Um texto de Adelino Timoteo sobre o enorme Shikhani no Beira-Amar.
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Agosto 10th, 2007 — Adelino Timóteo, Shikhani
Abril 4th, 2007 — Shikhani
O mural do grande Shikhani na Beira. A este proposito um pequeno fait-divers que me narraram recentemente. Instalado o mural logo se gerou alguma polemica local - pois o artista nele integrara um caixao, logo ali no Palacio de Casamentos …
Reinata Sadimba
Outubro 1st, 2005 — Reinata Sadimba, Shikhani
Se há algum génio nas artes plásticas em Moçambique (e dado que Shikhani não esculpe, desesperemos pois) então será Reinata, tradicionalizando tudo o que nos inova, regesticulando um monstruário que só alguns poderão achar lá do Cabo Delgado, mas que é mesmo dela. Às vezes um grotesco máximo, um horror e humor a pedir alguém que mexa o suficiente nas palavras para que o possa definir.
Vem esta breve nota por causa da última exposição individual dela, “Rumo a Nova Descoberta” assim chamada, à qual ainda cheguei a tempo. Dezenas eram as obras, mas coisa suave, como se a velha atravessasse agora período de calmaria nas inquietações que lhe moldam a olaria. Será tal possível? Abundantes mulheres, um zoológico em crescendo, mas, perdoe-se-me, este assim tipo bric-a-brac.
Em suma, Reinata é Reinata, mas não saí com o deslumbre a que me habituei quando a cruzo.
Ainda assim, e fosse eu expatriado bem-pago não lhe deixaria em mãos um delicioso (pobre palavra, outra vez) auto-retrato “A Dona da Exposição”, um realismo etnográfico “Mulher pilando mapira” que está extraordinário, e o mais significante de tudo o que ali se apresentou, um “Procurando Água” que é a única peça que me lembrou com vigor a sua cosmologia.
Vêm estas reproduções para ilustrar a adenda. Reinata é nome grande. Já viajou muito, expôs, foi catalogada e fotografada. Porventura até filmada. Não é pois lamento de falta de documentação para o futuro, este que se segue. Mas Reinata é mesmo nome grande. Como é possível expôr em Maputo, terra dos poucos mecenas e decerto distraídos, nesta pobreza? E ainda para mais numa instituição estrangeira, o Centro de Estudos Brasileiros, com perfil de cooperação e divulgação. Como é possível deixar esta artista expôr acompanhada apenas de um desdobrável que nada mais é do que uma fotocópia ali impressa a pedido do visitante. Sem roteiro, sem documentação. Sem publicidade que se veja. Um desinteresse, um abandono. Assim a parecer nada mais do que uma linha no relatório de actividades lá para o fim do ano. Mas que actividade? Ligar a luz?
Dir-se-á que o que interessa são as obras. Mas, e quem não compra? E quem compra mas quer saber o mais possível. Acompanhar o mais possível. E, já agora, se o que interessa são as obras então é ir ao Museu, visitar a artista. Nada! Até dói ver uma artista destas ser assim desacarinhada. Sem miserabilismos, sem coitadismos. Mas sim porque quem expõe Reinata expõe. Como deve ser. E quem não patrocina Reinata não patrocina ninguém.
Shikhani
Março 22nd, 2004 — Shikhani
Para mim Shikhani é o maior escultor moçambicano. Ainda que não esculpa há anos. Obras de uma robustez misteriosa que nos impõem espanto. Dele procuro fugir reduzindo-as de pré-colombianas.
Na sua pintura encontra-se essa madeira, aqui disfarçada nas cores vivas com que o velho mestre risca os seus caminhos, labirintos de rotas paralelas nunca concluídos, uma angústia vejo-a eu.
Visitei-o agora, cicerone. Recebe-nos com aquele enorme sorriso de boas vindas, até desmerecidas por este amigo relapso. Está inquieto Shikhani, tanta a obra recente, acumulada sem mesmo secar. Nem nos espera, lá no aeroporto está a brotar…



