Ao lado da “Patisserie Versailles” há um Fotógrafo com estúdio aberto. Passo por lá frequentemente, a caminho do café de saco da pastelaria, único lugar onde tomo essa variante, aliás. Digamos que são hábitos antigos. Os “Estúdios Luís Soares” vão mostrando ao passante o seu trabalho que vai variando do retrato de infantes asseados com as roupas finas de Domingo, à noiva em pose relativamente estudada e iluminação adequada à circunstância, ou retratados de porte altivo ou com ar vagamente pensativo. Enfim, normalmente se tratam estes fotógrafos com algum desdém,mas aqui lhes presto devida vénia pela paciência e criatividade. Fazer do feio bonito não é tarefa de somenos.
Voltemos à rua e à montra que anuncia os “Estúdios Luís Soares”.
Devidamente emoldurada, uma foto daquilo que à 1ª vista podia ser confundido com um padrão dos descobrimentos e que, afinal, é tão somente, a imagem de uma espécie de obelisco com um galináceo no cimo. Ao lado, e igualmente emoldurado, um texto explicativo para tão bizarra imagem. Segue na íntegra.
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Historial sobre o Monumento à Galinha
Algures no norte de Moçambique, na província de Tete, a poucos quilómetros de Furacungo, capital da Região da Mucanga, onde começa um planalto que entra pela Zâmbia e o Malawi, foi construído, em pleno mato, longe de qualquer aldeia indígena, um monumento em honra das galinhas.
Esta homenagem deve-se ao facto, aliás verídico, do pessoal dos Caminhos de Ferro de Moçambique, que ao chegar a esse local para aí fazer os estudos e prospecções necessários que levariam os caminhos de ferro à Zâmbia, a única coisa que encontraram para se sustentar foram as galinhas.
E, assim, esta empresa mandou o seu pessoal pelas aldeias da região com a finalidade de comprarem todas as galinhas, bem como trazerem as que encontravam no mato, para poderem se sustentar.
Foi de tal maneira a quantidade consumida que decidiram reunir todos os ossos dos galináceos, amassá-los com cimento, e erigir um monumento como gratidão às galinhas que os ajudaram a sobreviver.
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Ao mesmo tempo que agradeço a involuntária contribuição aos “Estúdios Luís Soares”, peço desculpa pela péssima qualidade da imagem obtida com a câmara manhosa do telefone.
Vosso
mvf


6 comments ↓
Fantástico!
Fantabuloso MVF! Sera que ainda la esta?
Estava há pouco tempo, A. Nos próximos dias passo por lá, vejo e aviso.
Hei-de la passar, que e’ aqui perto de casa. Mas interrogo-me tambem se estara ainda em Tete. Comeco aqui a descortinar um itinerario interessante para uma viagem
Para mim já fica um bocadinho fora de mão… Não tinha percebido o alcance da pergunta
AL: dou-te inteira razão! se se planeiam itinerários com piónaises em lodges ou em restaurantes, porque não um bem vivaço nesta memória bem humorada?
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