O diário norte-americano “The New York Times” defende hoje, em editorial, que o Presidente George W. Bush deveria “pedir desculpas” por ter justificado a guerra contra o Iraque com base na alegada ligação entre o regime de Saddam Hussein e a rede terrorista Al-Qaeda — desmentida ontem pela comissão independente que investiga os atentados do 11 de Setembro.
Sustentando que a comissão foi “o mais clara possível”, ao afirmar que “nunca houve provas da existência de ligações entre o Iraque e a Al-Qaeda, entre Saddam Hussein e o 11 de Setembro”, o influente diário nova-iorquino afirma que “o Presidente Bush deve agora pedir desculpas ao povo americano, que foi levado a acreditar numa coisa diferente”.
O diário sustenta que, “de todas as formas usadas por Bush para convencer os americanos a apoiar a invasão do Iraque”, “a mais desonesta” foi a de ligar a guerra com a luta contra o terrorismo internacional. “Se é possível que Bush e os seus colaboradores acreditassem realmente na existência de armas químicas, biológicas e nucleares no Iraque, sabiam durante todo esse tempo que não existiam ligações entre o Iraque e a Al-Qaeda”, sustenta o jornal.
“Nenhum perito sério acreditava que essa ligação existisse”, lê-se no editorial, recordando que Richard Clarke, antigo conselheiro do Presidente para as questões do contraterrorismo, afirmou publicamente que Bush tinha sido informado disso.
“Mesmo assim, a Administração Bush convenceu uma maioria significativa de americanos, antes da guerra, de que Saddam Hussein estava, de alguma forma, ligado ao 11 de Setembro”, critica o jornal, lamentando que ainda esta semana, o vice-presidente, Dick Cheney, tenha afirmado que o ex-Presidente iraquiano “tinha laços estabelecidos há longo tempo com a Al-Qaeda”.
Para o diário nova-iorquino, não se trata apenas de “uma questão de diminuição da credibilidade do Presidente, por mais perturbante que isso seja”. O jornal vai mais longe e afirma que “a guerra contra o terrorismo foi prejudicada, na medida em que o conflito no Iraque desviou recursos militares e estratégicos de locais como o Afeganistão, onde realmente podem estar as forças da Al-Qaeda”.

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