Ontem Mourinho foi destroçado por Prado Coelho no Público. E bem. A personagem é tão má como parece. Fiquei enjoado ao vê-lo numa conferência de imprensa da semana passada, a propósito do folhetim da camisa rasgada (”Lisboa em camisa”, versão multimédia, sec. XXI). Com o ar iluminado que lhe é característico recordava os adeptos do seu actual clube de tudo o que tinha conseguido desde que tinha chegado ao Porto, o qual tinha encontrado numa péssima situação “devido à incompetência de um profissional” (cito de memória, mas decerto que muito aproximado) - mais do que presumivelmente falando do seu antecessor.
Se calhar vou já velho: sou do tempo de (e vai de memória) Damas, Manaca, Bastos, Alhinho, Da Costa (ou Carlos Pereira); Vagner, Nelson, Baltazar; Marinho, Yazalde, Dinis [Dé, Chico Faria, opções habituais]. E já então lendo a Bola, aquela dos grandes Carlos Pinhão, A. Farinha, C. Miranda, V. Santos, H. Serpa, etc. - essa Bola que faleceu nos inícios de 90 acho eu, e da qual os mais novos apenas conhecem um clone clubístico e acomodado.
Estas memórias surgem para reforçar isto: em trinta anos de acompanhar a bola nunca tinha visto/lido um treinador tão desleal para com os seus colegas. Tão merdas. Inacreditável. Nojento.
Regresso ao Público. Pois EPC termina comparando o treinador ao juiz Teixeira. Dando a sensação que tinha escolhido o assunto, para ele tão excêntrico, apenas para ilustrar a pancada que queria dar ao magistrado.
Por mais buracos em que este se tenha metido, por mais asneiras que tenha cometido, parece-me completamente abusivo. Demagógico (tipo “vou meter o futebol para para chegar a um assunto a que o povo está atento”). Demagógico também porque em campanha. Terrorista até. Digno do próprio Mourinho.
(Já agora algo que estranhei desde o início desse caso casapiano: os perfis do juiz sempre apontavam, elogiosos, para a sua capacidade de trabalho, para nunca deixar os processos atrasar. Louvável. Mas assustadora e descentrada como causa de boa imagem. É que os juizes estão lá para ajuizar bem, não para ajuizar muito. Sintomático da confusão de valores a que se chegou. Tão sintomático como dizer mal dos antecessores, mesmo que nada tenham a ver com os assuntos em causa)

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