Gostava de perceber a analogia entre o Rameau ou entre esta ópera especificamente, e o fim do séc. XX! Mas mesmo sem perceber, gosto muito desta ária e foi um prazer relembrá-la.
“Music is a language by whose means messages are elaborated, that such messages can be understood by the many but sent out only by few, and that it alone among all the languages unites the contradictory character of being at once intelligible and untranslatable – these facts make the creator of music a being like the gods”
Neste link que aqui deixo (por nao saber “postar” de outra forma), onde Bach e Africa se encontram numa homenagem a Albert Schweizer e ao seu trabalho contra a lepra na Africa Ocidental, fica o meu tributo ao mestre:
Li o texto de Roger – Pol Droit enquanto ouvia a tal de diva ao mesmo tempo (presumo era esta a instrução subjacente, “non?”:
“Dans le prétendu fouillis de la pensée des “sauvages”, il met au jour une complexité, une élaboration, un génie inventif qui ne le cède en rien à ceux des soi-disant “civilisés”.
A sogra interrompeu a selecção de cachequóis (? – bem, o plural de cachecol) para o inverno sul-europeu e entrou no quarto a perguntar que música era esta tão bonita que eu estava a ouvir (ela ainda não consegue imaginar que a internet cuspa estas coisas para fora). “É do computador. É música fúnebre” expliquei. “Fúnebre? de alguém que morreu?” “Sim, um antropólogo francês amigo do Sr Dr JPT”. “Ah. A música é mesmo bonita”. Pois.
Escapei-me de explicar o resto. Mas apercebi-me que Lévi-Strauss foi um gigante nos artifícios da antropologia.
Por razões de percurso, eu fui mais da escola de Margaret Mead, que, entre outras coisas, relatou esta profunda constatação “one of the oldest human needs is having someone wonder where you are when you don’t come home at night”. Ah, a domesticidade intelectual americana. C’est pas la même chose, alors.
Sendo eu um professo fã da literatura obituária do The New York Times, aqui deixo a referência de uma biografia mais rebuscada e terrena de Lévi-Strauss, publicada naquele jornal em 4 de Novembro:
[...] não são antropólogos. E até invectivas por não ter aqui escrito algo sobre o autor, apesar da modesta homenagem. Agradeço as condolências. Quanto a escrever sobre o autor quem sou eu?, há muito escrito sobre [...]
9 comments ↓
Só nos resta sermos Polux e manter a constelação bem visível.
“Castor” acabou. Começa a luta pela memória.
Que bela homenagem, JPT.
Obrigado Vera, antropóloga para descodificar. Vi agora que o Bruno do Avatares do Desejo fez uma bonita.
Gostava de perceber a analogia entre o Rameau ou entre esta ópera especificamente, e o fim do séc. XX! Mas mesmo sem perceber, gosto muito desta ária e foi um prazer relembrá-la.
“Apeteceu-me” encerrar o século com a morte do L-S. Que sobre esta ária escreveu daquelas coisas dele, encantadoras (seja lá o que isso for)
Lindo Ze! LS disse sobre a musica:
“Music is a language by whose means messages are elaborated, that such messages can be understood by the many but sent out only by few, and that it alone among all the languages unites the contradictory character of being at once intelligible and untranslatable – these facts make the creator of music a being like the gods”
Neste link que aqui deixo (por nao saber “postar” de outra forma), onde Bach e Africa se encontram numa homenagem a Albert Schweizer e ao seu trabalho contra a lepra na Africa Ocidental, fica o meu tributo ao mestre:
http://www.youtube.com/watch?v=jvK7PST-zTA&feature=related
Li o texto de Roger – Pol Droit enquanto ouvia a tal de diva ao mesmo tempo (presumo era esta a instrução subjacente, “non?”:
“Dans le prétendu fouillis de la pensée des “sauvages”, il met au jour une complexité, une élaboration, un génie inventif qui ne le cède en rien à ceux des soi-disant “civilisés”.
A sogra interrompeu a selecção de cachequóis (? – bem, o plural de cachecol) para o inverno sul-europeu e entrou no quarto a perguntar que música era esta tão bonita que eu estava a ouvir (ela ainda não consegue imaginar que a internet cuspa estas coisas para fora). “É do computador. É música fúnebre” expliquei. “Fúnebre? de alguém que morreu?” “Sim, um antropólogo francês amigo do Sr Dr JPT”. “Ah. A música é mesmo bonita”. Pois.
Escapei-me de explicar o resto. Mas apercebi-me que Lévi-Strauss foi um gigante nos artifícios da antropologia.
Por razões de percurso, eu fui mais da escola de Margaret Mead, que, entre outras coisas, relatou esta profunda constatação “one of the oldest human needs is having someone wonder where you are when you don’t come home at night”. Ah, a domesticidade intelectual americana. C’est pas la même chose, alors.
Sendo eu um professo fã da literatura obituária do The New York Times, aqui deixo a referência de uma biografia mais rebuscada e terrena de Lévi-Strauss, publicada naquele jornal em 4 de Novembro:
http://www.nytimes.com/2009/11/04/world/europe/04levistrauss.html?pagewanted=1&_r=2&hp
[...] não são antropólogos. E até invectivas por não ter aqui escrito algo sobre o autor, apesar da modesta homenagem. Agradeço as condolências. Quanto a escrever sobre o autor quem sou eu?, há muito escrito sobre [...]
obituário em tópicos:
. capricórnio
. câncer
Tristes.
Leave a Comment