo.
Para quem tiver paciência visite a caixa de comentários: pois aí tenho que matizar um argumento contra Rui Tavares; e porque não concordo nada com os comentários aí deixados por alguns comentadores residentes do ma-schamba.
“Roosevelt contra Roosevelt
28 Agosto 2008 | por Rui Tavares
É justo anunciar à partida que sou um obamaníaco e não avalio as eleições americanas com equidistância. Mas ganhei também o direito de me gabar: até agora tenho acertado aqui nas minhas previsões para as eleições americanas. Em pleno escândalo do reverendo Wright, sob a impressão geral de que a candidatura de Barack Obama acabara de ser destruída pelo seu desbocado pastor protestante, uma decisão do Partido Democrata sobre as primárias da Florida e do Michigan acabara (do meu ponto de vista) de lhe possibilitar a vitória. Pouco depois, houve um sobressalto geral com a ponta final de Hillary Clinton, numa altura em que me parecia que na verdade Obama já tinha essa vitória na mão.
Isso foi nas primárias democratas; agora estamos na campanha para as eleições gerais e o candidato republicano, John McCain, acabou de ultrapassar Obama nas sondagens. A percepção geral é a de que Obama está em queda quando deveria estar muito à frente. É mais uma vez o momento indicado para relançar o meu palpite: salvo escândalo ou guerra, continuo a apostar numa vitória de Obama.
Em primeiro lugar, não faz sentido esperar que os democratas ganhem por muito. Há trinta anos que eles não ganham eleições presidenciais “normais”. Bill Clinton ganhou na primeira vez com o voto adversário dividido (entre Ross Perot e George Bush pai) e na segunda vez já como presidente. Mas Al Gore e John Kerry ficaram a poucos votos de ganhar e é a partir desse pecúlio que Obama poderá construir uma vitória, ampliando o número de estados competitivos que poderão cair para o seu lado. Por isso não é de esperar uma grande distância nas sondagens nacionais, embora seja possível que ela venha a ocorrer depois nos votos do Colégio Eleitoral, que são distribuídos por estado.
***
Em segundo lugar, as diferenças entre candidatos. John McCain costuma dar como seu presidente ideal o republicano (e progressista) Theodore Roosevelt, cujo militarismo e voluntarismo aprecia e em cuja “obra” — o Canal do Panamá — ele próprio nasceu, literalmente. É duvidoso que o erudito e poliglota Theodore Roosevelt atacasse os seus adversários por serem “intelectuais e elitistas”, como McCain faz e é a moda da direita à escala internacional. Mas é verdade que John McCain é, ao menos, um político mais inspirador do que George W. Bush.
Mas não é de um Theodore Roosevelt que os americanos precisam agora. De quem eles precisam é de um Franklin Delano Roosevelt, seu sobrinho, o democrata que foi presidente quatro vezes depois da Grande Depressão. Tal como agora, Franklin Roosevelt apareceu numa altura em que a doutrina económica dominante se revelara disfuncional e os seus fundamentos morais aberrantes. Tal como Obama, Franklin Roosevelt apareceu com um discurso moderado e unificador, mas foi levado pelas circunstâncias a simplesmente refundar as estruturas do país. Foi ele que criou a Segurança Social nos EUA, e a criou de maneira a impedir que “um político qualquer a possa desmantelar”, como dizia e com razão (George W. Bush tentou e não conseguiu).
A Grande Depressão colocara a nu que a liberdade não se pode resumir à não-interferência do Estado. Liberdade é também liberdade para construir uma vida. Quem vive na pobreza ou no medo do desemprego não vive em liberdade. Distribuir liberdade por todos implica lutar por justiça social e segurança económica. Não precisamos de uma Grande Depressão para saber isso. Na verdade, o susto que já levamos deve chegar para os americanos perceberem que é preciso um caminho novo.”

22 comments ↓
Oi, velhote!
Pelos vistos, voltaste à pátria madrasta mais ao menos ao mesmo tempo que eu.
Entretanto, para quem vem todos os anos e tão de perto acompanha a imprensa e a blogosfera a partir de Maputo, pareces ter andado notavelmente distraído.
Mesmo tendo eu passado quase um ano na cidade que te adoptou, já há bem mais de um ano antes disso o Rui Tavares era “estrela residente” no Público e na televisão, para não falar de uma produção historiográfica nada isenta de interesse ou, até, de bloguices no Barnabé que deus tenha.
O homem escreve pontualmente umas asneiras e umas incongruências? Certamente. Até é o caso? Parece-me que sim. São menos conspícuas do que algumas que se foram espalhando pelo teu post? Também me parece, e não irei insultar a tua inteligência a apontá-las, pois basta-te uma releitura amanhã para as detectares, se é que não deste por elas logo ao escrevê-las.
Por isso, deixa lá estar o homem, pá.
Afinal, o mundo é bastante maior que Lisboa. E Lisboa, apesar das deformações da perspectiva, é bastante maior que Maputo – ou do que Évora, a minha amada terra natal.
E, como dizia a nossa colega e amiga Antónia Lima, todos fomos os putos mais espertos lá da nossa rua.
O que para aqui vai! “Não se trata de discutir a falência do modelo bush, do cristo-reaccionarismo americano da ultima década, de entender a necessidade de alguma mudança por lá, da esperança numa outra política externa, mais complexa, e noutra interna, alimentando (ressuscitando?) o peso mundial de um modelo de sociedade social… trata-se de uma esquerda moribunda, incapaz de se entender sem o farol americano (anti-americanista, agora obamista).”
Nem vou discutir como é que o entusiasmo com a campanha de Obama faz de mim anti-americano. Aliás, nem vou discutir nada sobre “anti-americanismo” de tão absurda que a acusação simplesmente é. Deixo aqui apenas o texto (uma vez que o autor não faz link para ele), para o leitor tirar a limpo se, nos três mil e pouco caracteres que são o seu limite obrigatório, se não discute a falência do modelo que nos trouxe até aqui e os contornos de um discurso político novo.
“Roosevelt contra Roosevelt
28 Agosto 2008 | por Rui Tavares
É justo anunciar à partida que sou um obamaníaco e não avalio as eleições americanas com equidistância. Mas ganhei também o direito de me gabar: até agora tenho acertado aqui nas minhas previsões para as eleições americanas. Em pleno escândalo do reverendo Wright, sob a impressão geral de que a candidatura de Barack Obama acabara de ser destruída pelo seu desbocado pastor protestante, uma decisão do Partido Democrata sobre as primárias da Florida e do Michigan acabara (do meu ponto de vista) de lhe possibilitar a vitória. Pouco depois, houve um sobressalto geral com a ponta final de Hillary Clinton, numa altura em que me parecia que na verdade Obama já tinha essa vitória na mão.
Isso foi nas primárias democratas; agora estamos na campanha para as eleições gerais e o candidato republicano, John McCain, acabou de ultrapassar Obama nas sondagens. A percepção geral é a de que Obama está em queda quando deveria estar muito à frente. É mais uma vez o momento indicado para relançar o meu palpite: salvo escândalo ou guerra, continuo a apostar numa vitória de Obama.
Em primeiro lugar, não faz sentido esperar que os democratas ganhem por muito. Há trinta anos que eles não ganham eleições presidenciais “normais”. Bill Clinton ganhou na primeira vez com o voto adversário dividido (entre Ross Perot e George Bush pai) e na segunda vez já como presidente. Mas Al Gore e John Kerry ficaram a poucos votos de ganhar e é a partir desse pecúlio que Obama poderá construir uma vitória, ampliando o número de estados competitivos que poderão cair para o seu lado. Por isso não é de esperar uma grande distância nas sondagens nacionais, embora seja possível que ela venha a ocorrer depois nos votos do Colégio Eleitoral, que são distribuídos por estado.
***
Em segundo lugar, as diferenças entre candidatos. John McCain costuma dar como seu presidente ideal o republicano (e progressista) Theodore Roosevelt, cujo militarismo e voluntarismo aprecia e em cuja “obra” — o Canal do Panamá — ele próprio nasceu, literalmente. É duvidoso que o erudito e poliglota Theodore Roosevelt atacasse os seus adversários por serem “intelectuais e elitistas”, como McCain faz e é a moda da direita à escala internacional. Mas é verdade que John McCain é, ao menos, um político mais inspirador do que George W. Bush.
Mas não é de um Theodore Roosevelt que os americanos precisam agora. De quem eles precisam é de um Franklin Delano Roosevelt, seu sobrinho, o democrata que foi presidente quatro vezes depois da Grande Depressão. Tal como agora, Franklin Roosevelt apareceu numa altura em que a doutrina económica dominante se revelara disfuncional e os seus fundamentos morais aberrantes. Tal como Obama, Franklin Roosevelt apareceu com um discurso moderado e unificador, mas foi levado pelas circunstâncias a simplesmente refundar as estruturas do país. Foi ele que criou a Segurança Social nos EUA, e a criou de maneira a impedir que “um político qualquer a possa desmantelar”, como dizia e com razão (George W. Bush tentou e não conseguiu).
A Grande Depressão colocara a nu que a liberdade não se pode resumir à não-interferência do Estado. Liberdade é também liberdade para construir uma vida. Quem vive na pobreza ou no medo do desemprego não vive em liberdade. Distribuir liberdade por todos implica lutar por justiça social e segurança económica. Não precisamos de uma Grande Depressão para saber isso. Na verdade, o susto que já levamos deve chegar para os americanos perceberem que é preciso um caminho novo.”
Bom, primeiro quero fazer minhas as palavras de Paulo Granjo, segundo proponho a releitura do artigo que o Rui Tavares oportunamente aqui colocou nos comentários.
Talvez por não conheceres os artigos que o RT escreveu na imprensa no último ano e meio, talvez por outras razões escapou-te a para mim bastante evidente auto-ironia ou auto-relativização que consiste na confissão do RT como “obamaníaco” (nota: não apenas “obamista”!)
Mesmo conccedendo que não deixa de ser algo esquisito como tantos de nós europeios se sintam como adeptos deste ou daquele candidato americano como se nele pudessem votar, não vejo nisto nada ilegítimo. Acho bem mais esquisito que se possa considerar uma profunda desonestidade intelectual que um adepto se centra no realce das qualidades do seu candidato e dos defeitos do candidato adversário. Será o facto de este adepto é pago para escrever uma coluna de opinião num jornal motivo para exigir maior equilíbrio e recato. Não acho. Acho sim que é honesto, neste caso, assumir a sua parcialidade. E é exactamente isso que o Rui Tavares fez ao declarar, já na primeira frase, a sua “obamania”. Depois pode concordar-se ou não, ou mais ou menos com as comparações históricas que fez, na minha modesta opinião, nada do que afirma constitui o crime de desonestidade intelectual.
Referes ainda o comentário que eu fiz a um outro artigo de RT. Acho, de facto, este outro artigo, sobre a manifesta hierarquia da atenção e de valor de comentadores da direita na imprensa portuguesa, muito pertinente. O meu comentário, intencionalmente agudizado e admitidamente sumário, que ali o RT ftenha feito prova da inferioridade moral da direita, certamente carece de equilíbrio, mas porque não poderia fazer isso no meu blogue?
Acho sim, os exemplos elencados pelo RT representativos. Que acha que quando os ladrões em fuga morrem com umas balas nas costas ser prioritário lembrar que os ladrões não deviam ter roubado, não tem a mesma hierarquia de valores que eu. E que não tem mais a dizer sobre o despedimento de um funcionário que cometeu a “deslealdade” de dizer em público que não foi aumentado nos últimos cinco anos do que fazer umas pidas, também não tem a mesma hierarquia de valores que eu.
De facto, considero a moral que sustenta esta hierarquia de valores, inferior. Se não assim a considerasse, a partilhava.
Falta um »é» ponto de interrogação numa frase do meu comentário anterior:
«Será o facto de este adepto é pago para escrever uma coluna de opinião num jornal é motivo para exigir maior equilíbrio e recato? Não acho.»
As minhas desculpas.
1. PG não regressei a lisboa (voltaste?). Passei por lá, muito rapidamente. (“Pátria Madrasta” – e este apontamento é para hipotéticos leitores e não para ti – é óbvia ironia, dessas carinhosas).
Terás razão, um tipo está longe e não se apercebe das vozes públicas – que vão mudando um pouco. Do Rui Tavares conheci-lhe ecos de um afamado (e presumo que interessantissimo) livro sobre o terramoto e sabia-o bloguista (confesso que fui ao google ver onde – tinha a ideia de que tinha um blog próprio, que já lera. E, lá está, eu não lia o Barnabé). E aceito o remoque – ele será um veterano da palavra pública e só a minha distracção feita de escassa rtp-africa e jornais electrónicos mo deixarão entender como novidade. Agora diante de pilhas de jornais e revistas mais zapping noctívago aí deparei-me com notória importância e surpreendi-me. Serodiamente, pelos vistos.
2. Há um blog chamado Olivesaria que brotou da minha rua e se alastrou um pouco pelo bairro-de-então fora: dá-lhe uma vista de olhos. Poderás comprovar, ainda que tenha muito de “discurso interno”, que nunca fui o puto mais esperto da minha rua. Nem me pude sentir tal.
3. o meu post tem asneiras e incongruências? Tem-nas quase com certeza. E nestes milhares de posts muitas se terão acumulado. Mas neste post há algo diverso (Que ultrapassa o RT): daqui não saio, é diverso escrever as minhas palermices aqui (à borla, económica e estatutariamente, entenda-se, pois não falo apenas do vil metal) e escrever num jornal, escrever em público. Se calhar daria pano para mangas esta distinção.
Quem não percebe o lugar dos Estados Unidos no mundo vai ficar desiludido com Obama.
Nem está em causa a sua capacidade. Está em causa como está o mundo. lembram-se o que se gritava pelo mundo fora antes da re-eleição de Bush? Que ele iria perder, era péssimo? GANHOU COM O MAIOR NUMERO DE VOTOS NUMA RE ELEIÇÃO EM TODA A HISTÓRIA DOS ESTADOS UNIDOS…
Curioso que fomos todos para o Afganistão e pela ausência do comentários presumo que a guerra já acabou e o Ocidente democratizou a zona………
ou seja, falamos mais dos outros mas pouco naquilo em que nos envolvemos.
Pedro
Lutz, a ver se “vou lá”, se me explico.
1. Vem lá comigo: umas das coisas que sempre me fez confusão foi a quantidade de antropólogos que fui conhecendo enredados em relacionamentos perversos com colegas e outros, com manias de perseguição, em estratégias subliminares de confronto, em má-língua e calúnias. E, não sendo o menos importante, em supremas arrogâncias egocentricas. Ou seja, nunca consegui perceber aqueles que (na sua maioria, pois há outras formas de trabalhar) denotam uma enorme incapacidade de articular, interagir, compreender, respeitar quem os rodeia e que assumem como método (técnica de pesquisa) a interacção com outros para a sua compreensão (muitas vezes associada, pelo menos em tempos, à sua dignificação). Faço-me entender? Se um gajo é um arrogante filho-da-puta com os seus pares como é que vou acreditar na relação com a realidade (e discurso que tem sobre ela) que esse gajo tem, construída na relacão com outros tipos?
2. Antropologo ou outra disciplina similar qualquer. O facto de um tipo ter vários papéis sociais não implica que tenha diversas éticas de relacionamento. Eu sou do sporting, quero a desgraça radical do benfica. Declaro o meu adeptismo, como tu defendes para não fingir a neutralidade. serei obrigado a negar a pertinência de todas as faltas contra o sporting? (em especial se penalties) Serei obrigado a jurar a incompetência de qualquer futebolista ou técnico benfiquista? (poder-me-ei deliciar com ela mas terei que a afirmar universal?)
Vamos lá a ver, e de novo ultrapassa o RT. Se eu tenho uma palavra pública ancorada num talento retórico mas também em qualquer capital simbólico proveniente da minha actividade profissional devo ou posso intervalar uma ética de relacionamento com a realidade que deve ser própria desta? Não quero repetir o post mas como posso confiar em quem escreve e em quem contratualiza nestes termos? como posso aceitar que um historiador (louvável, sublinha o PG) explicite uma opção política e a partir daí tenha dois pesos e duas medidas na análise do real? A mim implica que tal pode (e muito provavelmente) implicar o mesmo tipo de espartilho na análise do real aquando nos outros papéis sociais.
Isto não é pessoalizado. Não conheço o RT não posso afiançar opiniões. Mas é direccionado. OBama diz e faz coisas perfeitamente criticáveis (algumas execráveis: “acredito que o que a bíblia diz é substancialmente verdadeiro”) outras miseráveis (a palhaçada da mulher e filhas), etc e tal. É quem é está onde está! Posso preferi-lo ao opositor, por expectativas, posso discutir ou argumentar. Mas que um intelectual português (que também está onde está por o ser) escreva da sua furiosa (irónica, dizes tu?) adesão a tamanhas tralhas coloca-mo no grau zero. Relativamente a isto e ao resto, pois presumo que as operações intelectuais sejam similares nos divesos momentos
3. por que é que europeus (e portugueses) se tornam tão maníacos face à política americana, perguntas? Haveria muito para dizer – acima de tudo o esvaziamento da reflexão política, mas não tenho o saber para explicitar. Mas há algo fundamental. A preguiça (PG, eu nunca fui o mais esperto da rua): há anos que a direita bloguista portuguesa grita histriónica que é liberal e defende a olhos vistos qualquer bushice – quando bush é tudo menos um liberal (económica, política, ideologicamente). Tu ainda tens paci~encia para os criticares, para mim foi peditório para que já dei. São meros reaccinários irreflectidos – alguns com estilo Independente, outros mais sisudos – talvez por isso a piada que o affaire Arroja teve, de explicitar a tralha de embrulho liberal (falo da maioria, naõ de todos, como é óbvio)
A mesma preguiça, ou por outra, a mesma merda, neste obamismo que se cruza. Comem a propaganda, imprimem na imagem assim recebida alguns anseios próprios, e tornam-se fans. É legítimo? É. É normal que os jornais acolham? É, eles são um fenómeno social (ideal e político) a merecer atenção. É estranho que os jornais os recebam em discurso directo e não enquanto “assunto” passível de análise? É, e significa a negação do papel investigador, repórter, dos jornais.
4. a esquerda tem alguma superioridade moral sobre a direita, como tu afianças, ancorado num texto de RT? Vou ali e já venho, se não te importas …
Rui Tavares:
1. Obrigado pelo texto. Não se importará, decerto, que eu o levante para o post.
2. Lamento não ter colocado elo para o artigo: prática constante aqui e, normalmente, com cópia, dado que os artigos de jornal por vezes têm ligações perecíveis. Mas estava em viagem, a escrever á pressa – tamanha a irritação, já agora. Deixei a transcrição para quando em casa. Obrigado por se ter antecipado.
3. Tem toda a razão num ponto: na acusação de anti-americanismo fiz um salto, generalizei-o. Não tenho qualquer memória de o ler enquanto “anti-americano”. Quis, com manifesto abuso, generalizar a ideia de que tantos constantes anti-yankees transitaram nos últimos meses para um obamismo radical. Não posso assumir isso vindo de si. Mas é óbvio em tantos outros.
Desculpe o grosseiro da imputação.
Ilustre, o enterro do Dr David Aloni, membro do Conselho de Estado e quadro sénior da RENAMO, será no dia3/9/08. As 13.30H velório na sala nobre do Municipio de maputo, às 15:30h enterro no cemitério de Lhanguene.
Inferioridade moral da direita, jpt, não superioridade da esquerda. E essa minha convicção não está “ancorada” no texto de RT, mas das minhas observações da hierarquia de valores, que não comecei a fazer na leitura do artigo do RT citado.
hum ….
Ivone Soares, obrigado pela informação. E as minhas condolências, para si e restantes amigos e familiares de David Aloni – ainda há pouco tempo aqui referido a propósito de um seu artigo sobre linguística.
Ainda sobre os dois pesos e as duas medidas do RT. Escapa-me no artigo do RT a crítica que este faz ao estilo de campanha de McCain. Ou referes-te a moderada referência de McCain tenda apresentar Obama como “elitista”? Não, não pode ser. Deves referir-te a outros artigos, que desconheço. Ou estás a generalizar e a incoerência só se verifica na personagem que crista na fusão de RT com terceiros.
Quanto ao estilo de campanha de Obama, acho que sabes que tenho tão pouca paciência para aquilo como tu. O quase tão pouco. EEmbora que ofende genuinamnete o meu sentido de pudor, admito que posssa ser mais do que mero calculismo hipócrita: Também é uma maneira de estar na vida, maneira, parece-me, mesmo caracteristicamente americana. Em tempos tentei esboçar umas ideias sobre esta num post que comentava a encenação do mea-culpa do governador de Nova Iorque que se demitiu porque se soube que foi as putas. ( http://quaseemportugues.blogspot.com/2008/03/expiao.html )
Não gosto disso, mas a comentar a vida pública americana, ou tolero, até certo ponto, a obscena exibição da familia e (muitas vezes falsa) virtude privada como algo q
(continuação)
que todos fazem e acham normal, ou todas as minhas observações terei que fazer como notas de rodapé à declaração do meu repúdio da hipocrisia e do despudor americano.
Não resisto a comentar mais umas exibições aberrantes deste despudor.
Não me parece muito atrevido afirmar que McCain escolheu Sarah Palin como candidata a vicepresidente menos pelos seu percurso e a suas ideias políticas do que pela personagem que encarna os valores conservadores americanos: mulher, múltipla mãe, religiosa, beauty-queen, mas também gestora, caçadoura etc.
Perante a aparente perfeição moral da personagem os cães dos adeversários começaram a vasculhar a sua vida privada e chegaram a insinuar, sem provas, que a filha deficiente na verdade será a sua neta!
Perante isto, a campanha Mccain decidiu defender-se com a admissão pública da gravidez da filha da senadora, de 17 anos e solteira!
Como diz um meu amigo: não consigo comer tanto como podia vomitar…
Mas é este o ambiente em que se decide quem será a próxima pessoa mais poderosa do mundo.
Tantos erros, ortográficos, não dá para corrigir. As minhas desculpas!
Aqui algumas:
crista = criaste
O quase tão pouco = Ou quase tão pouco
posssa = possa
caçadoura = caçadora
etc.
Lutz deixa-me recentrar a situação:
a) irrita-me, por absurdo, o yankeecentrismo de elevada percentagem do luso-teclismo (jornalístico ou bloguista): já o disse várias vezes, a direita (a “direita inteligente” …) esquece (radicalmente) o património anti-americano da direita europeia e esquece o anti-liberalismo da direita americana (especialmente esta no poder); a esquerda saliva um anti-americanismo constante, substitutivo de outras bússolas, o que a leva a parvoíces cosmológicas. Não é contra a atenção ao “amigo americano”, claro. É contra o adeptismo assumido (ainda para mais quando se movem num eixo político americano bem diverso e utilizam simbolos e modos oriundos do seu eixo próprio- denota incimpreensão). Isto não é o Rui Tavares, é também o Rui Tavares no Público último e na RTPN (ou Sic n?) em conversa absurda com o Luís Delgado e outro jornalista – foi demais para a minha paciência
2. Não quero discutir, nem discuto se McCain é isto ou aquilo, se a campanha é isto ou aquilo. O meu assunto não é a campanha americana nem a política americana. O meu assunto é a palavra pública e mediática portuguesa – como é que alguém que se declara “maníaco”, fan ou outra coisa qualquer coisa do género de um político com os tiques e as afirmações de um obama ou outro obama qualquer? Ou seja como damos (ou dão, na minha terra) crédito a esta onda – tu chamas irónica, eu quanto muito cedo e chamo-lhe “gira”, a tal “esquerda que ri”, um nada radical. As criancinhas no “I love you daddy”, a (delas) mamã no “My husband is everything” e o intelectual português – batido no racionalismo da esquerda (e, talvez, adversário do Carrilho e da Guimarães. Talvez, repito) no adeptismo? Isto é merda, nada mais. E a gente a ler e a gostar … não do obama, entende. Mas do escriba.
3. não vês no artigo nada sobre o macain? Claro. Mas esse é o único “elogio” que posso fazer a Rui TAvares e a outros no mesmo registo. As palhaçadas e as atoardas de obama vêm-nas como um efeito do espartilho do eleitorado americano, uma necessidade para conquistar votos e simpatias. As palhaçadas e as atoardas de mccain vêm-nas como essencias, não como uma mera demagogia. E é isso, lutz, que eu chamo desonestidade intelectual. Os dois pesos e duas medidas na análise
Ainda se estivessem a defender o presidente da camara lá de onde têm emprego na empresa municipal … era o leite das crianças deles. Agora, sendo assim, avacalham para defender o quê? Estatuto de plumitivo, ruído para surfarem a crista. Nada mais.
E, quando académicos, maior a repulsa. Minha
Explicitei-me? Espero que sim …
Fizeste um post sobre obama em berlim. Aí comentei, há umas semanas, que os europeus gostam de obama porque acham que ele vai “enfranquecer” os EUA. Claro que os poucos que responderam acharam que era gralha, que eu queria dizer “enfraquecer”. Claro que não, as pessoas julgam que Obama vai tornar os EUA mais “francos”, ou seja que OBama “é fixe”. BAh…
E depois, em particular quando Obama foi lá dizer “ich bin ein berliner” (é assim? foi de cor) atiraram-se para o ar, orgasmos múltiplos. DAqui a uns meses, umas quaisquer efemérides lembram-lhes a raiz ideológica e começam a berrar contra os EUA invassores do Vietnam. Uns dias são kennedyanos, outros são anti-kennedianos (mas até se esquecem, nem percebem a contradição). Um tipo naõ pode ser sempre coerente (em minha opinião nem o deve ser). Mas há limites para este bazar opinativo
[Já agora, nem sei em que programa de tv aí via alguns ilustres comentadores afirmar que finalmente um candidato de uma minoria (um “negro”, que é a forma como os portugueses chamam aos mulatos quando estes são americanos dos EUA) poderá ser eleito presidente. Meia hora depois ou no debate seguinte até podem discorrer sobre as aparentes similitudes (de estilo, de marketing) de obama com kennedy – que era “eire-americano” e católico, em tempos considerados factores de “minoria” (ainda que o homem fosse da elite económica, o que desfaz um pouco esta imagem)
Um tipo não precisa de fazer um ensaio ou de escrever um livro quando vai à TV ou escreve no “publico/dn”. Mas pode tentar evitar parecer um imbecil ignorante, não achas?
[...] esta tralha o LNT diz melhor do que eu: “De novo os [...]
Fico-lhe grata ilustre. Abraço
[...] propósito do texto de Rui Tavares sobre a sua obamomania o Herdeiro de Aécio contribui com [...]
[...] obamista” lusa (e a outra, lá-de-fora; e o racismo negro virado obamista) pus-me a resmungar contra os obamistas – para ter a prova de que estou fora de Portugal há muito: bem que fui gozado por não saber quem [...]
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