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	<title>Comentários em: História e Memória</title>
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	<description>"...cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio..." (R. Nassar)</description>
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		<title>Por: AL</title>
		<link>http://ma-schamba.com/historia/historia-e-memoria/comment-page-1/#comment-11003</link>
		<dc:creator>AL</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 20:30:22 +0000</pubDate>
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		<description>Muito bem dito VA. Quanto ao Fisk, e o meu heroi. Por causa dele fui ao Libano, por causa dele visitei Sabra e Shatila. Em ferias, entenda-se, pois apesar dos meus esforcos nao consegui ainda trabalhar no Medio Oriente...</description>
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	Muito bem dito VA. Quanto ao Fisk, e o meu heroi. Por causa dele fui ao Libano, por causa dele visitei Sabra e Shatila. Em ferias, entenda-se, pois apesar dos meus esforcos nao consegui ainda trabalhar no Medio Oriente&#8230;</p>
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		<title>Por: Vera Azevedo</title>
		<link>http://ma-schamba.com/historia/historia-e-memoria/comment-page-1/#comment-11000</link>
		<dc:creator>Vera Azevedo</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 18:29:14 +0000</pubDate>
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		<description>AL,
Excelente post. Gosto tanto do Robert Fisk! 
País sem memória não é uma tendência portuguesa, o problema é que Portugal nunca se esforçou por construir alguma.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>	<script type="text/javascript" src="http://ma-schamba.com/wp-content/plugins/encodingcom-wordpress-plugin/swfobject.js"></script><br />
	AL,<br />
Excelente post. Gosto tanto do Robert Fisk!<br />
País sem memória não é uma tendência portuguesa, o problema é que Portugal nunca se esforçou por construir alguma.</p>
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	<item>
		<title>Por: ABM</title>
		<link>http://ma-schamba.com/historia/historia-e-memoria/comment-page-1/#comment-10976</link>
		<dc:creator>ABM</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 03:41:50 +0000</pubDate>
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		<description>AL

Não sou habilitado mas isso não me parou anteriormente...

A participação portuguesa na Grande Guerra tinha como objectivo estratégico principal o governo poder mais tarde sentar-se entre os que iriam ganhar a guerra e que se pressuponha serem os britânicos e os franceses. Se se tiver em conta que isto ocorre em Março de 1916 e ainda por cima por o que basicamente constituiu uma provocação portuguesa aos alemães (formalmente, foram eles que declaram guerra primeiro, despachando o então embaixador em Berlim de volta para Lisboa, que pouco depois faz um golpe de Estado e se torna ditador. Chamava-se Sidónio Pais) este fim &quot;feliz&quot; não era seguro de forma alguma pois basicamente em 1916 a Alemanha estava a ganhar a guerra e só quando os EUA entraram no conflito em Abril de 1917 é que a coisa melhorou ligeiramente. Tirando La Lys em Abril de 1918 e que foi um desastre, e a vergonha que foi depois (não havia dinheiro para alimentar as tropas estacionadas em França e para os repatriar) foi uma coisa tépida, ou seja de derrota em derrota, rumo à vitória. Como quem foi para a França morrer era o povão miserável e ignorante de pé descalço, depois fez-se uns monumentozitos e prontamente esqueceu-se todo o assunto, até porque, para além de não haver nada mas derrotas para celebrar, havia coisas mais importantes a resolver, como a autêntica guerra civil que se desenrolou logo após o assassínio de Sidónio e o (onde é que já ouvi isto antes?) completamente delapidado estado das finanças portuguesas.

Não foi o mesmo no Reino Unido. Para além da guerra ter depauperado o que até então tinha sido o maior e mais poderoso império na face da Terra, a guerra aniquilou quase toda uma geração de homens de todas as classes (ao contrário dos portugueses, até os mais nobres britânicos mandavam os seus filhos para a guerra). Os efeitos e o trauma dessa hecatombe humana marcou profundamente a cultura e a psique da sociedade britânica durante décadas, como me lembro está bem detalhado num livrinho escrito por Roland Stromberg que li nos meus tempos de estudante universitário pelintra, chamado &quot;After Everything: Western Intelectual History since 1945&quot;. Foi uma mortandade à escala industrial e tanto mais uma surpresa e um choque pois então se achava que, com a industrialização da guerra (uma novidade então) que os conflitos seriam rápidos e cirúrgicos. E com este conflito esfumou-se o conceito da guerra como algo nobre e cavalheiresco que os homens bons da sociedade podiam fazer e assim cobrir-se de glória. Cedo se descobriu nas trincheiras o nojo daquilo tudo - a mensagem espelhada, por exemplo, na inesquecível obra &quot;Os três Soldados&quot; de John dos Passos. Versão americana da Guerra, mas suficientemente explícito do que pensava toda uma geração então.

Pessoalmente, acho que a participação portuguesa na Guerra foi um - mais um - estúpido marialvismo de uma elite lisboeta armada em chico-esperta, pois tirando as guerrilhas em Angola e Moçambique, que não valeram um chavo,  o interesse nacional não estava então em causa.

O episódio teve o benefício de ensinar uma importante lição a um jovem aspirante político católico chamado Oliveira Salazar o que não fazer anos mais tarde quando a guerra voltou em 1939. Fugiu dela como o diabo da cruz.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>	<script type="text/javascript" src="http://ma-schamba.com/wp-content/plugins/encodingcom-wordpress-plugin/swfobject.js"></script><br />
	AL</p>
<p>Não sou habilitado mas isso não me parou anteriormente&#8230;</p>
<p>A participação portuguesa na Grande Guerra tinha como objectivo estratégico principal o governo poder mais tarde sentar-se entre os que iriam ganhar a guerra e que se pressuponha serem os britânicos e os franceses. Se se tiver em conta que isto ocorre em Março de 1916 e ainda por cima por o que basicamente constituiu uma provocação portuguesa aos alemães (formalmente, foram eles que declaram guerra primeiro, despachando o então embaixador em Berlim de volta para Lisboa, que pouco depois faz um golpe de Estado e se torna ditador. Chamava-se Sidónio Pais) este fim &#8220;feliz&#8221; não era seguro de forma alguma pois basicamente em 1916 a Alemanha estava a ganhar a guerra e só quando os EUA entraram no conflito em Abril de 1917 é que a coisa melhorou ligeiramente. Tirando La Lys em Abril de 1918 e que foi um desastre, e a vergonha que foi depois (não havia dinheiro para alimentar as tropas estacionadas em França e para os repatriar) foi uma coisa tépida, ou seja de derrota em derrota, rumo à vitória. Como quem foi para a França morrer era o povão miserável e ignorante de pé descalço, depois fez-se uns monumentozitos e prontamente esqueceu-se todo o assunto, até porque, para além de não haver nada mas derrotas para celebrar, havia coisas mais importantes a resolver, como a autêntica guerra civil que se desenrolou logo após o assassínio de Sidónio e o (onde é que já ouvi isto antes?) completamente delapidado estado das finanças portuguesas.</p>
<p>Não foi o mesmo no Reino Unido. Para além da guerra ter depauperado o que até então tinha sido o maior e mais poderoso império na face da Terra, a guerra aniquilou quase toda uma geração de homens de todas as classes (ao contrário dos portugueses, até os mais nobres britânicos mandavam os seus filhos para a guerra). Os efeitos e o trauma dessa hecatombe humana marcou profundamente a cultura e a psique da sociedade britânica durante décadas, como me lembro está bem detalhado num livrinho escrito por Roland Stromberg que li nos meus tempos de estudante universitário pelintra, chamado &#8220;After Everything: Western Intelectual History since 1945&#8243;. Foi uma mortandade à escala industrial e tanto mais uma surpresa e um choque pois então se achava que, com a industrialização da guerra (uma novidade então) que os conflitos seriam rápidos e cirúrgicos. E com este conflito esfumou-se o conceito da guerra como algo nobre e cavalheiresco que os homens bons da sociedade podiam fazer e assim cobrir-se de glória. Cedo se descobriu nas trincheiras o nojo daquilo tudo &#8211; a mensagem espelhada, por exemplo, na inesquecível obra &#8220;Os três Soldados&#8221; de John dos Passos. Versão americana da Guerra, mas suficientemente explícito do que pensava toda uma geração então.</p>
<p>Pessoalmente, acho que a participação portuguesa na Guerra foi um &#8211; mais um &#8211; estúpido marialvismo de uma elite lisboeta armada em chico-esperta, pois tirando as guerrilhas em Angola e Moçambique, que não valeram um chavo,  o interesse nacional não estava então em causa.</p>
<p>O episódio teve o benefício de ensinar uma importante lição a um jovem aspirante político católico chamado Oliveira Salazar o que não fazer anos mais tarde quando a guerra voltou em 1939. Fugiu dela como o diabo da cruz.</p>
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