Visão
colada à bruma
no infinito ponho
do rosto do eterno
a transparênciaPersa negro e branco
cabaias e cofiós
de seda e linho,
em pontilhado, aurora
minha utopia que sangra.
Nos mármores róseos
da fortaleza
tua consciência, livre
recria o nada.
(1952)
m’siros na menstruação
dos ventos
no desafiar das pedras
e corais,
nos desventrados barcos
és nova equação
índica, swahili,
das bocas de fome
e afiados punhais
de prata.
(Virgílio de Lemos, Ilha de Moçambique. A Língua é o Exílio do que Sonhas, Maputo, Associação Moçambicana de Língua Portuguesa, 1999)
Virgilio de Lemos, poeta francês de origem portuguesa, nascido em Moçambique. Aqui 50 anos de poesia colectados; uma constante erotização da Ilha. Mas também
…
C’est bien Zanzibar et Ibo
que je chante `a Londres,
Vienne que je vis `a Paris,
Marrakech `a Lisbonne
quand je me trouve ailleurs.
Ailleurs se trouve ici.
(Virgilio de Lemos, Objet `a Trouver. Paris, Editions de la Difference, 1988, p. 46)


