(Des)Armamento?

(por AL em tom de esperança) –

Finalmente ontem, no que é o culminar de um processo de décadas, 153 países, incluindo os principais produtores de armas, acordaram nas Nações Unidas um calendário para um Arms Trade Treaty, que controle as transferências de armas convencionais. Dezanove países abstiveram-se (Arábia Saudita, Bahrein, Bielorrússia, Qatar, China, Cuba, Egipto, Emirados Árabes Unidos, Iémen, Índia, Irão, Kuwait, Líbia, Nicarágua, Paquistão, Rússia, Sudão, Síria e Venezuela) e um único país – o Zimbabwe (que surpresa!) – votou contra.

Trata-se de uma resolução importante uma vez que quase todos os esforços desenvolvidos até agora no controle de armas a nível mundial têm sido feitos a jusante, colocando o ónus do controle não em quem produz as armas mas sim em quem sofre com a sua proliferação.

Para os leitores da maschamba terem uma ideia da dimensão do problema, vou somente referir que as exportações legais de armas ligeiras ronda os 5 biliões de dólares (biliões americanos que são milhões de milhão) e o mercado ilegal das mesmas se situa entre os 2 e 10 biliões de dólares. Calcula-se ainda que existam 875 milhões de armas ligeiras a nível mundial e que as armas causam mais de 300.000 mortes e de 1 milhão de feridos por ano.

Aqui fica agora um pouco de advocacia e não vos vou incomodar mais com este assunto que tão perto fica do meu coração. Contra os canhões lutar, lutar!

2 comments ↓

#1 ABM on 12.05.09 at 12:45


Sra Baronesa

Para além do vídeo dar quase um ar poético ao efeito dilacerante de uma bala (o melão deixou-me de boca aberta), creio qeu aqui estamos a falar de armas ligeiras apenas, não? pois 5 biliões de dólares deve ser menos que o custo mensal do comércio de armamento em geral. Só um míssil custa milhões, um avião de combate a jacto custa centenas de milhões, e isto sem falar de navios, submarinos e tanques.

Além disso, sendo assuntos de “estado”, uma parte substancial das vendas de armas não aparece em qualquer registo. Lá de vez em quando descobre-se um avião ou um navio atulhado de armas e ninguém sabia o que estava ali.

É um negócio muito secreto e subterrâneo. Veja-se a sujeira na França com o “Angolagate”…

#2 AL on 12.05.09 at 16:59


Sim estamos a falar de armas ligeiras mas tambem estamos a falar do comercio extra-governamental, ou seja, aquele que e realizado por agentes privados e nao por e entre governos.
Ja agora, para informacao, mesmo as armas transaccionadas pelos estados deixam registos: nas saidas de fabrica e na travessia de fronteiras.

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