Abaixo deixei a dúzia de postais de Santos Rufino que reproduzi no Ma-schamba ao longo de alguns meses. Aproveitando a chamada de atenção do Abrupto, a qual implicará a chegada de leitores desconhecedores deste blog e dos postais e álbuns em questão, e o início da sua cuidada apresentação no Companhia de Moçambique. Espero que esta curta série incentive o interesse geral na tarefa a que o Rui se vai dedicar.
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Os postais de Santos Rufino
Agosto 29th, 2004 — Santos Rufino
Postal de Santos Rufino: Ilha de Moçambique
Agosto 29th, 2004 — Santos Rufino
Postal de Santos Rufino: Praia da Ilha de Moçambique
Agosto 29th, 2004 — Santos Rufino
Postal de Santos Rufino: Fortaleza S. Sebastião
Agosto 29th, 2004 — Santos Rufino
Postal de Santos Rufino: Praça 7 de Março
Agosto 29th, 2004 — Maputografia, Santos Rufino
Postal de Santos Rufino: uma figura exótica
Agosto 29th, 2004 — Santos Rufino
Postal de Santos Rufino: Avenida 5 de Outubro
Agosto 29th, 2004 — Maputografia, Santos Rufino
Postal de Santos Rufino: Estação Central dos Caminhos de Ferro
Agosto 29th, 2004 — Maputografia, Santos Rufino
Postal de Santos Rufino: condutor de "ricshaw"
Agosto 29th, 2004 — Maputografia, Santos Rufino
Condutor de “ricshaw”. Postal editado por Santos Rufino (1928), série “Tribos Nativas, Hábitos e Costumes”.
Excelente exemplo da criação de um imaginário.
Postal de Santos Rufino: Rua Consiglieri Pedroso
Agosto 29th, 2004 — Maputografia, Santos Rufino
Postal de Santos Rufino: Xai-Xai
Agosto 29th, 2004 — António Botelho de Melo, Santos Rufino
Postal de Santos Rufino: Jardim Tunduru (ex-Vasco da Gama)
Agosto 29th, 2004 — Maputografia, Santos Rufino
Eis o antigo jardim municipal Vasco da Gama, hoje jardim Tunduru.
Postal de Santos Rufino: Malema
Agosto 28th, 2004 — Santos Rufino
Agosto 6th, 2004 — Machado da Graça, Santos Rufino
Machado de Graça, reconhecido iconoclasta cujas tendências ímpias já aqui ecoei, teve então a extrema gentileza de me ofertar exemplar de rara e valiosíssima obra, “Lourenço Marques. Panoramas da Cidade. Vistos em 1929 pelos fotógrafos ao serviço de Santos Rufino. Revistos em 2001 por Machado da Graça“.
Raríssimo exemplar sublinho, pois desta edição só são conhecidos dois exemplares. Aqui o deixo ao conhecimento público, reproduzindo ainda dois dos postais nela incluídos. Considero que seria um crime deixá-la no limbo em que tem subsistido. O Ma-schamba presta pois um serviço público, internacional até.
“Um interessante grupo de tocadôras de “marimbas”, em Mocodoene“
Maio 17th, 2004 — Santos Rufino
Sobre os postais de Santos Rufino
Março 10th, 2004 — António Botelho de Melo, Santos Rufino
Para quem, como eu, não possui os albuns nem a colecção de postais, limitando-me a usar o temível scanner para os poder apresentar, não posso de gemer de inveja pelas posses apregoadas.
Aqui segue:
A história dos postais do Rufino é bem interessante. O trabalho foi feito por uma equipa de alemães duma firma fotográfica creio que de Hamburgo, que estiveram em Moçambique em 1927 e que fotografaram a então colónia para um trabalho que consistia em postais e uma colecção de 10 álbuns fotográficos, sendo os quatro primeiros da cidade e distrito de Lourenço Marques. A qualidade das fotografias - tudo produzido na Alemanha de Weimar - é inegável e o seu valor histórico evidente. Muitas delas são panorâmicas e de uma beleza sem par. Os postais foram feitos a partir desse trabalho. Eu tenho (em Lisboa, para variar) duas colecções dos 10 álbuns, pois tive uma quando tinha 12 anos de idade e perdi com a debandada daqui à medida que a Frelimo assegurava que iria instalar uma ditadura comunista. Anos mais tarde, através de antiquários, fui recompondo a colecção. Como sou teimoso, acabei com duas.
O Santos Rufino era uma figura de LM e tinha uma loja de artigos de papelaria. Acho que há um prédio algures com o nome dele. A produção de postais foi de tal ordem que, quando visitei Maputo em Dezembro de 1984, dez anos depois da independência e residente nos Estados Unidos, e aqui reinava a maior miséria da era do “repolho e carapau”, consegui encontrar centenas dos postais numa alfaiataria dum velhote monhé na parte velha da baixa, que mos vendeu todos a dez meticais cada - para ele uma fortuna, para mim quase nada. Depois disso, vivia eu nos EUA, passei anos a enviar postais do Rufino a toda a gente que eu conhecia…a partir de Boston. Ainda tenho alguns lá por casa.
Mais importante que isso tudo, é o facto de a Lourenço Marques dos anos 20 e 30 do século passado ter sido uma cidade inacreditável de seu próprio direito, com uma cultura própria, luso-sul-africana, um ambiente de trabalho e convívio que não se via em mais parte alguma, com o maior número de “kiosks” por km2, cinemas, a sua própria casa de ópera - o Teatro Varietá - e uma arquitectura sem rival. Ainda tive a sorte de crescer e ver alguma dessa arquitectura ao vivo, mas que foi sendo adulterada à medida que crescia a pressão com o desenvolvimento que precedeu o 25 de Abril em 1974. Os álbuns do Santos Rufino retratam essa cidade no seu auge de entre-guerras.
As fotografias também são boa fonte para uma análise do aparecimento do urbanismo em Moçambique, já que a população negra, com hábitos, tradições e culturas completamente distintas, residia quase a 100 por cento no mato. As cidades eram um fenómeno estritamente colonial, muito localizado, completamente distinto da realidade rural. Só mais tarde, com o Salazar e o seu Acto Colonial de 1932 (ou 3) e legislação associada - aliás estritamente uma “copy-paste” da legislação francesa da altura - é que vieram com aquelas ideias do branco de primeira e de segunda, do assimilado e o não assimilado, etc, o que teve impacto na urbanização e em quem podia ou não viver nas zonas urbanas.
Um abraço do
António Manuel Silva Botelho de Mello
Inhambane
Março 9th, 2004 — Santos Rufino
















