Para os vizinhos também admiradores de Ruy Duarte de Carvalho (pelo menos tu, P… G.), já agora homem que por aqui viveu no início dos anos 70 e que agora poderia vir de visita (se as “redes da lusofonia cultural” se lembrassem), notícia de Prémio Literário, de homenagem, de ciclo de apresentação da obra cinematográfica, de peça de teatro nele baseada e, mais do que tudo, de novo livro (e aqui um belo texto sobre um seu belo e velho livro). Tudo mais do que merecido - e entretanto lembro a inauguração do ma-schamba.
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Prémio Literário
Fevereiro 15th, 2008 — Antropologia, Ruy Duarte de Carvalho
Dezembro 3rd, 2007 — Ma-Schamba, Ruy Duarte de Carvalho
falaste? turvaste a água!
Março 3rd, 2005 — Rue Catinat, Ruy Duarte de Carvalho
é morte de homem?
a que cheira então?
isso que fede é o cheiro da injúria, da afronta
da escória da memória.
falaste, soltaste a língua
abriste a palavra aos outros:
vem-te à boca agora
o hálito alheio
e respiras o sabor
do que tinhas engolido.
vai à lenha e volta
a novidade espera.
onde ir à água que a não deixes turva
e aonde te vais mostrar
que não te exponhas ao mundo?
da rama estéril, quem fala?
a inveja visa é lá, é onde tem.
*
hálito alheio:
memória da escória
[Ruy Duarte de Carvalho, Observação Directa]
A Schamba
Março 1st, 2004 — Rue Catinat, Ruy Duarte de Carvalho
Sobre a terra trabalha, e como ninguém, o senhor “Carvalho”.
“…a lances de catana e de machado desfaz a rama e a trama dos espaços virgens. Prepara um espaço para a nova lavra, esgotado o humus de uma lavra antiga. Alarga a circunferência de chão raso. Devolve o sol à terra e dá-lhe a mansa forma de um corpo fecundável e passivo. O tronco nu progride mata a dentro. Governa os braços firmes e velozes, confere exactidão ao gesto azado. E os fustes, gemem, fendidos pelo golpe. Martela, vigoroso, a rijeza maior de alguns dos paus, depois transforma em lenha as copas derrubadas…”
E assim continua por páginas várias, possuidor que é de incontáveis artes e engenhos, decerto porque de pactos com os seus diabos.
(“Como se o Mundo Não Tivesse Leste”, Cotovia, 117 )
A Schamba
Fevereiro 29th, 2004 — Ruy Duarte de Carvalho
Sobre a terra trabalha, e como ninguém, o senhor “Carvalho”.“…a lances de catana e de machado desfaz a rama e a trama dos espaços virgens. Prepara um espaço para a nova lavra, esgotado o humus de uma lavra antiga. Alarga a circunferência de chão raso. Devolve o sol à terra e dá-lhe a mansa forma de um corpo fecundável e passivo. O tronco nu progride mata a dentro. Governa os braços firmes e velozes, confere exactidão ao gesto azado. E os fustes, gemem, fendidos pelo golpe. Martela, vigoroso, a rijeza maior de alguns dos paus, depois transforma em lenha as copas derrubadas…”
E assim continua por páginas várias, possuidor que é de incontáveis artes e engenhos, decerto porque de pactos com os seus diabos.
(”Como se o Mundo Não Tivesse Leste“, Cotovia, 117 )
Lavoura
Dezembro 3rd, 2003 — Ruy Duarte de Carvalho
“…a lances de catana e de machado desfaz a rama e a trama dos espaços virgens. Prepara um espaço para a nova lavra, esgotado o humus de uma lavra antiga. Alarga a circunferência de chão raso. Devolve o sol à terra e dá-lhe a mansa forma de um corpo fecundável e passivo. O tronco nu progride mata a dentro. Governa os braços firmes e velozes, confere exactidão ao gesto azado. E os fustes, gemem, fendidos pelo golpe. Martela, vigoroso, a rijeza maior de alguns dos paus, depois transforma em lenha as copas derrubadas…”
(Ruy Duarte de Carvalho, Como se o Mundo Não Tivesse Leste, Cotovia, p. 117 )
