Mozal sine die
Lê-se, com alívio, “A multinacional de alumínios Mozal, de Moçambique, anuncia o adiamento da emissão directa de gases para a atmosfera, por tempo indeterminado, apesar de iniciar segunda-feira a reabilitação dos centros de tratamento de fumos.” O “bypass”, envio directo para a atmosfera dos gases desta indústria de alumínio, foi adiado, até ver. O “bypass”, essa “licença para matar”, como lhe chamou a estrela emergente do jornalismo moçambicano, Jeremias Langa? Ou o “bypass” impoluente, como afirmam os meus colegas do departamento de Física da UEM? Quero acreditar nestes últimos. Mas cada vez que penso nisso neles descreio, o peso dos temores, porventura.
Assim saúdo este adiamento. Com alívio, porventura primitivamente pré-científico. Mas também crente de que se esta Mozal fosse nos arredores de Joanesburgo seria mais difícil o “bypass”. E muito mais se fosse nos arredores de Tóquio, onde se diz que habita parte do seu capital. Ou mesmo se fosse nos arredores de Berlim, onde se diz que habita parte substancial do seu capital.
No fundo, bem lá no fundo, o que aqui se nota é a perspectiva de que o desenvolvimento dos países subdesenvolvidos tem que passar pelas mesmas loucuras ecológicas, desrespeitadoras, do que os desenvolvimentos anteriores. E sociais. Entenda-se, pela sobreexploração do meio ambiente e das populações. Ou seja, a concepção de que o desenvolvimento dos países subdesenvolvidos na actualidade implica rebentar com tudo.
Mas, e contrariamente aos processos históricos de desenvolvimento anterior, vivemos com uma riqueza social, tecnológica e científica bem mais abundante. É possível que já não seja preciso tamanha omniavidez. Porventura será algo mais caro. É esse o problema. “Físico” não é, com toda a certeza.
jpt





É o Malawi, JPT…
Precisamente. Aguardemos pelos desenvolvimentos do dossier Malawi (Nsanje Inland Port) e logo perceberemos se nao foram mais uns foguetes para o ar…
Mesmo porque, ate Clausewitz nos adverte que abrir duas frentes de combate em simultaneo e uma decisao de alto risco.
Dixit
P.S.
E ja agora, esta a par dos riscos de contaminacao em Chicamba (Manica) por causa do mercurio usado no garimpo de ouro aluvionar?
Em Chicamba, estão envolvidos Zimbabweanos, Guineenses, Nigerianos e Libaneses. A soberania não está em jogo.
Caríssimos
“Estou reclamado” como exclamou o sr La pe, um indigena, um indio, um autoctone, um habitante algures lá pelo meio da província do Zambeze e quase na linha divisória com a de Nampula, no seu “habitat” no meio do nada, ou seja, na sua cubata no meio do mato, mas mato mesmo, aquele que à volta fica tudo negro e só vem luz do céu,quando nos viu aos dois chegar perto vindo daquela escuridão, ele olhou, “exclamou” e continuou a comer a carne com osso que tinha numa das mãos, cada bocado de osso que ia partindo, roía-lhe a carne e atirava com eles para trás das costas e a unica coisa que ali mexia, naquela escuridão toda, eram as sombras dos cães a tentarem apanhar o osso que lhes havia sido deitado! Aquele senhor, levantou-se, cumprimentou-nos e ofereceu-nos arroz e o que restava da carne que tinha, bebia na altura, aguardente de mapira e estava já muito mais para lá do céu do que para o que da escuridão pudesse aparecer! Um igual,tranquilo e ali encontrado, nunca perdido! Ali dormimos nas suas esteiras e de manhã lavámo-nos à macua, ponche de madeira fundo e zumba pela cabeça abaixo, ofereceu-nos da sua raiz para os dentes lavarmos, comemos pão de forno molhado no molho de picante da carne do dia anterior! Bebemos água pelo vaso, apertámos a mão e despedimo-nos, seguimos nosso caminho pelo mato a dentro à boleia desde Nauela, Gurué, Ile, até à nossa cidade , a Beira! Chegámos saudáveis e quanto de felicidade trazíamos dentro de nós! O que aqui acabo de ler e nada entender, pois não lhe segui os passos,os do “capital” como os meus amigos fizeram e bem, pois uma visão política/humana ampliada a essa graduação não é de invejar mas sim vizualizar! Ecologia em África ainda com “Bypasses” desses, até os cães que andam na escuridão procurando alimento, não serão poupados, quanto mais, áreas, regiões ou matos sem designação territorial, esses serão a cobiça alheia secullorum do resto do mundo, da terra, disso tenho eu a certeza, não precisei estudar, bastou aqui constatar por quem estudou e agora começou a denunciar, amigos, essa “guerra” vai para além da dos 100 anos!A COBIÇA GLOBAL já se mostrou!Daí a ser físico sim senhor! Me perdoem, mas, so tinha isto para comentar pois também ampliei o meu passado e a terra que ali existe, aquele espaço todo ao dispor, que interessa o que está por baixo dela, isso já há lá muitos, o que lhes resta? POLUIR É (= PARA ELES A CIVILIZACIONAR)onde irá aquela Paz parar? r.c.
RRC li atentamente a fundamentação empírica da sua posição e posso constatar, com toda a certeza, das razões que o levam a “não entender” algo, como a linhas tantas refere no seu comentário. Trata-se do momento em que refere o épico “Bebemos água pelo vaso”. Erro letal, como saberá qualquer inexperiente nas coisas das andanças (um mero infante face a veterano como V., RRC), que leva às entre-diarreias e delírios, nada aconselháveis a quem procura vislumbrar algo do real. “Físico” ou “meta”. Que isto da caganeira vinda da água dá a todos, aos materialistas e aos idealistas.
Cumprimentos (e pastilhas para a água, já agora)