Exorcismo

Já o disse, Valdir Peres visitou-me. E, decerto que agradado com mesa e conversa, ficou. Está aí no quarto dos hóspedes. Educado aceitei a estadia. Prometeu (avisou, melhor dizendo) que partirá amanhã. Rumo a Joanesburgo.
Quando ele se ausenta, pouco tempo que estou de cicerone, fico no futebol. Resmungando-lhe o patrício Scolari. Sobre este tudo está dito. Não acompanhou os jogos nem os treinos - Mourinho foi implacável no seu uso da verdade. O Scolari ridículo ao dizer que não conhecia os jogadores. O homem foi relapso ao trabalho. Foi preconceituoso, ainda que o pobre uso da língua por parte dos jornalistas o diga “teimoso”.
Sobre ele tudo está sistematizado n’A Praia onde se conclui, certeiramente “É pois Scolari o cretino fundamental. Oxalá o seu papel nos próximos jogos seja o de contar sempre cada vez menos”.
De todos os preconceitos preguiçosos de Scolari o público se apercebeu. E contra eles se rebelou. Agora, até já brilhando pelas vitórias e pela mediocridade dos meros assessores de imagem em que se transformaram a maioria dos jornalistas desportivos, Scolari tem a equipa que o povo exigiu. Ainda não joga exactamente como o povo quer (como bem diz Mourinho). Mas mais um joguinho ou dois e vai lá.
O único recuo que o homem não faz é o impossível. Baía não está (bem, Meira também devia estar, mas isso só virá à baila em caso de duplo impedimento de centrais, vade retro). Porque o caso deles são exactamente iguais: sobre Baía e sobre os outros jogadores quem tinha razão éramos todos nós, não o seleccionador, arrotando a sua arrogante prebenda.
Imune à preguiça de Scolari, Valdir Peres continua por cá. A comer-me o caranguejo e o camarão, sorrindo, mais para o calado. A ver se se vai embora amanhã. Cabisbaixo.
Mas até agora as pedras nada dizem.

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