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Exposição Retrospectiva de Ricardo Rangel

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A partir de 21 de Outubro, no Franco-Moçambicano, um mês para a retrospectiva de Ricardo Rangel. A ver. E a esperar que a produção seja esmerada - digo-o pois o sítio não é bom para exposições, para além do habitual descuido nas montagens e da tradição da inexistência de materiais complementares às exposições. Num caso destes exigir-se-á um verdadeiro catálogo, ainda para mais.

É de antever que estes “50 anos” tenham surgido para serem integradas na Photofesta - infelizmente cancelada. Se assim foi será de esperar um cuidado particular, uma verdadeira produção, aquilo que Ricardo Rangel merece. Nesse caso será, indiscutivelmente, o acontecimento do ano.

Rangel

No Caminhos da Memória nota sobre “Ferro em Brasa”, o filme de Licínio de Azevedo sobre Ricardo Rangel.



Boa notícia é regressar a Maputo e encontrar o precioso “Pão Nosso de Cada Noite” de Ricardo Rangel (edição Marimbique) nas livrarias, e distribuído com quantidade.

Foto-jornalismo ou Foto-confusionismo

[Ricardo Rangel, Foto-Jornalismo ou Foto-Confusionismo, Maputo, Imprensa Universitária, 2002]

Não é um manual de Foto-Jornalismo. É um livro para aprender. Demonstrando caso a caso as idiotices na publicação jornalística das fotografias (foto-confusionismo, claro está), a ironia de Rangel - lendária e aqui quase infinita - quase resvala para o sarcasmo. Mas isso apenas porque os exemplos recolhidos são peças únicas, monumentos. Colectados em categorias elucidativas: “Foto-Aberrantismo”, “Foto-Confusionismo”, “Foto-Copulismo”, “Foto-Ilusionismo”, “Foto-Ilogismo”, “Foto-Repetitismo”, “Foto-Anti Jornalismo”, “Foto-Jornalismo”, “Foto-Esbanjismo”.

Muito presente, norteando parte do trabalho, a tentativa de transmitir aos fotógrafos e editores o valor comunicacional da fotografia. Que se basta a si própria. E nisso a luta contra a redundância da palavra escrita, da legendagem. Acompanhada do apelo (maiêutico) à inteligência do escriba quando complementar.

Deixo exemplo paradigmático:

[a legenda da foto no jornal diz: “Numa luta contra a imundície e falta de pudor, até a redundância serve neste aviso que a imagem ilustra: “É proibido mijar e fazer xixi“.

Rangel, implacável face à meta-redundância comenta: “O autor da legenda também caiu em redundância mas ficou-se pelo meio. Faltou-lhe acrescentar que a multa é de 50 000 MT e que é proibido urinar nesse lugar…” [p. 55]

Atenção, a minha transcrição não se quer redundância (supra-meta), apenas se deve a que reprodução da página do livro não ficou muito explícita, daí que é mera ajuda para olhos mais cansados]

Uma lição socrática para o (foto)jornalismo moçambicano. Mas….a palavra dos velhos já não é tão escutada como o terá sido.

[Entrada repetida, colocada no velho Ma-schamba em 8 de Fevereiro de 2005. Aqui de novo pois estava a colocar outras entradas dessa data e esta (a)pareceu-me actualissima.]

Carlos Cardoso

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[Carlos Cardoso e o filho, Ibo. Fotografia Ricardo Rangel.
Reproduzido de Paul Fauvet e Marcelo Mosse, É Proibido Pôr Algemas Nas Palavras. Carlos Cardoso e a Revolução Moçambicana, Maputo, Ndjira, 2003]

Cumprem-se hoje 5 anos (já!) do assassinato de Carlos Cardoso. Às 18 h. haverá homenagem no local do atentado. Até logo.

Chez Rangel

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Estabelecido num edifícios mais bonitos da cidade, a estação dos CFM, e da gare fazendo bela esplanada, aí está o novo clube de jazz em Maputo: Chez Rangel, casa aberta pela união do velho Rangel com o velho Quadros. Música gravada à semana, ao vivo nas matinées de sábado - essas que já vão demorando até começar domingo, coisas da sua qualidade e do bom ambiente. Estes a misturarem-se e a fazerem-se.

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Vai ganhando, ou seja vai ficando. E, nada pormenor, pormaior até, o menu de balcão em processo de assumir-se. Registo-lhe agora a dignidade, extrema, do inusitado recuperar do feijão-jugo, ali aperitivo. Vénia a quem assim do tradicional faz original, escapando ao aqui constante esquecimento do que é local.

A muito animar-se a casa nestes seus dois meses. Já frequência de gentes misturadas, numa faixa entre os dos late 20s e os já nos early 80s. Assim não vai mal. Recomendável. E ainda para mais porque as chuvas hão-de chegar, a acabar este frio e a fazer mais esplanada.

Aqui o bloguista cede a si próprio deixando-se publicitar ter sido o 1º cliente da casa a pagar uma bebida - é estatuto, acho.

Livros moçambicanos, modo de adquirir alhures (cont.)

A aquisição em Portugal de livros moçambicanos (abaixo abordada) é efectivamente possível via Escolar Editora. O Nuno Ferreira abaixo comentou que já recebeu livros por esta via, indo hoje buscar o “Pão Nosso de Cada Noite” de Ricardo Rangel que, assim denotando muito bom gosto, encomendou.

Assim fica o aviso, com prova empírica, do como obter os livros aqui editados. Aviso geral, e em particular para os vários interessados que via email (ou comentários) me têm questionado sobre as formas de comprar o livro do Rangel ou outros. Repito, é usar o email

servicos[o tal arroba]livraria-escolar-editora.pt

Fotografias de Bolso

Conheço-a agora, uma presumível colecção de livros de bolso com fotógrafos moçambicanos. Presumível colecção pois não sei se estão projectados novos títulos, para além destes três.

Boa edição francesa (Éditions de l’Oeil), textos em português e inglês, não deslustra quanto à impressão, bom papel, um preço muito acessível (60 mil meticais), um excelente cartão de visita dos autores. Belos objectos. A fazer esgotar.

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[Ricardo Rangel Fotógrafo, Éditions de l’Oeil, 2004; texto de Calane da Silva]

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[Mauro Pinto Fotógrafo, Éditions de l’Oeil, 2004; texto de Jean-Louis Mechali]

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[Luís Basto Fotógrafo, Éditions de l’Oeil, 2004; texto de Berry Bickle e Luís Basto]

Publicações financiadas pelo Serviço de Cooperação e de Acção Cultural da Embaixada de França em Moçambique.

E sobre esta última matéria calo-me, que de retórica em retórica, de pompa em pompa, sempre me questiono do porquê patrício.

Major Araújo Blues

Quando me chegaram as provas do livro avisei:

o “Pão Nosso de Cada Noite“, do Ricardo Rangel, está a chegar. Finalmente, décadas à espera. Saúde-se o Saúte, Nelson claro. Esse da Marimbique editora. Saúdo, invejoso, que este tão quis editar. Saúdo invejoso e grato.

São vinte anos da prostituição da Rua Araújo do porto laurentino, essa que lá continua agora Bagamoyo, capital Maputo. Sempre no Xilunguine.

(Apetecido quintal de caniço [1961])

Já o disse, não é um documento, não é história nem etnografia. E muito menos é a denúncia. É a noite, aquela vida, a muita beleza das mulheres, a muita música. E Rangel a olhar, a viver. Olhar atento, lente aberta. Lente atenta e muito olhar aberto. Que se a película é preto e branco não o é a vida. Fica um mar de companheirismo, o saber do mundo.

(As Três Marias [1970])

Rangel é desses tão raros homens do tamanho da vida. A entoar-nos este Major Araújo Blues.

[lançamento a 15 de Fevereiro, provavelmente na Mediateca do BCI, rua Joaquim Lapa, Prédio Casa Pfaff, por ocasião do 81º aniversário do autor]

Foto-Jornalismo ou Foto-Confusionismo

[Ricardo Rangel, Foto-Jornalismo ou Foto-Confusionismo, Maputo, Imprensa Universitária, 2002]

Não é um manual de Foto-Jornalismo. É um livro para aprender. Demonstrando caso a caso as idiotices na publicação jornalística das fotografias (foto-confusionismo, claro está), a ironia de Rangel - lendária e aqui quase infinita - quase resvala para o sarcasmo. Mas isso apenas porque os exemplos recolhidos são peças únicas, monumentos. Colectados em categorias elucidativas: “Foto-Aberrantismo”, “Foto-Confusionismo”, “Foto-Copulismo”, “Foto-Ilusionismo”, “Foto-Ilogismo”, “Foto-Repetitismo”, “Foto-Anti Jornalismo”, “Foto-Jornalismo”, “Foto-Esbanjismo”.

Muito presente, norteando parte do trabalho, a tentativa de transmitir aos fotógrafos e editores o valor comunicacional da fotografia. Que se basta a si própria. E nisso a luta contra a redundância da palavra escrita, da legendagem. Acompanhada do apelo (maiêutico) à inteligência do escriba quando complementar.

Deixo exemplo paradigmático:

[a legenda da foto no jornal diz: “Numa luta contra a imundície e falta de pudor, até a redundância serve neste aviso que a imagem ilustra: “É proibido mijar e fazer xixi“.]

Rangel, implacável face à meta-redundância comenta: “O autor da legenda também caiu em redundância mas ficou-se pelo meio. Faltou-lhe acrescentar que a multa é de 50 000 MT e que é proibido urinar nesse lugar…” [p. 55]

Atenção, a minha transcrição não se quer redundância (supra-meta), apenas se deve a que reprodução da página do livro não ficou muito explícita, daí que é mera ajuda para olhos mais cansados]

Uma lição socrática para o (foto)jornalismo moçambicano. Mas….a palavra dos velhos já não é tão escutada como o terá sido.

Pão Nosso de Cada Noite


Está pronto e belo, que há alguns dias tive as provas na mão, o tão esperado (anos de espera militante) livro de Ricardo Rangel, “Pão Nosso de Cada Noite“, fotografias preto-e-branco na noite dos anos 60 e 70 da então rua Major Araújo (hoje Bagamoyo), à época coração da boémia e prostituição da cidade.

Não, não é um documento, nem história, nem etnografia, e muito menos denúncia. É a noite, aquela vida, a muita beleza das mulheres, a muita música, e Rangel a olhar, a viver.

[Uma edição Marimbique, estará à venda muito provavelmente em Janeiro, a festa será em Fevereiro].

Iluminando Vidas (II)

O excelente Janela Indiscreta ecoa a apresentação da exposição fotográfica “Iluminando Vidas. Ricardo Rangel e a Fotografia Moçambicana“, na Culturgest do Porto até 9 de Dezembro.

[Também aqui referida]

Da Janela Indiscreta aproveito ainda reprodução do cartaz.

Iluminando Vidas

(reprodução do convite para a exposição no Museu Nacional de Etnologia, Nampula, decorrida em Maio de 2004)
Inaugurou ontem, 9 de Outubro, na Galeria Culturgest no Porto a exposição Iluminando Vidas. Fotografia Moçambicana 1950-2001. Ricardo Rangel & the Next Generation, e demorar-se-á até 12 de Dezembro.
Mais do que aconselhável. Para o apreciador de Moçambique. Para o curioso da fotografia. Vice-versa. E para os amantes de ambos.
Fotos de Rangel, Kok Nam, Rui Assubuji, Luís Basto, José Cabral, Joel Chiziane, Funcho, Alexandre Fenias, Martinho Fernando, Albino Mahumana, Fehart Vali Momade, Alfredo Mueche, Alfredo Paco, Sérgio Santimano, Naíta Ussene.

E será mais do que avisado levar para casa o livro. Moçambique. Um Moçambique de história e pessoas. Umas fotógrafas outras fotografias. Se não estiver à venda restar-vos-á a inveja.

Uma nota, nem muito lateral. Vejo que a Culturgest escolheu para o cartaz uma célebre foto de Rangel (que já aqui reproduzi).


Uma foto emblemática, simbolizando uma história que alguns continuam a querer barrar com o mel da luso-tropicalismo, da lusofonia, o que quiserem. Acima de tudo armados de essencialismos. E tudo isso desnecessário - mas isso é assunto para outros textos.

Desde anteontem que Ricardo Rangel é octogenário. E quão bem ele em tal se tornou. Aqui antepassado e sempre mestre da fotografia. E também amante, divulgador e organizador do jazz em Moçambique, nunca esquecer. E a embrulhar um rumo que lhe tem sido cheio e belo vem a sua muito especial fineza e aquele humor irónico que tanto tem de implacável como de gentil. Face a ele um misto de encanto e de inveja, é o que sempre me ocorre.

Para além de tudo isso ainda a memória de ter sido ele um daqueles que inventaram a moçambicanidade, ali em remoínhos de jovem com outros poetas, Noémia de Sousa, José Craveirinha, similitudes tantas que ainda chamam quem as sublinhe. Como tão bem o fez o José Luís Cabaço, durante a bonita, jazzy e porreira festa de domingo na AMF, a lembrar que nas fotos de Rangel se tinha transformado de laurentino em moçambicano.

As fotografias, a indignação, a ironia. E assim uma incessante e inteligente luta, ainda hoje. E sempre bela.

Depois, e sem surpresa, noto que quando lhe vejo as fotos é o meu povo aquele que ele transporta.

Repetido abraço de parabéns e mais um beijo à Beatrice.

[Fotos roubadas ao “Iluminando Vidas”]