Archive for the ‘Viagens Moçambique’ Category

MAPUTO-LISBOA, DESCONTO ATÉ 70%

Quinta-feira, Agosto 19th, 2010

por ABM (19 de Agosto de 2010)

Quando o meu amigo Carl me enviou uma mensagem inócua esta noite, os gigacomputadores da publicidade do Sr. Gúgele instaneamente colocaram uma série de anúncios pagos na barra situada do lado direito do écrã do meu computador.

Nada demais. Por vezes até acho interessante a pouco invisível ligação entre o título e o conteúdo das mensagens que recebo, e os anúncios que a mão invisível dos gúgeles ali colocam.

Esta gente para ganhar dinheiro vende a alma da mãe deles, certamente que vender a minha não é um grande passo em frente. Pelo contrário. Por outro lado, eu usufruo dos magníficos serviços da Gúgele praticamente de borla e não perco sono à noite com isso. A privacidade estes dias que correm é imensamente relativa e imensamente negociável. Eu tenho amigos que há meses que se entretêm a ler os malabrismos dos Srs do Feicebúke para lhes vender a vida inteira a retalho. O que me fascina é que quase ninguém quer saber. Anda tudo alegremente a encher os “seus” (deles) dados de manhã até à noite e contando aos seus “amigos” os dados mais infimérrimos das suas invariavelmente inóspidas vidas, como se não fosse nada. Como se agora fosse como antigamente, quando havia correios e leis draconianas contra a violação do sigilo (precariamente assegurado dentro de um envelope selado com uma mistura de cuspe e ranho).

Só que esta noite o tópico não era nada de especial, e os anúncios que apareceram também não. Um era sobre certtificação energética (de um tal Sr Jesus Ferreira), outro convidava-me a negociar petróleo online (de um tal www.plus500.com.pt) .

Mas o terceiro mistificou.me.

No visor apareceu o seguinte:

Maputo Lisboa
Descontos até 70%:
Reserve antes de 31 de Agosto!
www.eDreams.pt/Maputo-Lisboa

Hum.

Nunca ouvi falar desta gente.

À primeira vista pareceu-me bom demais. Toda a gente sabe que, pese a choradeira toda sobre a pobreza de África, tipicamente as carreiras de África são as cash cows das companhias aéreas de todo o mundo que para lá voam. Na portuguesa Tap esse deve ser o segredo mais mal guardado da companhia. Por comparação com um voo para África, a TAP cobra para aí metade para o voo mais ou menos semelhante para o Brasil.

Mas pensei cá para mim: “ABM, estes gajos não se vão dar a todo este trabalho para me encontrar para me enfiar um barrete destes.”

Ou então o barrete é daqueles bem fundos e leva algum tempo a perceber.

Ciente do pouco risco que adviria de ir ver o que a tal de eDreams estava a publicitar, procedi a visitar o seu sítio.

Não tinha nada a falar sobre promoção nenhuma a Maputo.

Hum.

Mas tinha um daqueles formulários electrónicos que se preenchem rapidamente, para em seguida aparecerem as indicações de preço.

Simulei então uma viagem Lisboa-Maputo por doze dias, de 8 a 20 de Setembro.

A cotação mais barata era cerca de 1.120 euros

Não me pareceu ser 70 por cento mais barato que o habitual.

Isto mais o novo custo do visto maputiano (82 paus) vai para os 1200 euros.

Mas então apercebi-me do meu equívoco: o anúncio dizia Maputo-Lisboa e não Lisboa-Maputo.

Ah, esta gente do marketing…

Será que ir no mesmo avião que liga as duas cidades em sentidos diferentes implica preços diferentes?

Clic, clic, clic, fiz o mesmo pedido de simulação, mas desta vez a sair de Maputo em direcção a Lisboa.

Surpresa. Desta vez a cotação mais barata era de 936 euros. Os residentes em Maputo têm desconto automático de 350 euros. Nada mau.

Mas …cadê o meu desconto de até 70 por cento?

Já agora, desconto de 70 por cento em relação ao quê? A quem?

Em ambos os casos, as viagens seriam autênticos filmes de terror. No caso do vôo a sair de Maputo, estamos a falar de classe turística, saída de Maputo às 9 da manhã de um dia, e chegada a Lisboa às 15 horas do dia seguinte, voando de Maputo para Joanesburgo, depois para Paris numa conhecida companhia áerea francesa, e depois a ligação a Lisboa.

Partido de Lisboa, é o mesmo horror épico, mas no reverso.

Trinta e duas horas de percurso, em que mais que metade é passada em salas de espera de aeroportos.

Em frente ao preço, premindo numa frasesinha que diz “detalhes do preço”, aparece uma janelinha a dizer que na realidade, dos 936 euros, o bilhete em si custa 441 euros. O resto – 502 euros – é descrito como “taxas”.

Lembrei-me que na página de entrada do sítio vira um número (707 782 829).

Liguei para lá.

Após um toque, surgiu na linha uma voz em português no melhor sotaque do Brasil, indicando que os serviços de atendimento só atendiam das 8 às 19 horas durante a semana. Azar.

Nunca tinha ouvido falar nesta eDreams, mas não é supresa. Estes dias pago para não viajar e empresas destas são mais que os peixes no mar. Mas, para minha surpresa, o sítio tinha uma outra frase que, clicando sobre ela, me deixava saber tudo sobre a eDreams.

E avisava que a explicação seria em hespanhol.

Hum, não sei se vou conseguir ler….

Premi com o rato e, após esperar uns cinco minutos, apareceu um extenso documento daqueles com doses industriais de charme a tentar explicar quem era el Grupo. Hespanhol, baseado em Barcelona, expandiu por aqui e por ali e agora até já tinha escritórios em Lisboa.

Eles obviamente acham que são a melhor coisa a aparecer na face da Tierra desde a passagem de Cristo por Jerusalém e arredores.

Menciona que em 2006, a data mais recente contida no relatório, que data de Junho de 2007, portanto antes do crash em cadeia de metade do mundo, tinha facturado 300 mijones de euros, o que achei curioso estando nós em Agosto de 2010.

Até tinha os nomes dos membros do Conselho de Administração e resumos dos seus currículos (que são, no mínimo, fabulosos). O Christian Grunwald, então, devia ser rei de Hespanha em vez do Juan. Sem menosprezar os outros, que são todos Mckinseys, Harvard Business School, carreiras fulgurantes desde o berço, etc etc.

E termina com números de telefone e os endereços de e-mail da Maria de Andrés e da Pilar Cueca, que são as meninas da empresa de comunicação da eDreams (se ainda lá estiverem, claro).

Fiquei com tudo impressionado.

Estes tipos parecem ser mesmo a sério.

Só mesmo uma coisa menor permaneceu na minha mente após a saturada viagem por esta empresa:

Cadê o bilhete de Maputo para Lisboa com desconto até 70 por cento se eu reservar até antes de 31 de Agosto, que alguém da eDreams cozinhou e me foi para à caixa do correio, ao lado da mensagem do meu querido amigo Carl?

Estou a pensar mandar este texto para o Christian Grunwald e para a Pilar Cueca para ver o que é que eles dizem.


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Como se fazem os filhos?

Quarta-feira, Agosto 4th, 2010

Está a família em total recolhimento na praia lacustre, tamanho esse que não necessita de adornos. De súbito a menina soergue-se no areal e em tom modorrento mas profundo, como se eco do que ali está a viver, pergunta “como se fazem os filhos?“, um assim inesperado que aos pais faz vacilar, devagar, como se apenas por efeito da ausente brisa. Reage primeiro o pai num cavo “mãããe” a embrulhar-lhe o sem-jeito até cobarde. Esta,  convocada ao tradicional papel, enceta carinhosa a explicação do como somos. E narra que quando um homem e uma mulher gostam muito um do outro e casam – ao que o pai acena, apoiante em total concordância com essa ética assim primaz à mera fisiologia – o pai deita uma semente na mãe, e nisso a família, ainda que ali surpreendida no contrapé, sossega-se na proximidade ao cânone. Mas lesto surge o “pois, mas como se deita essa semente?” e é um imenso olhar curioso que fala. Aí ondula, ou assim parece, o enorme lago. O pai avança – mas em verdadeiro recuo – no francês da clandestinidade paternal um “agora tens que lhe explicar como é” mas o tino maternal impõe-se num “não, é muito cedo, vai chocá-la“, e com efeito assim é. Há uma breve pausa, o pai ausenta-se nas montanhas longínquas como se fosse até alheio, a mãe toma balanço e explica que quando os pais, os tais casados que se amam muito, decidem ter um filho deitam-se muito juntos, juntinhos um ao outro e desse modo passam as sementes. A menina abre-se num enorme sorriso, radioso e radiante, de compreensão: “ah, assim como os piolhos …”.

Os pais, reprimindo-se é certo, são inundados por uma ternura maior do que o lago testemunha.

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O Silvo do Areal no Lago Niassa

Quarta-feira, Junho 30th, 2010

 

Descer ao Lago Niassa é sempre uma ascensão, num subir ao belo. Já o sabíamos, mas não ainda o tanto que viria a ser desta vez. Uma partida de Lichinga, defronte a esse cinema ABC, edifício raro na arquitectura do país, estranheza que exige olhar de urbano visitante. E dali ao porto nosso primeiro destino seriam pouco mais de 200 kms, coisa agora entre alcatrão e terra batida para não mais de quatro horas. Encetados pelo percorrer do planalto verde-castanho, esse tom do Niassa talvez único ou assim sempre sentido pelos nossos encantados olhos. Para depois, em abruptas vertigens, quebrarmos as magníficas montanhas, um serpentear provocando-nos constantes pausas de espanto, assim deslizando até à vista do Lago. Este como se mar de dentro, mar liso lençol, um azul quasi-infindo ali entre tanta terra verde, como se machamba de gigantes fosse mas afinal mato ainda, um mato de peixes e suas companhias e onde os homens vão sendo – por quanto tempo ainda? – apenas hóspedes.

E este andar de boquiabertos, este deslizar para as águas, acrescenta-se à vista de Metangula, a lânguida península, ali orquestrando as suas enseadas, praias preferidas. Ao acolhermo-nos nelas, nas sombras do seu arvoredo, partilhando-as com os banhistas locais reparamos como a vila, tal como se sacudindo o seu dorso, vai crescendo pela encosta acima, um pouco-pouco por enquanto. Algo que vem acontecendo desde que “Cahora-Bassa” chegou, dir-nos-ão, a electrificação ainda recente a gerar movimento, o amarinhar pela floresta.

Ali banhados, e nisso estreámos o Lago, seguimos a nossa via, para trás abandonando o alcatrão. Começando pela sinuosa marginal para em breve nos irmos, distraidamente, submergindo numa verdadeira estrada de floresta, esta frondosa, magnífica, apenas por vezes recortada não tanto por aldeias, mais sendo algumas machambas avançadas, como se sentadas na estrada. É este o caminho até Cobué, o ermo posto fronteiriço defronte ao Malawi mas também nossa fronteira do Lago, em breve a ele regressados.

Nesta pequena vila, águas-meias com a ilha de Likoma, ali a porta do Malawi, notamos a azáfama comercial, a vida do Lago, piscatória mas não só, sinal do trânsito lacustre. Enquanto esperamos o barco que nos fará avançar ainda mais caminhamos a localidade, onde são ainda visíveis as marcas da história mais ou menos recente. Obrigatória visita à grande igreja católica bem plantada no seu centro, até desproporcionada face ao edificado em seu torno. Ali símbolo das diferenças religiosas da região, uma maioria cristã, católica ou anglicana, dos falantes de nianja, a língua dos circundantes do Lago, face à já feita maior tradição islâmica dos falantes de ajaua, seus vizinhos provinciais. Diferenças que nos obrigam o lembrar das seculares histórias em torno do Lago, e de como elas, seus conflitos e alianças, se mostram nos unidos tempos de hoje nesta vizinhança de crenças. Mas traz-nos histórias também de dias mais recentes, a arruinada igreja, naquele dia apenas visitada pelos cabritos, incendiada que foi durante a guerra. Um marco fantasmagórico sob aquele sol? Ou a marca do que há para fazer e refazer, uma lembrança da esperança?

Uma esperança que se nota a fazer-se. No caminho cruzamos um já velho hotel, dir-nos-ão que o primeiro “lodge” da região, talvez antecedendo o próprio turismo que se anuncia nestes dias. Agora em reabilitação e alargamento o modesto “”White Buffalo”, em tempos inaugurado por um australiano, e hoje em mãos nacionais, assente em plena praia de Cobué – mas o que não é ali praia? Marca a esperança no crescimento do turismo local mas, e acima de tudo, a realidade do tráfego transfronteiriço, também feito de pernoitas aguardando as travessias.

Finalmente seguimos na última etapa ao nosso destino, já tão aguardado. Mais uma hora de barco, sempre lado a lado com as encostas abruptas mergulhando nas águas, uma infinda floresta disposta num infinito banhar-se, nessa dança entre verde e azul recortando-se, em caprichos recíprocos, o molde do lago. Vamos ainda saudando, aqui e ali, os escassos pescadores, tão afoitos nestas águas largas, senhores das suas almadias, escavados troncos de mangueiras que lhes permitem chegarem-se ao sustento diário.

É assim que chegamos à Ponta Mala, a qual leva o nome da pequena aldeia piscatória que deixáramos já para trás. Ponta feita de recifes lacustres, bossas aflorando à superfície, como se de velhos monstros ali adormecidos. Avisam-nos os marinheiros, habituados já a verem a felicidade encantada daqueles a quem transportam: “chegámos”, estamos já na zona concessionada ao nosso verdadeiro destino, o Nkwichi Lodge, o Hotel do Silvo do Areal, que é essa a tradução do nianja “Nkwichi”. Quatro kms de costa natural, saberemos dentro de em pouco, em regime de protecção, consequência da realidade deste sonho de eco-lodge.

É este o tal segredo ainda mantido, por ainda poucos partilhado, ao qual agora acedemos. Chamar de paradisíacos aos destinos que nos encantam está já gasto, de tão usado, tão afixado, e queremos ali fugir ao lugar-comum. Mas a este será difícil escapar, quando avistamos a pequena enseada de areias brancas e tão macias, essas que tanto silvam, suaves sob o nosso calcorrear. Ali se escondem nas árvores as, entre elas invisíveis, algumas incrustadas em pequenas praias rochosas só para elas disponíveis. Casas abertas à natureza, dos seus locais materiais construídas, feitas em torno das extremidades dos recifes, essas que tendo-se atrevido fora de água são agora coisa de arquitectura de interiores, em aprumado bom gosto. E dando-nos o conforto mais do que necessário, embrulhado de rústico.

Se era o descanso que procurávamos neste caminho, esse estarmos juntos connosco mesmo – e, em cúmulo de excelência, sem mesmo sermos importunados pelos ali inacessíveis celulares -, pois estava alcançado o local, logo o constatámos, de imediato embalados. À nossa volta, e assim se passariam os dias seguintes, habitam os pássaros, guardas do lago, como se plantados em cada rocha na água, observadores eles próprios, na sua faina diária. E percorrendo as nossas noites e dias com seus pios e cantos. E habitam os peixes, coloridos, como se aquário caseiro, para os visitar bastando por os olhos na água, sem quaisquer outros atrevimentos, do cristalino que é esta. De uma pureza como nós nos sentimos, imaginamos, quando por aqui.

Enquanto somos visitados pela restante fauna selvagem, ariscos macacos na praia, enormes lagartos quase como se dragões nos promontórios – que as cobras só chegarão mais tarde -, perguntaremos do mais que há nesta reserva dedicada ao Nkwichi Lodge, encetada pelo projecto que este desencadeou, o Projecto “Manga Wilderness”. Dizem-nos de outros habitantes, longínquos, os predadores, entre os quais os próprios raríssimos mabecos, e os paquidermes. Espaço para todos há. O Projecto de Conservação que este lodge desencadeou alonga-se por 120 000 hectares, qualquer coisa como a área da Grande Londres, diz-nos o nosso britânico interlocutor, nisso não escondendo a justificada e orgulhosa satisfação.

Para o primeiro jantar, mesa posta na praia, gozando a excelência do pôr-do-sol, rápido na sua fuga para além-Malawi, e logo depois sob a luz das águas deste “lago de estrelas”, juntamo-nos à despedida de Patrick, o criador e fundador do Nkwichi Lodge, e também o seu sonhador. Após onze anos aqui residente partirá para uma nova aventura, deixando esta fantástica herança. É uma coincidência emotiva, para nossa sorte ele e seus colegas antecipam a sua partida no dia seguinte e dão curso às memórias. Conta-nos que depois de nove meses de bicicleta, entre Etiópia e África do Sul, decidiu que o seu futuro seria o turismo ecológico, assente num triplo valor: desenvolvimento comunitário, preservação ecológica e turismo. Algum tempo depois aqui navegou e cruzando a Ponta Mala logo percebeu, como todo nós concordamos agora, que este seria o lugar ideal. Seguiu-se um longo processo de negociação com as populações locais, “22 dias caminhando entre povoações” lembra o início, e cinco anos até a obtenção de todas as autorizações. E desde 2004 a casa aberta.

De então para cá orgulha-se do seu “lodge” mas acima de tudo do projecto que este acolhe: desenvolvimento, que conduziu já à auto-construção de dez escolas comunitárias e de uma maternidade em Cobué, construída por sete aldeias; a sua machamba experimental de disseminação de novas espécies e técnicas – e que haveremos de visitar, em belíssimo passeio. Enfim, inúmeras actividades que mais de 100 voluntários internacionais têm apoiado ao longo destes seis anos. Nessa noite histórias foram muitas.

Como várias foram as memórias que construímos nos dias seguintes nos caminhos ali percorridos. A ascensão ao miradouro, onde se avista a cordilheira que penetra na Tanzânia. Cruzando a velha estrada, pedestre apenas, que liga Metangula ao vizinho do Norte. Já percorrida nos velhos tempos do tráfico de escravos, dir-nos-á o guia. Paramos, nisso avistando os picos de Malawi, Tanzânia e Moçambique rodeando as águas, num pensar a história, assim convocada. E descemos para uma pequena enseada onde habita o fantástico embondeiro, 29 metros de diâmetro, gigantesca sombra, velha árvore de milénios, anunciam-nos e queremos crer. Pois naquele local privilegiado está muito bem o velho espírito, de antes da nossa história, símbolo vivo da dona do Lago, a floresta.

E à sua sombra nos abrigamos. Felizes.

(texto deixado na Índico, maio-junho 2010)

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Um passeio no Lago Niassa

Quarta-feira, Maio 5th, 2010

Sei bem da, e choro-a, minha inépcia fotografadora. Mas como os jeitosos cá do blogo-sítio têm andado um bocado para o calmo, e sendo boas pessoas decerto que não virão com a rábula do “sapateiro e do rabecão”, atrevo-me a deixar aqui as minhas memórias de um passeio familiar no Lago Niassa. (Pressionando as fotografias elas engrandecem. E ficam mais nítidas.). E aproveito para avisar – quem nunca lá foi ponha no programa … ou nos sonhos.

 

[Lichinga]

[Metangula]

[Cobué]

[Cobué]

[Cobué]

[Likoma, Malawi]

[Mala]

Nkwichi Lodge

Nkwichi Lodge

Nkwichi Lodge

Nkwichi Lodge

Nkwichi Lodge

Nkwichi Lodge

Nkwichi Lodge

[Ponta Mala]

[De Moçambique à Tanzânia]

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Barbearia de Nampula

Segunda-feira, Março 15th, 2010

O mesmo Grão-Comentador do ma-schamba, Umbhalane, conhecedor da minha adesão ideológica ao mundo barbeiro e do meu apreço por barbearias populares, enviou-me excelentes fotografias que encontrou no blog Beijo-de-Mulata. As excepcionais características dessas imagens, publicadas na entrada “nomes que dizem tudo”, tornam obrigatória a sua reprodução. Aqui está uma barbearia num bairro de Nampula.

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Gorongosa

Sexta-feira, Fevereiro 19th, 2010

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Nas Nuvens.

Quarta-feira, Fevereiro 10th, 2010

Da Zambézia para Manica.

PSB


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O hotel na “Casa do Capitão”, em Inhambane

Terça-feira, Janeiro 26th, 2010

O texto dedicado ao novo hotel na “Casa do Capitão” na baía de Inhambane foi de novo aumentado, com imagens que recebemos do Rui Monteiro.

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Ainda a “Casa do Capitão” em Inhambane

Sexta-feira, Janeiro 22nd, 2010

Na sequência da conversa que tem decorrido na respectiva caixa de comentários o texto “A Casa do Capitão, na Baía de Inhambane” foi actualizado com novas fotografias.

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A Casa do Capitão, na baía de Inhambane

Domingo, Janeiro 17th, 2010

Aqui,

que estava assim,

constrói-se deste modo

para ficar desta forma

Sabedores da construção do hotel (e timesharing), propagandeado em Maputo, logo que chegados a Inhambane apressámo-nos a ir ver o resultado. Fico, ao volante, balbuciando “Meu Deus!! … [nestas alturas dá-me para o deísmo, mas em molde de ateu, vituperando este deus preguiçoso e incompetente que nos rege o devir] … Meu Deus!, isto parece, isto parece …” e logo no banco de trás a Carolina, nos seus sete anos desconhecedora de debates arquitectónicos, urbanísticos, culturais ou ecológicos, remata “pai, isto parece o serviço!”.

Adenda: na caixa de comentários surgiram (legítimas) dúvidas sobre o que aqui tentei demonstrar. Como acima refiro a minha filha esgotou-me a argumentação sobre o assunto. Deixo mais uma pobre fotografia, que é o máximo que posso tentar para elucidar os visitantes [e, já agora, os futuros "timesharers"]

 

[pressionando as fotografias elas aumentam]

Adenda: Nos comentários ao texto o Rui Monteiro argumenta sobre o assunto e lamenta a inexistência de fotografias da “casa do capitão”, disponibilizando-se para as ceder. Eu aí explico porque não considerei relevante colocá-las, nem mesmo fotografá-las. Ainda assim, e enquanto ele não envia as suas coloco as minhas duas fotografias em que o velho edifício surge. A segunda dará uma pequena amostra da sua escala face ao empreendimento. Mas não dão, reconheça-se, sequer uma pálida ideia do que nesse edifício (a antiga casa) será feito.

 

 

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Segunda Adenda: o Rui Monteiro - e agradeço-lhe - enviou fotografias do interior da construção, no contexto da antiga “Casa do Capitão”, que possibilitam uma outra panorâmica do edifício. Mandou ainda duas, as finais, sobre a “Casa” propriamente dita e sua porta, mantida.

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Terceira Adenda: Um texto no PembaAtoll dedicado a este tema, e que me parece de bastante interesse.

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Comércio Chinês

Terça-feira, Janeiro 12th, 2010

Inhambane Janeiro 2010 Wang Rong loja Chinesa

Irresistível a onda comercial chinesa. Este é o estabelecimento Wang Rong em Inhambane. Recente edifício, recente mercado. Bastos produtos, à escala local, com preços “imbatíveis”. De imediato me pergunto sobre qual virá a ser o efeito sobre as tradicionais pequenas lojas inhambanenses, que implicam um muito peculiar meio sociológico e sempre deram um tom especial, uma personalidade à cidade. Mas este não é um texto saudosista, ou promovendo o imobilismo. É apenas uma legenda à fotografia, que é absolutamente exemplar. Pois implica o “pacote” económico-simbólica agora chegando. Repare-se no pormenor espantoso (pormaior!). Numa cidade ainda verdejante os canteiros que abrilhantam a entrada da grande loja (à escala local) são local de brilhantes plantas de plástico!! Em Inhambane …!

É, decididamente, o triunfo do mundo plástico. Ordinário.

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O cidadão consumidor

Terça-feira, Janeiro 12th, 2010

Já em tempos abordei a monumentália (e toponímia) empresarial, da modalidade identitária que isso implica, da alteração política que isso transpira, tudo isso a coberto da mítica entidade “publicidade” que muito mais é do que parece. E do (meu) des-gosto estético, já agora. Algo que é recorrente, em vários países. Sinal dos tempos. Agora foi esta

Inhambane Janeiro 2010 178

Praça MCEL, em Inhambane. Para me lembrar, se esquecido estivesse, desta cidadania consumidora. Global.

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Acordo Ortográfico: glocalização

Terça-feira, Janeiro 12th, 2010

Inhambane Janeiro 2010 2M no Tofo3

[Praia do Tofo, Janeiro 2010]

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O Acordo Ortográfico: globalização

Terça-feira, Janeiro 12th, 2010

Inhambane Janeiro 2010 associacao turismo

[Cartaz impresso da associação de empresários turísticos da província de Inhambane - integrando vários anglófonos]

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O Acordo Ortográfico: lusofonia

Terça-feira, Janeiro 12th, 2010

Inhambane Janeiro 2010 hotel tofo

[Dístico colocado no bar-restaurante do Hotel do Tofo, propriedade de cidadão português]

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