Interlocução 2

 

Em 1967 Ruy Cinnati, que penso não ter sido um scholar da left-wing, escrevia assim como se em memória descritiva para o poema “O Signo Marcado (para uma voz e coro)“, publicado em “Manhã Imensa” (Assírio & Alvim, 1997 [1984]):

Tenho em minha casa uma estátua de S. João Baptista, julgo que dos princípios do século XIX, passável de factura, embora um tanto adocicada: fruta do tempo. Tomei-a como se fosse S. João Evangelista e no texto mantenho-a com esse nome. Um amigo trouxe-me da América um tomahawak para turista, artesanato dos índios Cherokee, Smoky Mountains, Apalaches. Não tendo encontrado lugar mais apropriado para ele, coloquei-o na mão direita do santo. O tomahawak, ou a sua imagem-símbolo – é importante distingui-lo por causa da moral activa … – está carregado de recordações de infância, quando eu lia o Texas Jack, série de novelas para rapazes que qualquer capelista exibia à entrada da porta, entre os anos 20 e 30.” (p. 59)

jpt


  • Share/Bookmark

Related posts:

  1. Interlocução

4 Responses to “Interlocução 2”

  1. ABM diz:

    JPT

    Em Alcoentre tenho um velha fotografia do Anthero de Quental que trouxe dos Açores e por cima um grande par de cornos ribatejanos. O conjunto fica bem.

  2. jpt diz:

    Ouve lá, isso é um post …

  3. ABM diz:

    JPT

    Ok vai a seguir

  4. um amigo diz:

    É curioso a mistura de dois santos Joões pelo Poeta Ruy Cinatti ter sido postada em dia de São João… de Brito.

Leave a Reply

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>