Os árbitros roubam mas a equipa ajuda

Post para alguns dos meus amigos que por aqui passam: 

Portugal. Vinte e tal anos. Há década e meia foi publicado o “Golpe de Estádio“, de Marinho Neves. Má prosa, má onda. Mas a trafulhice abordada só pecava por defeito. Vinte e tal anos de falsificações de apostas desportivas, de pressões, aldrabices, de guardas abeis e de carlos pinhões agredidos. De influências políticas, de construtores e afins, negócios e regionalizações. Vinte e tal anos. Mais calmos, mais senhoriais nos últimos anos. Mas arrogantes na mesma, desonestos na mesma, uma arrogância que passaram aos que os apoiam, ilustres jornalistas, romancistas, poetas, quadros, políticos, amigos, sempre no sorriso do “os árbitros roubam mas a equipa ajuda“. Como se por ser futebol pudessem por parênteses na honestidade pessoal, como se o futebol seja o biombo para mostrarem o lixo de gente que depois fingem não ser, num torpe não-sentido “é só futebol”. Deve ser o futebol uma escola de virtudes? Não! Mas por que há-de ser um escarrador? Vinte anos com Guterres ainda recém-chegado, homem nunca da bola, na praça do município a comemorar o bicampeonato, a mostrar-se o que era. Vinte anos com Loureiro do PSD a visitar o S. Bento de Guterres do PS com as criancinhas de Gondomar. Vinte anos de política, negócios e bola, esta na qual “os árbitros roubam mas a equipa ajuda“. E, já agora, sempre com a desculpa do Inocêncio Calabote na ponta da língua, quando a conversa se espraia.

Vinte anos que vão continuar. Mas sabe bem ver essa escumalha zangada com a UEFA. E já lá vem o nacionalismo, que devem ser tratados como os outros ladrões, amnistiados entenda-se. É exactamente por serem portugueses, é exactamente por patriotismo, que tanto sabe bem. Que com o mal dos outros posso eu bem. Com o mal nosso é que custa, com a escumalha nossa é que custa. Não a escumalha que ganha dinheiro com isto. Sim a escumalha adepta, bloguista, do convívio, até amiga, essa do riso alvar, do sorriso mariola, do “os árbitros roubam mas a equipa ajuda“.

És tu, meu(s) amigo(s)? Lembras-te de me teres dito isso? Lembras-te da minha irritação? Lembras-te de quando se fala das redes que tudo isto aguentou me dizeres “bem, isso é outra coisa“, e depois até concordares, nem que fosse para me calar? Lembras-te disso, lembras-te de seres tão português? É de ti que falo quando digo “escumalha”. E até de mim, pois mesmo assim teu amigo, até abrindo-te a porta da casa (ainda que trancando as pratas, digo-te agora, que num batoteiro não se confia totalmente). Mas apesar de tudo não tão podre como tu. Porque se “os árbitros roubam a equipa que se foda”. Coisa que tu nunca hás-de compreender. Porque és uma merda. Um “árbitro” em potência.

Por isso é tão porreiro hoje estares chateado. Com a UEFA. Ainda que daqui uns dias tudo volte a estar bem. Para ti. Para os “árbitros”.

6 comments ↓

#1 umBhalane on 06.05.08 at 9:57

GOOOOOOLOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!

#2 Bayano Valy on 06.05.08 at 15:42

caro jpt,
esta lembra-me àquela dos británicos quando da invasão ao iraque: “é um fdp mas é nosso fdp” por isso não se intrometam. por uma questão de justiça desportiva e não só, temos que saber separar o trigo do joio. quando a verdade desportiva é violada não podemos nos dar ao luxo de partir num cruzeiro de emoções. o que se deve fazer é deixar que as coisas tomem o seu rumo. alguém apelou (resta-lhe apenas este recurso) e vamos logo saber do resultado. o resto são cantigas.

cá entre nós, gostaria que se fizesse uma investigação séria em volta das “vitórias” estranhas da liga muçulmana, para começar.

quando na itália a justiça descobriu que a juve participava num esquema para ganhar jogos demitiu o clube de divisão. acho que em portugal a justiça é branda demais.

#3 filho on 06.05.08 at 17:22

dureza…

#4 bill on 06.06.08 at 3:19

Na adversidade é que se conhecem os amigos.

#5 josé palmeiro on 06.06.08 at 23:51

Assino por baixo.
Gostava de ter sido eu o autor deste escrito, tão certeiro.
Obrigado, JPT.

#6 jpt on 06.07.08 at 10:29

B.V. também concordo que a justiça portuguesa é muito branda para com os possidentes. Esse é um problema social grave. E, nesse rio, o corpo de interesses que tem habitado a entidade “futebol clube de porto” foi, durante décadas, inimputável. Com o radical apoio de milhões de adeptos, que intervalam a sua cidadania quando “o esférico rola no relvado” e, depois, se esquecem de a ligar outra vez após os 90 minutos terminados. A partir daí foi um fartar vilanagem, um faltar à verdade pública (e a desportiva é apenas uma minudência)

Filho, dureza é a roubalheira. Tudo o que se diga da cáfila adepta é pouco

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