Tecnocracia

clint

Queria sobretudo proteger-me dos quadros dos estúdios e das suas eternas discussões. Têm sempre tantas ideias sobre a forma como se devem fazer os filmes. (…) Quando estamos ligados a um estúdio, temos que aturar uma enorme quantidade de pretensos especialistas, que não sabem grande coisa do cinema, nem da sua história. Os jovens quadros da indústria não conhecem um décimo dos filmes de que lhe falamos, de pequenos filmes ou até de filmes médios. (…) Essas pessoas, os quadros, os que decidem, só se preocupam com o presente. Não sabem nada de história. Mas como é que se pode trabalhar no presente se se ignora o passado? Isso não impede de fazer coisas, de filmar imensos filmes … que até podem ter êxito, com um pouco de sorte. Mas acho que se perde muito ignorando tudo o que está para trás.” (42)

[Maria João Madeira (org.), Clint Eastwood: Um Homem Com Passado, Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, 2008]

jpt

3 comments ↓

#1 ABM on 11.24.09 at 16:16


Ilações a reter sobre o assunto:

1. Um camelo é um cavalo desenhado por um comité.

2. Sem desprimor para a pertinência do que foi evocado, requentemente a inovação deriva em parte de alguma ignorância do passado.

3. (traduzo do inglês) A regra dourada: quem tem o ouro faz as regras.

Mas compreendo as frustrações da Maria João.

#2 jpt on 11.24.09 at 17:14


As palavras são de Clint Eastwood

#3 ABM on 11.24.09 at 17:34


Ooops. Vê lá se sinalizas melhor estas coisas…

Mas também compreendo se as frustrações são do Clint e não da Maria João. Se calhar ainda mais no caso dele, coitado, que já ganhou várias dezenas de milhões de dólares à custa delas.

As ilações mantêm-se.

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