We Wish You a Merry Christmas

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por ABM (Cascais, 24 de Novembro de 2009)

Devido à minha digressão norte-americana, para mim o calendário natalício só começa realmente depois do feriado americano do Thanksgiving, que é na última semana de Novembro. Do que me lembro lá, só depois desse dia é que de repente se começam a ver decorações de Natal um pouco por toda a parte e ouvir We wish you a merry Christmas encanados pelos sistemas de som  nos corredores dos centros comerciais.

Mas este ano em Portugal não é assim. Há pelo menos duas semanas que, para quem andar nas ruas e nas lojas já vê árvores e outras decorações de Natal e ouve aquela música empacotada de Natal.

Confesso que sou do tipo que gosto de dar prendas mas não de ocasião. Ter que andar a magicar que outra bugiganga posso embrulhar e dar a alguém pelo Natal é quase uma tortura, pois regra geral não consigo vislumbrar o que é que pode ser ou útil ou até simpático para oferecer a alguém – que não me coloque na bancarrota, isto é – e que seja adequado ao espírito natalício. É um exercício de burguesia rasca que pago para não ter que enfrentar, ao contrário da Patroa, que num ápice saca do Visa card e numa tarde no Cascais Shopping compra tudo para toda a gente, até um chocolatinho para o carteiro com um cartãozinho personalizado e ração especial para o cão, o gato e o piriquito.

Claro que quando chega o extracto do cartão dela em Janeiro é “Christmas all over again”.

Outra mudança desde há uns anos é que acabei com o envio dos cartões de Natal. Para além de ser caro e complicado em termos de logística (eu hoje já não tenho literalmente os endereços físicos da maior parte das pessoas que conheço), só de pensar em ir para a bicha dos correios nessa altura para mandar tudo a tempo dá-me dores de barriga. Havia ainda o psico-drama de decidir a quem mandar e a quem não mandar, depois a quem mandei e que não mandou, a quem não mandei que mandou, a quem mandei e que mandou mas que mandou já em Março num gesto de cortesia falhada.  E finalmente o que fazer com esses cartões todos depois de acabadas as festividades (caixote do lixo).

Felizmente que a internetização dos protocolos sociais sobrepôs-se a tudo isto e de repente toda a gente começou simplesmente a mandar um e-mail com uns bonequitos de Natal e já está. Imagino que o feicebúque este Natal vai parecer um presépio com árvores cintilantes e copiosa neve virtual.

Afinal o que conta é o espírito natalício, não é? e uma mensagem de Natal sempre é uma mensagem, certo?

Portanto este ano, devido à crise e a um futuro incerto, não há nada para ninguém.

Bem, abri apenas uma excepção pois não consegui resistir.

JPT, se vieres à tua terra, o que está lá em cima é para ti. Merry Christmas!! Antecipadamente.

(de notar que tirei a foto em que as garrafas do Sporting Reserva Alentejana 2006 Encostas do Alqueva estão em cima do livro do Bill Bryson…)

7 comments ↓

#1 jpt on 11.25.09 at 0:22


Estou sem palavras … dada a comoção (apenas posso frisar que notara o teu book-dropping brysoniano)

…. as lágrimas inundam-me as teclas, calo-me, em estado de gratidão profunda

#2 ABM on 11.25.09 at 0:41


JPT

1. É para mim um raro momento de prazer sublime descobrir que consegui provocar alguma emoção natalícia seja a quem for por 5 euros e 99.

2. Protesto. Neste caso a menção não foi “book-dropping”. É patente pela posição do livro na imagem que foi “book-dropped”.

#3 AL on 11.25.09 at 3:05


Olhem-me estas duas comadres!

#4 AL on 11.25.09 at 3:11


E quer-se dizer, quem fica a arder com a leitura das ferias sou eu… :)

#5 ABM on 11.25.09 at 3:26


invejosa e mal agradecida ainda por cima

#6 AL on 11.25.09 at 3:28


Ciumenta, querido, ciumenta!

#7 ABM on 11.25.09 at 3:34


pois pois

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