
De Paul Verhoeven, cineasta bem tarimbado na indústria americana, o que se nota no ritmo do bastante premiado Zwartboek. Integrado no Ciclo de Cinema Europeu, uma organização da delegação da União Europeia, uma boa já tradição. Apresentação com uma originalidade: título na língua original (diferentemente de todos os outros) fugindo ao “Livro Negro” da versão inglesa ou ao “A Espiã” (???) brasileiro. Afirmação linguística da delegação holandesa?
Filme de aventuras na II Guerra Mundial, coisa já rara hoje. Argumento com algumas coisas engraçadas - a traição no seio da resistência holandesa; as diferenças ideológicas dentro desta; o anti-semitismo patente nesse movimento; a baixeza do revanchismo pós-libertação. E algumas parvoíces pueris, típicas da cosmologia cinéfila americana (”o amor tudo pode”): o importantíssimo responsável das SS que, afinal bom homem, se torna pacifista muito pela influência do seu amor pela bela judia espia (ou agora terei que dizer “espiã”?) e pelo seu par de seios - muito ostentado, e cuja beleza confirmo ser capaz de fazer vacilar alguns princípios ideológicos.
Bem, mas para quê tamanho destaque e pormenor a um filmezito de guerra? Lá segue a história, contada em modalidade de analepse. E que finda com o regresso ao momento presente da protagonista, correndo com a sua família para o abrigo no kibbutz sob os silvos do alarme e os sons das bombas de um ataque. A sensação de continuidade, de ausência de alguma ruptura é enorme, mensagem sublinhada por se tratar do final, em forma de reticências … Completa manipulação: o inimigo é o mesmo, a vítima perene.
E “fim”! Ainda estou eu a murmurar “filhos da mãe” e a sala, pejada de cidadãos holandeses (cooperantes, diplomatas, suas famílias), naturalmente ali a verem o “seu” filme, rompe em aplausos. A um filme de 2006! Sem nenhum participante na sala (vá lá, se o tivesse). Mandam uma tralha ideológica destas, já vista, e toca de aplaudir. Paroquianos. Provincianismo nacionalista.
Depois, cá fora, os comentários. “Porreiro”, “bom filme”, “agradável”. Claro, funciona. Pelos vistos.


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já descobri o novo sítio
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