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	<title>Comentários em: Exposição &#8220;Vai Fazer Bom Preço&#8221;</title>
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	<description>"...cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio..." (R. Nassar)</description>
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		<title>Por: Eduardo de Paula Barreto</title>
		<link>http://ma-schamba.com/fotografia-mocambique/exposicao-vai-fazer-bom-preco/comment-page-1/#comment-2215</link>
		<dc:creator>Eduardo de Paula Barreto</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Mar 2008 20:50:03 +0000</pubDate>
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		<description>FOLHAS SECAS DE OUTONO

Caiam folhas secas de outono
Sobre a terra avermelhada,
E no mais repousante sono,
Num mundo livre, sem dono,
Suspirava a moça apaixonada.

Ela viu chegar um lindo cavaleiro
Montado num cavalo branco,
Ele a arrebatou por inteiro
E sobre o animal faceiro
Saíram a passear pelo campo.

Milhares de pássaros entoavam canções,
Os jardins estavam floridos e perfumados,
Não existiam as quatro estações,
E ela sentiu muitas palpitações
Quando percebeu que o cavalo era alado.

Lá do alto ela via as serras
E as nuvens que as cobriam,
Via também escorrendo pela terra,
Alimentando as plantas e as feras,
As águas que nos rios corriam.

E ao pousar sobre uma colina
Nos braços ele a tomou,
E olhando para cima
Viu-se refletida na retina
Do homem que a conquistou.

E ela não resistiu aos encantos
E se deixou beijar pelo amante tão hábil,
Mas acordou em prantos
Ao perceber que foi o vento brando
Que jogou folhas secas sobre os seus lábios.

Eduardo de Paula Barreto</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>	<script type="text/javascript" src="http://ma-schamba.com/wp-content/plugins/encodingcom-wordpress-plugin/swfobject.js"></script><br />
	FOLHAS SECAS DE OUTONO</p>
<p>Caiam folhas secas de outono<br />
Sobre a terra avermelhada,<br />
E no mais repousante sono,<br />
Num mundo livre, sem dono,<br />
Suspirava a moça apaixonada.</p>
<p>Ela viu chegar um lindo cavaleiro<br />
Montado num cavalo branco,<br />
Ele a arrebatou por inteiro<br />
E sobre o animal faceiro<br />
Saíram a passear pelo campo.</p>
<p>Milhares de pássaros entoavam canções,<br />
Os jardins estavam floridos e perfumados,<br />
Não existiam as quatro estações,<br />
E ela sentiu muitas palpitações<br />
Quando percebeu que o cavalo era alado.</p>
<p>Lá do alto ela via as serras<br />
E as nuvens que as cobriam,<br />
Via também escorrendo pela terra,<br />
Alimentando as plantas e as feras,<br />
As águas que nos rios corriam.</p>
<p>E ao pousar sobre uma colina<br />
Nos braços ele a tomou,<br />
E olhando para cima<br />
Viu-se refletida na retina<br />
Do homem que a conquistou.</p>
<p>E ela não resistiu aos encantos<br />
E se deixou beijar pelo amante tão hábil,<br />
Mas acordou em prantos<br />
Ao perceber que foi o vento brando<br />
Que jogou folhas secas sobre os seus lábios.</p>
<p>Eduardo de Paula Barreto</p>
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		<title>Por: jpt</title>
		<link>http://ma-schamba.com/fotografia-mocambique/exposicao-vai-fazer-bom-preco/comment-page-1/#comment-1985</link>
		<dc:creator>jpt</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Feb 2008 00:55:24 +0000</pubDate>
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		<description>1. Mouche. Tem V. muita razão no que aqui escreve - e a culpa disso (?!) está no texto que aqui meti, curto, apressado, cheio de flancos dados. O argumento precisaria de muito mais espaço, argumentos (e exemplos?), para ter menos flanco dado - da justeza dos argumentos já será outra coisa.

2. Ainda assim há algumas coisas que aponta que estão matizadas no texto: &quot;um olhar etnográfico, se se quiser&quot; quer (toscamente?) aludir a que não é exactamente de um projecto etnográfico que se trata, mas que com boa vontade se poderá dialogar nesse âmbito; &quot;A ver se despem um pouco o seu ver.&quot; significa que esses que querem ou representam o real o podem fazer um pouco mais libertos, mas nunca nus (eu não me referia apenas a académicos, atenção. Mas gostava que colegas e alunos aqui fossem visitar ...). 

Eu não disse que o fotógrafo despia o real, o que eu disse (ou quis dizer) é que na aparente simplicidade do apresentado (e a aparência da simplicidade pode ser muito complexa - pode, mas às vezes é mesmo só coisa de simplório) outros poderiam despir um pouco o seu olhar sobre o real.

Uma coisa que talvez não esteja sublinhado o suficiente no meu textito: o que muito me agrada na exposição - e que não está nas reproduções porque o material de suporte não o comporta - é que os vendedores são nomeados um a um (nome e local de trabalho; idade? não estou certo). É isso que significo na quebra do anonimato - estou um bocado farto do retrato nomeado de quem é nomeável e do anónimo de quem não é nomeável (o &quot;popular&quot; de hoje, o representante de &quot;tribo&quot;/&quot;etnia&quot;/&quot;classe&quot;/&quot;religião&quot;/&quot;etc.&quot; de antes - a &quot;beleza macua&quot;, o &quot;guarda suiço&quot;). Um folclorismo e um elitismo conjugados - é a negação diss que gostei de captar. Agui entre nós, algo até revolucionário (não o digo absolutamente inédito, mas será raro) - por exemplo encontra-se uma fotografia de Dilon Djindji e depois de um &quot;timbileiro de Zavala&quot;; já reparou que um Sebastião Salgado, vero guru, não nomeia os seus simbolos, homens e mulheres que porque populares ou pobres se des-nomeiam?

A discussão estética seria mais demorada. Concordo consigo que todos os olhares/formas podem ser inteligentes/des-anonimizadores, etc. Ali apenas transpira o meu cansaço com o poemário habitual, exótico, as loas &quot;às cores, sabores e sons de àfrica&quot;, a tralha sentimentalona que é tão recorrente em quem chega aspirando-se a esteta. Digamos que a minha canelada não era ao(s) estilo(s) mas sim à(s) prática(s) corrente(s) - também ela exoticizadora, donde produtora de desconhecimento. E muito altaneira.

Em suma, obrigado pelo carolo. Volte sempre. Em especial assim ...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>	<script type="text/javascript" src="http://ma-schamba.com/wp-content/plugins/encodingcom-wordpress-plugin/swfobject.js"></script><br />
	1. Mouche. Tem V. muita razão no que aqui escreve &#8211; e a culpa disso (?!) está no texto que aqui meti, curto, apressado, cheio de flancos dados. O argumento precisaria de muito mais espaço, argumentos (e exemplos?), para ter menos flanco dado &#8211; da justeza dos argumentos já será outra coisa.</p>
<p>2. Ainda assim há algumas coisas que aponta que estão matizadas no texto: &#8220;um olhar etnográfico, se se quiser&#8221; quer (toscamente?) aludir a que não é exactamente de um projecto etnográfico que se trata, mas que com boa vontade se poderá dialogar nesse âmbito; &#8220;A ver se despem um pouco o seu ver.&#8221; significa que esses que querem ou representam o real o podem fazer um pouco mais libertos, mas nunca nus (eu não me referia apenas a académicos, atenção. Mas gostava que colegas e alunos aqui fossem visitar &#8230;). </p>
<p>Eu não disse que o fotógrafo despia o real, o que eu disse (ou quis dizer) é que na aparente simplicidade do apresentado (e a aparência da simplicidade pode ser muito complexa &#8211; pode, mas às vezes é mesmo só coisa de simplório) outros poderiam despir um pouco o seu olhar sobre o real.</p>
<p>Uma coisa que talvez não esteja sublinhado o suficiente no meu textito: o que muito me agrada na exposição &#8211; e que não está nas reproduções porque o material de suporte não o comporta &#8211; é que os vendedores são nomeados um a um (nome e local de trabalho; idade? não estou certo). É isso que significo na quebra do anonimato &#8211; estou um bocado farto do retrato nomeado de quem é nomeável e do anónimo de quem não é nomeável (o &#8220;popular&#8221; de hoje, o representante de &#8220;tribo&#8221;/&#8221;etnia&#8221;/&#8221;classe&#8221;/&#8221;religião&#8221;/&#8221;etc.&#8221; de antes &#8211; a &#8220;beleza macua&#8221;, o &#8220;guarda suiço&#8221;). Um folclorismo e um elitismo conjugados &#8211; é a negação diss que gostei de captar. Agui entre nós, algo até revolucionário (não o digo absolutamente inédito, mas será raro) &#8211; por exemplo encontra-se uma fotografia de Dilon Djindji e depois de um &#8220;timbileiro de Zavala&#8221;; já reparou que um Sebastião Salgado, vero guru, não nomeia os seus simbolos, homens e mulheres que porque populares ou pobres se des-nomeiam?</p>
<p>A discussão estética seria mais demorada. Concordo consigo que todos os olhares/formas podem ser inteligentes/des-anonimizadores, etc. Ali apenas transpira o meu cansaço com o poemário habitual, exótico, as loas &#8220;às cores, sabores e sons de àfrica&#8221;, a tralha sentimentalona que é tão recorrente em quem chega aspirando-se a esteta. Digamos que a minha canelada não era ao(s) estilo(s) mas sim à(s) prática(s) corrente(s) &#8211; também ela exoticizadora, donde produtora de desconhecimento. E muito altaneira.</p>
<p>Em suma, obrigado pelo carolo. Volte sempre. Em especial assim &#8230;</p>
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	<item>
		<title>Por: João Feijó</title>
		<link>http://ma-schamba.com/fotografia-mocambique/exposicao-vai-fazer-bom-preco/comment-page-1/#comment-1983</link>
		<dc:creator>João Feijó</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Feb 2008 00:28:26 +0000</pubDate>
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		<description>Apesar de as fotos não fazerem muito o meu género, a exposição até me parece interessante. Mas discordo consigo em alguns aspectos. O JPT considera que um olhar etnográfico, ou pelo menos o olhar etnográfico de Pedro Sá da Bandeira (artisticamente não empacotado) constitui um combate ao anomimato social de uma classe ostracizada e estigmatizada. As ditas fotos “exóticas” não podem ter a mesma função? Um olhar poético e surreal não pode chamar a atenção, de comunidades nacionais e internacionais, para uma determinada questão social, retirando populações do anonimato? Um olhar poético não pode retratar as pessoas com respeito e dignidade e constituir até uma poderosa arma de intervenção política e social?
Porque é que um olhar cara-a-cara, aparentemente despido, “nada exótico ou exotizante” e sem subterfúgios “poetizadores” é inteligente? Porque motivo uma foto em contra-luz, tirada com uma lente grande angular de um ângulo pouco peculiar de um vendedor num mercado informal africano (será isso exótico e poetizador?) não é inteligente? Escolher um plano “poetizador” (portanto não cara-a-cara) retira inteligência à fotografia? Afinal quais são os critérios para uma fotografia “inteligente”? 
Porque dirige o convite para visitar a exposição particularmente àqueles que têm “a ideia de representar (até analiticamente) a gente que faz o real”? Os que fazem um retrato etnográfico não terão também uma forma académica de representar (até analiticamente) a gente que faz o real? A “objectividade” fotográfica não constitui também um paradigma para vestir o Real?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>	<script type="text/javascript" src="http://ma-schamba.com/wp-content/plugins/encodingcom-wordpress-plugin/swfobject.js"></script><br />
	Apesar de as fotos não fazerem muito o meu género, a exposição até me parece interessante. Mas discordo consigo em alguns aspectos. O JPT considera que um olhar etnográfico, ou pelo menos o olhar etnográfico de Pedro Sá da Bandeira (artisticamente não empacotado) constitui um combate ao anomimato social de uma classe ostracizada e estigmatizada. As ditas fotos “exóticas” não podem ter a mesma função? Um olhar poético e surreal não pode chamar a atenção, de comunidades nacionais e internacionais, para uma determinada questão social, retirando populações do anonimato? Um olhar poético não pode retratar as pessoas com respeito e dignidade e constituir até uma poderosa arma de intervenção política e social?<br />
Porque é que um olhar cara-a-cara, aparentemente despido, “nada exótico ou exotizante” e sem subterfúgios “poetizadores” é inteligente? Porque motivo uma foto em contra-luz, tirada com uma lente grande angular de um ângulo pouco peculiar de um vendedor num mercado informal africano (será isso exótico e poetizador?) não é inteligente? Escolher um plano “poetizador” (portanto não cara-a-cara) retira inteligência à fotografia? Afinal quais são os critérios para uma fotografia “inteligente”?<br />
Porque dirige o convite para visitar a exposição particularmente àqueles que têm “a ideia de representar (até analiticamente) a gente que faz o real”? Os que fazem um retrato etnográfico não terão também uma forma académica de representar (até analiticamente) a gente que faz o real? A “objectividade” fotográfica não constitui também um paradigma para vestir o Real?</p>
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