Buttiglione ainda

No meu blogoPortugal continua-se a discutir o caso de Buttiglione, o ex-futuro-comissário europeu. Em particular no sempre activo Blasfémias.
Sobre este caso lamento-me. Ainda que apenas neste modesto blog coloquei uma pergunta à qual nenhum dos visitantes entendeu patrocinar resposta: “Se as mães solteiras são más mães (ou “menos boas”) isso aplicar-se-á às viúvas?”. Será desta que algum apoiante do ex-candidato poderá elucidar?
Terá sido legítimo o seu afastamento? Confesso que formalmente me agrada a questão que colocam: pode um católico exercer cargos políticos sendo católico? É que Buttiglione defendeu-se muito bem, com extrema elegância [e ironia, benção do(s) deus(es)]. E diante dos seus apurados argumentos torna-se difícil deixar de lhe dar razão.
A não ser que se pense como CAA, o qual, vero Blasfemo nega essa hipótese, implicando tais crentes de fundamentalistas.
Eu ateu (e nisso fundamentalista) assusto-me. Pois lendo CAA et al parece que alguns querem fazer do ateísmo a religião oficial do Estado. Mau, este é laico, não ateu. [Sobre isto há meses pus para aí uns “A Fala do Ateu I e II”, mas o motor de busca está (sempre) inacessível, pelo que não há auto-link]
Rodrigo Moita de Deus de imediato se revolta, convocando católicos que separaram religião da política, citando entre outros Guterres. Isto é um terreno difícil, porque muito dificilmente avaliável, não é algo só formal. Mas enfim. Aceite-se que houve distinção. Mas Guterres, Rodrigo Moita de Deus? Um homem que sendo primeiro-ministro da minha República ajoelhou diante do Papa? Estamos todos a brincar? Devemos estar pois isso passou incólume.
E já nem falo da trapalhada missão de cooperação a Timor, sob orientação do padre Melícias. Que de cooperação sabia nada. Mas aqui calo-me, que sendo cooperante e mudando os ventos de Lisboa ainda me faltará para o leite da miúda…que religiosos serão, mas pecadores exímios. E dos grandes.
Adenda: numa agitadissima caixa de comentários CAA nega essa deriva ateísta. E com fundamento. Ok, fico-me apenas com a impressão que a tecla lhe correu grossa.

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