(por ABM) Cascais, 28 de Outubro de 2009
Este é o segundo de dois programas que recomendo vivamente que veja.
O contexto é este: a maior parte de nós que assistimos à eleição histórica de Barack Hussein Obama para a presidência dos Estados Unidos da América associa a esse evento duas coisas: a saída de George Bush 2 da cena, uma maior moralização da política externa norte americana, e a promessa de uma saída mais limpa dos exércitos norte-americanos do Médio Oriente. Enquanto isso, a economia americana, dramaticamente nos últimos meses do segundo mandato de Bush, quase entrou em colapso – e com ela o resto do mundo.
Mas há uma muito mais importante história que aqui é escalpada: a do que aconteceu ao défice norte-americano. Como ele cresceu, onde ele está, e com o que é que os EUA e o resto do mundo se confrontam neste momento e no futuro. Isolado, só este tópico vai ser um dos maiores, senão o maior, desafio para Barack Obama – já o é. Ao ponto que, cedo no seu mandato, alguns assistiram com alguma surpresa a um presidente Obama a dizer na televisão que o maior problema de longe dos Estados Unidos era … a questão do sistema de saúde nos EUA.
O sistema de saúde?? então e as guerras, o Irão, Israel, etc?
Este programa indica-nos que, para além das demais prendinhas deixadas por Bush, foi uma quase incompreensível série de medidas de simultaneamente a) aumentar dramaticamente a despesa do governo com duas guerras (Iraque e Afeganistão) e um brutal aumento nas despesas do governo com um plano médico para a terceira idade e b) dois cortes muito significativos nos impostos. O buraco foi sendo pago pela compra de dívida do governo por estrangeiros, de que se destaca a … China (eu se tivesse que inventar isto não conseguia). Ou seja, os norte-americanos devem montanhas e montanhas de deinheiro ao estrangeiro. Por causa disso o mapa financeiro do mundo mudou radicalmente e o valor do dólar oscila como erva ao vento.
Acho que sem se entender esta dinâmica, não se conseguirá entender o que foi que Obama encontrou e com que tem que lidar nestes próximos tempos. Pois antes de ser líder mundial, ele é presidente dos EUA.
Conseguirá Barack Obama aligeirar os efeitos quase devastadores do que Bush fez? como dizem os árabés, inshallah. Ou nós, oxalá.
Este programa, da PBS, foi para o ar em 29 de Março de 2009, mas mantém toda a actualidade. Em inglês, dura 54 minutos. Veja enquanto bebe um cházinho de tília.

4 comments ↓
Sim, bem precisamos de tilia para acalmar os nervos. Estou a gostar destas “licoes” de economia!
Ana
O que eu gostava mesmo era de haver um programa igual para melhor entender o que se passa em Portugal em 2008 e 2009. Seguir as contas em Portugal é quase impossivel, pois tudo sai muito tarde, é prelkiminar e sujeito a alterações. No caso de Moçambique, por exemplo, é relativamente fácil.
E eu que não consigo achar as conta de moçambique…
Sr Beto
Um bom ponto de partida seria acompanhar 1) as divulgações do Banco de Moçambique, que são bastante abrangentes, b) os relatórios do FMI, c) as publicações do grupo de doadores, que analisam as mesmas contas.
A mim faltava apenas obter, atempadamente, os dados mês a mês relativas às receitas fiscais e despesas de governo, ajudava a medir melhor o pulso da evolução da economia e execução orçamental.
Leave a Comment