Ao ver esta entrada da AL, retratando a sede do Sporting Clube de Timor, em Dili, anunciada naquele “paradoxal” leão vermelho (se nos referirmos à simbologia “original” da criação das associações desportivas pelas colónias portuguesas) não contive o riso.
Não tanto pelo leão vermelho, claro que agente motriz da primeira gargalhada. Mas todos os outros sorrisos têm-me vindo por via da imaginação. Pois um símbolo destes é um verdadeiro achado. Na indústria do “paperismo”, esse caldeirão condimentado de causas justas, jornalismo “informado” e exotic-dropping, que melhor se poderá arranjar? Está aqui o frontespício para uma colectânea de textos sobre o “pós-colonialismo” e a sacrossanta “hibridez” que nele é, ao que parece, ontológica. Quem tenha unhas que toque …. o sintetizador.
jpt


3 comments ↓
JPT
Gostava de separar “name-dropping” da expressão de afiliações pessoais ou geográfico-culturais (e já agora refiro as afiliações gastronómicas, uma favorita absoluta em Portugal, para não falar nas afiliações desportivas como a dos partidários dos clubes de futebol).
Começo pelo segundo. A maior parte dos seres humanos relaciona-se profundamente através das suas afiliações (ou afectos) em relação a pessoas físicas – família, amigos, inimigos – ou, tão frequentemente, a pessoas que se acha que conhece (líderes políticos, escritores, poetas, actores, figuras popularuchas que aparecem na televisão e na rádio).
Ou, ainda, a lugares físicos, a experiências tidas, isoladamente ou em conjunto com outras pessoas, que por isso mesmo formam um sub-grupo.
Tudo isto considero perfeitamente normal. É essencial especialmente nas comunidades emigradas, que frequentemente, sem estarem minimamente preparadas, esbarram violentamente contra culturas que lhes são completamente estranhas e que procuram nessas afiliações um equilíbrio não só identitário mas também emocional o qual lhes permite funcionar e enfrentar o dia a dia.
“Name-dropping” (hum, como se dirá isto em português pós Acordo Ortográfico?) é uma doença que afecta muito boa gente, ou para mostrar que conhece toda a gente, ou para passar que conhece gente importante, ou (mais frequente) para sugerir que sabe mais do que na realidade sabe ou que conhece alguém melhor do que realmente conhece. Tende a ser um jogo de espelhos algo precário e já conheci gente que baste que faça isso.
Lamentavelmente, um “name-dropper” tende a não me impressionar. Especialmente aqueles que dizem “ah, conheço perfeitamente” e não conhecem porra nenhuma a não ser o mero nome.
No trabalho é pior ainda, pois já vi gente a dizer que conhece algo ou sabe fazer algo que na realidade não conhece nem sabe. Com as previsíveis consequências.
O name-dropping não é exclusivo das comunidades emigradas. Apenas o afirmo, dado que no correr do teu texto indicias alguma ligação.
O exotic-dropping (que ao meu conhecimento é um conceito analítico dedicado às ciências sociais, em particular à antropologia, digamos mesmo um conceito epistemológico, desenvolvido por um antropólogo relativamente desconhecido que dá pelo nome de jpt) é a transposição do conteúdo sociológico e intelectual do name-dropping para o exercício da ciência social (um termo local aqui, uma escarificação acolá, um “olhem para mim no meio deles” para cima, uma “olhem tão longe” para baixo, “olhem tão vítimas” a sul, um “olhem tao racionais que sao” a norte, e está encontrado o conhecimento). Abunda. Em português corrente, vulgar, não académico, diz-se arrivismo, um estrangeirismo proveniente da palavra exótica “arriver”
[...] excêntrica ao tema: ao ver as fotografias lembro-me desta entrada. E do como o "paperismo" se animaria nesta singela hibridez – a dança, típica (tipificada?), no [...]
Leave a Comment