Tive ao longo de uns poucos anos alguma coisa a ver com a Ilha de Moçambique, coisa de trabalho diga-se. Muito me apraz uma capelinha que por lá subsiste, e que se lixe a modéstia. Mas, no correr do tempo, muito ouvi dos meus patrícios sobre o quanto e o como fazer na Ilha, entre mais ou menos pomposas deslocações e camarões. Um dia, numa conferência da UNESCO sobre a reabilitação da Ilha de Moçambique, aqui decorrida, até ouvi um qualquer desavergonhado patrício bem pago anunciar o donativo de um milhão e meio de contos pelo Ministério do Ambiente. Disse-o sem pestanejar, o escroque…Mas enfim, isso foi passado.
Tenho em casa esta revista institucional, datada de Dezembro de 2003. Nela Pedro Santana Lopes, então presidente da Comissão Executiva da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) anunciou:
“A recuperação da Fortaleza de São Sebastião é uma obra que muito nos orgulhamos. Lembro que quem primeiro me alertou foi o anterior Cardeal Patriarca de Lisboa, era eu Secretário de Estado da Cultura (1990-1994). O senhor D. António Ribeiro estava de regresso de uma visita à Ilha e ficara impressionado com o estado de degradação da Fortaleza, a primeira erguida pelos portugueses no Índico. Falou-me de como era importante a sua recuperação, até por se tratar de um dos maiores atractivos turísticos da Ilha. Entretanto a Fortaleza foi declarada pela UNESCO como Património Histórico da Humanidade. E, neste momento, estamos em vias de firmar um acordo com a UNESCO para a recuperação da Fortaleza. A UCCLA participa com 600 mil dólares e a cooperação japonesa com um milhão de dólares“.
Estou satisfeito. E orgulhoso. Quando começam as obras?

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[…] sob a tutela da UNESCO. As obras de reabilitação da Fortaleza da Ilha de Moçambique - que aqui referi - vão finalmente […]
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