Relativamente a esta entrada sobre a Ilha de Moçambique a empresa MCel enviou-me um comunicado de imprensa, entretanto distribuído pelos orgãos de comunicação social. Em meu entendimento um blog não é um orgão de imprensa (pelo menos a este Ma-schamba assim não o reclamo), por diferente natureza e por diferente dimensão. Como tal entendo o envio pela MCel deste comunicado como um extremo de gentileza que denota o verdadeiro interesse da sua administração em promover acções mecenáticas na Ilha de Moçambique. Por isso, e como se diz(ia) na minha terra, bem hajam.
A mcel SARL, tomou conhecimento das pinturas das fachadas frontais das construções da Ilha de Moçambique, listadas como monumentos históricos do Património Mundial da Humanidade.
Esta acção, efectuada por uma empresa localmente subcontratada e devidamente autorizada, desvirtua os objectivos preconizados pelo projecto de aumento da visibilidade da marca e a forma como foi implementada afronta os valores que a mcel como instituição ética e socialmente responsável defende e promove.
A mcel, comunica que estão já em processo acelerado de reposição das cores originais das fachadas frontais das construcções e edifícios da Ilha de Moçambique.
Pelos transtornos causados, a mcel apresenta à população da Ilha de Moçambique, às entidades competentes e ao público em geral as mais sinceras desculpas e reitera o total compromisso na preservação e valorização do património histórico cultural do nosso país
Maputo, 15 de Junho de 2007


11 comments ↓
Uma vez mais a prova de que alguns blogues, como é o caso deste Ma-shamba, são veículos eficazes para exprimirmos descomprometidamente as nossas preocupações, críticas e propostas. Por isso, parabéns e obrigado a ti, JPC, pela tua sensibilidade e forma de actuação quanto a esta questão.
O meu reconhecimento também à MCEL pela pronta reacção e determinação expressa em encontrar de imediato soluções para o problema já criado: o atentado à identidade da ilha como conjunto, como atrás ficou bem definido. Parabéns também por este exemplo, que espero seja seguido por outras empresas em ocasiões semelhantes.
Ainda à MCEL, mas também à VODACOM, sugiro que façam desta ocorrência um momento de reflexão sobre as suas campanhas de marketing e de apoio a actividades culturais. Em minha opinião, diversos são os aspectos em que temos a agradecer-lhes - Que seria do trabalho e da vida de muitos dos nossos escritores, músicos, pintores, etc., sem os seus patrocínios? - mas com os mesmos investimentos e um envolvimento mais reflectido e social e culturalmente mais responsável poderão ser muito maiores os benefícios para Moçambique. E a isso está a MCEL verdadeiramente obrigada por ser uma empresa pública e com mais deveres para com o Estado e os contribuintes.
Fátima Ribeiro
Atenção: Corrijo na entrada anterior “empresa pública” para “participada pelo Estado”.
As minhas desculpas pelo lapso.
Fátima Ribeiro
Toma lá, da Cá
Parabéns a nossa Ma-schamba que esta apresentar uma colheita agradavél, dai que preferi o termo toma lá, da cá …
Louvo a iniciativa da Mcel pelo reconhecimento da atitude perpetuada, mas a minha questão é seguinte: SERA QUE NÃO TINHA CONHECIMENTO DO FACTO QUE ESTAVAM A PRATICAR…Vamos lá falar, sabiam ou não… não estamos a jogar totobola, vcs não tem consultores? ou apenas era uma daquelas tentativas….deixa andar
JPT e todos os surfistas estamos jutos por um Moçambique alegre.
O problema não é repor as cores anteriores.
É preciso saber que tintas foram usadas e fazer um estudo dos danos que ela podem ter sobre as fachadas fragilizadas de pedra coralina e cal.
O problema da pintura neste momento está a ser discutido num aspecto “visual” mas muitos outros problemas podem surgir dessas pinturas.
Não quero parecer alarmista mas sim tentar sensibilizar que o patrimonio historico não é algo que se brinque. É algo muito sensivel.
Devia-se responsabilizar a Mcel e já agora faze-la reparar as fachadas que danificou. Com isso quero dizer voltar a rebocar as paredes e caiar tudo outra vez.
Porque senão daqui a 3000 anos quando o “Indiana Jones” descobrir as ruinas da Ilha vai ficar um pouco baralhado com a camada de tinta plastica amarela e verde que essas alvenarias irão possuir.
A reação da MCEL, menos mal? Só acredito mesmo, vendo! Torço para que os efeitos sejam de facto amenizados. De qualquer forma a MCEL há que repensar a sua estrutura de administração de marketing para que não venha a se aperceber tão tarde de tamanhos absurdos. Vá que daqui a pouco ao se visitar a Gorongosa não vejamos alguns leões, elefantes, búfalos e hipopótamos pintados de amarelo. Talvez os administradores do famoso Parque até nem deixassem acontecer o ridiculo que vimos acontecer na Ilha. Sim, sem dúvida que há que dividir as culpas.
Concordo com o rúben morgado. o problema não é de facto repor as cores anteriores. seria o mesmo como tentar repor a Monalisa depois de se ter pintado o Hitler por cima. Não se volta ao original, mas a uma cópia do original.
Penso que o assunto não deve parar por aquí. Há que responsabilizar os mentores da bárbara ideia. Onde está o munícipio da Ilha de Moçambique no meio disso tudo? Quem foi a empresa de marketing e publicidade que esteve em frente da campanha? Uma desculpa por si só não basta. é altura de se começar a responsabilizar. Talvez até mais que só repor as cores, é necessário que o dano causado seja também reparado financeiramente.
Volto aqui para reafirmar a necessidade de se responsabilizarem também os órgãos municipais e, sobretudo, os de defesa do património histórico e cultural, do Ministério da Educação e Cultura.
Como sabemos, todos os anúncios públicos – no que respeita a dimensões, dizeres, local de afixação, cores - têm de ser autorizados por estruturas municipais, o que presumo tenha acontecido neste caso. Por outro lado, tendo a ilha o estatuto que tem de património mundial, terá certamente, ali residente, algum órgão representante do Ministério da Educação e Cultura com mandato específico para a sua protecção e valorização. Se tal órgão não existe, deveria existir.
Excedendo mesmo as minhas expectativas, a MCEL reconheceu de imediato a sua quota-parte de responsabilidade e assumiu, ela própria, culpas superiores às que lhe estavam a ser imputadas. Ainda hoje voltou a afirmá-lo em comunicado no jornal “Notícias”. E os outros, não têm nada a dizer?
Fátima Ribeiro
Uma opinião/crítica construtiva é sempre uma mais-valia, porque a ajuda o crescimento de todos. Por isso, os meus parabéns a ambos, o Senhor JPC, pelo seu olhar atento e crítico ao que se passa à sua volta e, a mCel, por ter dado mostras de que realmente é por uma economia criativa, porque incorpora iniciativas associadas a valorização do nosso património cultural, um contributo bastante importante, sobretudo em regiões empobrecidas como deve ser a nossa bela relíquia cultural, a Ilha de Moçambique.
Aurélio
(UCT/CT)
A História de um país, tanto as suas melhores como as piores partes, fazem parte integrante da mesma.
É louvável o interesse e desconforto que estas pinturas num imóvel histórico, do período colonial despertou - mas, pergunto eu - e todos os outros monumentos de interesse histórico e cultural por este grande Moçambique fora, degradados e abandonados - e as estátuas coloniais apeadas, que deveriam ser conservadas pelo seu incontestável valor histórico que, bem ou mal, gostemos ou não, fazem parte de Moçambique.
Caros leitores.
Sou um dos maiores críticos da mCEL, mas tenho que reconhecer que com este comunicado de imprensa o tiveram BOM SENSO.
[…] [sobre este assunto ler a saudável reacção da MCel] […]
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