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Fevereiro 19th, 2010 — Ana Cristina Nogueira da Silva, História, Postais Moçambique, Santos Rufino

Um excelente texto da historiadora Ana Cristina Nogueira da Silva (ACNS), Fotografando o Mundo Colonial Africano. É um texto académico (no jargão “paper”) que pode afastar alguns leitores mais atreitos ao registo blog, mas mais do que justifica a sua leitura. Trata-se de uma bela análise dos processos intelectuais presentes na iconografia produzida no tempo colonial sobre as colónias africanas, tomando como exemplo os álbuns produzidos por Santos Rufino na década de 1920 sobre Moçambique. ACNS aborda, com clareza, os estereótipos sobre a natureza e sobre as populações que estão presentes / e são produzidos no acto de fotografar, bem como os propósitos (conscientes ou inconscientes) de índole política que estavam presentes no formato descritivo de então. Se interessante para quem tem apreço pela historiografia é um texto também fundamental para quem aprecia (e reproduz) as galerias de “postais” e “fotografias” de um tempo particular. Para pensar como se pensava, para ver como se via. E como se pensa e vê, em tantos casos.
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Fevereiro 15th, 2010 — Arquitectura Moçambique, História Moçambique, Maputografia, Postais Moçambique

Construções na praia da Polana há cem anos. Ao fundo a colina da Ponta Vermelha. Note-se que a actual marginal foi roubada às colinas e que naquela altura não era possível vir da baixa para a praia da Polana a não ser a pé pela praia ou, mais tarde, pela Estrada do Caracol e pelo eléctrico que descia uma rampa atrás do Clube Naval que hoje creio que está fechada.
por ABM (Cascais, 15 de Fevereiro de 2010)
Na noite em que o Senador JPT nos brindou com a periclitâncias do termo machimbombo, eu coloquei uma outra questão: e de onde veio o nome “Polana”?
Sendo que eu nasci, cresci e vivi na Polana (bem, no dia em que nasci meus pais estavam acampados no aquartelamento de Boane, onde o pai BM era um tenente miliciano. Mas a mãe BM tinha vindo à cidade ver o filme Casablanca com uma amiga e já não foi para o cinema, foi directa para o Hospital Miguel Bombarda onde nasci às 20 horas de 30 de Janeiro de 1960).
Primeiro, um ponto de ordem. Antes da independência, aquilo a que se chamava Polana era uma área geográfica muito específica da cidade, circunscrita (e escrevo isto de cabeça) a Norte pelo Hotel Polana e pela chamada Carreira de Tiro (ainda hoje há uma farmácia com esse nome, é para aí), a nascente pelas barreiras e a Rua Friedrich Engels (acho antigamente se chamava a Rua dos Duques de Connaught mas não tenho a certeza, é aquela onde fica o Miradouro), a Sul pela Ponta Vermelha (que era literalmente uma língua de terra, do Palácio até às barreiras) e a Poente pela Maxaquene, que era mais ou menos na rua onde fica a Pastelaria Princesa.
Hoje não percebo nada. Fala-se em Polana Cimento, em Polana Caniço, não entendo muito bem a razão para o realinhamento dos bairros mas também não interessa.
O importante é que o nome está lá há muitios anos.
Mas então, de onde vem?
“Polana” não é um termo ou um nome português. Nem é referenciado em parte nenhuma na história dos portugueses.
Uma consulta na internet indica que em polaco, “polana” é o nome dado a uma clareira numa floresta – sendo que “polanski” é o nome de alguém que vive nessa clareira. Em grego, supostamente, deriva de Apollina, nome feminino do nome de (por exemplo) o deus grego Apollo, significando “sol”.
Mas poderá ser um nome africano? mais precisamente, houve um régulo chamado Polana? Numa peça publicada pelo inolvidável João Craveirinha sobre Maputo (na qual conclui que a capital de Moçambique devia ser mudada para o centro do país), o sobrinho do Sr. José Craveirinha a certa altura escreveu o seguinte:
O mesmo Lobato fazia alusão às invasões vindas do norte, dos grandes Lagos, foz do rio Nilo Branco, de que nos falaria outro grande historiador de Moçambique, Caetano Montez quando referia que: “(…) a gente do Tembe foi invasora como também o foi a de Mpfumo (…) Maputo é um ramo da dinastia do Tembe: Matola é um ramo da dinastia de Mpfumo (…)” Caetano Montez, ainda na sua obra “Os Indígenas de Moçambique”, diz (…) A casa da Matola (Matsolo) provinha de In-lha-rúti (Mpfumo), o invasor das terras da margem norte da baía, vindo com a sua gente de Psatine (Suazilândia). Seus filhos Mpfumo, Polana, Massinga e nuá-Intiuane repartiram as terras como vassalos do pai. Nuá-Intiuane (deu Tivane) ficou com as que denominariam Matola.
Segundo estas indicações, é então plausível que os terrenos onde dantes se situava a “velha” Polana, poderão ter pertencido ao tal Polana, filho do tal invasor que que veio da Suazilândia não se sabe bem quando. Mas então, cadê do Sr. Polana? Haverá registos de transacções imobiliárias dessa altura?
Na sua dissertação para o grau de Doutora pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1979, Maria Clara Mendes a certa altura refere a compra, em 1914, pelo Estado, dos terrenos compreendidos entre “a Rua de Nevala, a praia da Polana e a Rua Bérrio, que compreendem actualmente a Polana e a Sommerschield”.
Num detalhado relato sobre a construção, concluída em 1922, do Hotel Polana, a que tive acesso, é de facto referida a aquisição dos terrenos onde o hotel hoje se situa ao Estado pela Delagoa Bay Lands Syndicate, a empresa que ganhou o contrato para a sua construção.
Só que, que eu saiba, o nome Polana não é nada comum nos grupos étnicos que entravam e saiam da região da Baía – nem me parece ser particularmente “suázi”. Mas apelo aos exmos leitores que saibam alguma coisa que ajudem a fechar este puzzle.
O HOTEL POLANA

Hotel Polana, imagem de um postal da época
Sobre este tema, não vou inventar a roda, pois, enterrado algures na Geocities há um excelente artigo de José Maria Mesquitela que, com profunda vénia, cujo texto transcrevo em baixo. De notar que este texto deve datar cerca dos anos 90, antes da concessão do Hotel Polana ter sido cedida à organização Aga Khan e o seu nome ter sido alterado para Polana Serena Hotel (e lamentávelmente, o edifício pela primeira vez ter sido pintado de creme em vez do habitual branco).
O texto:
“A construção de um grande e luxuoso hotel para servir o turismo rico foi ideia que nasceu cerca de 1917 em Lourenço Marques.Como todas as iniciativas audaciosas, teve defensores e detractores. Havia altos interesses em jogo.
Longa fora a jornada, primeiro que a ideia se concretizasse e ao fazer a história do empreendimento de forma alguma se pode esquecer o nome do coronel Alexandre Lopes Galvão que por ela se bateu. Ele próprio se referiria mais tarde, a esses tempos difíceis, em carta de 26 de dezembro de 1950, que escreveu a um amigo de Lourenço Marques :
…” Chego a Lourenço Marques em 1917, verifiquei que não havia ainda um hotel para receber ´pessoas de categoria, que nos visitavam. Passei a fazer parte do Conselho de turismo, onde pontificava o comandante Augusto Cardoso, dono do Cardoso Hotel.
De variadíssimas inssistências para que o Conselho tratasse de arranjar para Lourenço Marques um hotel decente, cheguei à conclusão que o assunto não interessava ao Conselho.
Apareceu-me nessa altura Adriano Maia, que me disse que os seus amigos do Transvaal estavam dispostos a fazer um grande hotel em Lourenço Marques, em determinadas condições. Ouvi-o, ouvi as condições, que me pareceram aceitáveis e levei o caso ao conhecimento do Massano de Amorim. Este achou bem e autorizou-me a negociar.
O Comandante Cardoso, ouvindo falar do caso, foi para o Conselho de Turismo, e diz: Ouvi dizer que há negociações para se fazer um hotel. E, olhando para mim, acrescentou: Alguém sabe dizer alguma coisa do que se passa? Resposta minha: Eu sei, mas não estou autorizado a dizê-lo. Mas como o Conselho despacha directamente com o Governador-Geral, é-lhe fácil saber o que há.
Na noite desse dia recebo no Hotel Cardoso uma carta do Comandante Cardoso dizendo cobras e Lagartos ! e cortando as relações comigo.
Mostrei a carta ao Mariano Machado e este pediu-me autorização para ir falar no assunto ao Comandante. E foi. Vem com a resposta de que jamais reataria relações comigo.
Levadas as negociações a bom termo, os capitalistas foram a Lourenço Marques e o Inspector Góis Pinto foi autorizado a lavrar o contrato.
O Comandante Cardoso perde a cabeça e faz um manifesto patriótico ap povo de Lourenço Marques, assinado por ele e pelo arrendatário Luís Boschian, Italiano.
O Massano, nessa altura, foi para o Norte da Colónia e ao chegar a Inhambane recebe um telegrama assinado pelo comandante Cardoso e creio que pelo Boscgian, protestando contra a construção do hotel. O Chefe de gabinete foi quem lhe deu conhecimento e o Massano de Amorim disse-lhe: “responda-lhe dizendo que vá ver da…”
Em resumo: se Lourenço Marques passou a ter um belo hotel, inaugurado em Março de 1922, a mim o deve.
Ficou a representar os capitalistas o velho Leão Cohen. Eu estava na África do Sul, nessa ocasião, onde tinha ido com Freire de andrade na Missão Diplomática que havia de negociar uma nova convenção. Pois ninguém se lembrou de me convidar para a inauguração, que se fez com um certo aparato. E nem ao menos o meu nome foi lembrado nos discursos laudatórios, então pronunciados.”
Alexandre Lopes Galvão
Em outubro de 1918, foi aberto um concurso pela Delagoa Bay Lands Syndicate , apresentado pelos Senhores A.W.Reid & Delbridge, arquitectos de Johannesburg e Cidade do Cabo, para a construção do Hotel Polana, ao qual concorreram sete firmas construtoras, das quais, apenas uma era Portuguesa, conforme abaixo:
- Hill Mictchelson, de Johannesburg, classificado em segundo lugar.
- Ferreira da Costa, de Lourenço Marques
- Philip Treeby, de Johannesburg
- Herbert Baker & amp; Fleming, de Johannesburg
- H.W.Spicer, de Johannesburg
- R.L.McCowat, de Johannesburg
Os planos foram postos em exposição no Conselho de Turismo, e aprovada pelo Governo a construção do novo Hotel na Polana pela Delagoa Bay Lands Syndicate, por ser a proposta mais barata apresentada. Ficou o compromisso que o Hotel seria construido em 19 meses. Os proprietários do hotel instalarão uma planta para fornecimento de luz elétrica e um frigorífico.Com isto, com mobília, ascensor para a Polana, e direitos, etc, o custo total do Hotel ficou estimado em 200 000 Libras.
O Governo garantiu ao Sindicato 6% anuais sobre o capital empregado durante dez anos, assim como garante algumas concessões.
Projecto de um arquitecto famoso
O projecto desse hotel em estilo “Palace” foi de autoria de um não menos famoso arquitecto inglês, Sir Herbert Baker, autor do projecto do majestoso edificio da “Union Buildings”, em Pretória. A sua construção foi dirigida pelo engenheiro Hugh Le May.
Inauguração
Iniciada a sua construção, devido à iniciativa do Coronel Lopes Galvão, que foi sem dúvida alguma a alma deste notável empreendimento turístico e que no governador-geral, general Massano de Amorim, encontrara sólido apoio, o Hotel Polana inaugurou-se no dia 1 de Julho de 1922.
Foi um acontecimento de grande relevo na vida da cidade. A assinalar a data, a Delagoa Bay Lands Syndicate, que se fez representar por Leão Cohen, ofereceu nesse dia um almoço solene.
Na mesa em U armada na elegante sala de jantar do Hotel Polana, sentaram-se 131 convidados. Na presidência, à cabeceira da mesa, Leão Cohen, dava a direita ao Alto Comissário, Dr. Brito Camacho, ao cônsul de Sua Majestade Britânica, Hall , e ao secretário-geral, Dr Mário Malheiros. À sua esquerda sentavam-se o inspector das Obras públicas, Eng. Monteiro de Macedo, o cônsul da França, G.Savoye, o chefe do Estado-Maior, coronel Santana Cabrita e o cônsul dos Estados Unidos, Hazeltine.
A construção acabou beirando o valor de 300.000 Libras, mas foi considerado na época uma das construções mais perfeitas e modernas e sem rival nos portos do Sul, havendo muito poucos hotéis na Europa semelhantes.
Ele tinha vida própria para a sua laboração: máquinas geradoras de electricidade e aquecimento, Frigorífico, Lavandaria eléctica, Fábrica de sodas, Telefones e água quente em todos os quartos, e para tudo ser completo, estava programado para questão de dias um serviço permanente de correios e telégrafos, permitindo assim aos seus visitantes expedir cartas, telegramas, radiogramas e até encomendas postais para todas as terras e navegação.
A inauguração do Hotel, também mexeu significativamente no movimento da cidade, pois um mês e meio depois da inauguração, os carros elétricos começaram a transitar até ao bairro da polana, com uma paragem obrigatória no Hotel.
Na área externa do hotel, tinha um lindo campo de golfe , quadras de ténis e jardim que o embelezavam.
Assumiu a gerência do hotel, o Sr. Kershaw, auxiliado por sua esposa.
O hotel deu ênfase ainda ao turismo na cidade de Lourenço Marques, que assim passava a contar com um ponto de super luxo, e delegações de vários paises, tais como a própria África do sul e países vizinhos, ou de Italianos e até Brasileiros que começaram a ser trabalhadas as excursões a Moçambique.
O Hotel muda de mãos
Em junho de 1936 o hotel mudou de mãos pela primeira vez. Tendo a Delagoa Bay Lands Syndicate posto o imóvel à venda, a oportunidade foi aproveitada pelo milionário I.W.Schlesinger, que o adquiriu pela importância de 400.000 Libras. Pouco depois a empresa foi registada sob a designação de “Polana Hotel, Lda”, sociedade com o capital de um milhão de libras.
Tempos passados, a African Consolidated Investments Corporation, uma das muitas organizações de Schlesinger, passou a ser a maior accionista da empresa exploradora do hotel, que pouco depois passou para a African Caterers, também importante organização do grupo de companhias Schlesinger.
No periodo que precedeu a II Guerra Mundial conheceu anos de prosperidade, projectanto-se internacionalmente nos mapas turísticos como um dos mais importantes de toda a Àfrica, depois de Cairo e do Carlton, de Johannesburg.
Nos seus salões se realizou o banquete de gala que as Forças Vivas de Moçambique ofereceram em honra do presidente da República Portuguesa, Marechal António Óscar de Fragoso Carmona, o primeiro Chefe de Estado que visitou oficialmente Moçambique, em 1939.
Durante a II Guerra
Quando a 1 de setembro de 1939, com a invasão da Polónia pelo exercito alemão, rebentou a II Grande Guerra, ao Hotel Polana, pela sua privilegiada situação de hotel de luxo e ponto de reunião da nata da sociedade lourenço-marquina, coube desempenhar, pela força das circunstâncias, outro curioso papel: o de centro elegante de espionagem e de intriga Internacional.
Durante a II Guerra, o Hotel Polana gozou de reputação internacional porque, tendo Portugal proclamado a neutralidade, os agentes secretos tanto dos Aliados como das potências do Eixo (Alemanha e Itália) Puderam ali dedicar-se com certo à-vontade a práticas de espionagem e de contra-espionagem. Os espiões dos dois lados, passaram naturalmente a servir-se desse luxuoso hotel de uma cidade portuária para campo de sua acção.
Assim, agentes secretos Sul-Africanos, Ingleses, Americanos, alemães e Italianos, cumprimentavam-se cerimoniosamente quando se cruzavam nos seus longos corredores, nos seus salões ou no “Bar”.
Um dos agentes mais notáveis que por ali passou foi o tenente-coronel J. Stevenson-Hamilton, então fiscal de caça do Kruger Park. Em suas memórias, descreve a missão mais agradável, quando teve que se infiltrar em Lourenço Marques, instalado no Hotel Polana, quando descobriu que, em principio de Junho de 1940, quando correu um boato que os Alemães haviam invadido e tomado Lourenço Marques e se preparavam para invadir a África do Sul via Komatipoort, que se tratava de um boato propositadamente implantado por agentes alemães que operavam em Lourenço Marques, numa rede de espionagem bastante eficiente. possuiam emissoras clandestinas que mantinham os submarinos nazis que operavam no Canal de Moçambique bem informados dos movimentos dos navios aliados no porto de Lourenço Marques.
O chefe dos espiões era um importante membro da Gestapo. O “Quartel-General “era o Hotel Polana.
O Hotel na mão dos Portugueses
Em 1963, John Schlesinger, filho e herdeiro do milionário que havia adquirido em 1936 o famoso estabelecimento hoteleiro, vendeu-o a uma empresa onde os capitais Portugueses eram solidamente presentes, entre eles um dos dos acionistas era o Eng. Manuel Arouzo, que foi o braço forte do Hotel durante anos, até que um problema com o seu procurador o fez sair da sociedade.
Nesta fase foi ampliado e construída a sua piscina tão tradicional e ainda um novo anexo, o Polana-Mar, que assim atendia à demanda que cada vez mais se avolumava
O Hotel manteve o seu glamour, sempre foi frequentado pela nata da Sociedade Lourenço-Marquina, assim como por todos os turistas de peso que visitavam constantemente Lourenço Marques.
O Hotel Polana confundia sua Imagem com a da Capital de Moçambique.
O Hotel e a Independência
Com a Independência de Moçambique, após 1975, o Hotel entrou em declínio,por falta de clientes e pela degradação pela óbvia falta de pessoal e respectiva manutenção, permanecendo durante 20 anos praticamente abandonado.
Em 1994, um grupo Sul-Africano adquire o Hotel, remontando às suas origens de fundação, e com as melhoras que já sinalizava Moçambique, deu continuidade ao seu estatuto de um dos melhores hotéis de cinco estrelas do continente africano. Desde o hall, revestido a mármore, aos jardins generosos em estrelícias e coqueiros, nada é deixado ao acaso neste escaninho luxuoso, que se prepara para nova reestruturação. Curiosamente, não é apenas procurado por viajantes exigentes, mas também pelos próprios maputenses, devido à cozinha requintada e à pastelaria – o chá com scones e o cozido ao domingo são dois clássicos –, à piscina – a mais cobiçada de Maputo – e até ao ginásio. É ainda um dos lugares da cidade que são frequentados para ver e ser visto.
A IPE -Investimentos e Participações Empresariais está, em parceria com o Grupo Pestana, a negociar a compra do Hotel Polana. O grupo que detém a maioria do capital do prestigiado Hotel Moçambicano encontra-se com sérias dificuldades financeiras e pretende vender a sua participação. Caso o negócio se concretize, o Grupo Hoteleiro Português, que tem já vários empreendimentos turísticos em Moçambique, será responsável pela gestão e o controlo do Hotel Polana.
A holding do Estado português tem cerca de 1,6 milhões de contos investidos em Moçambique, nomeadamente nos sectores agro-industrial, ambiente, financeiro e em infra-estruturas industriais. Caso a co-aquisição do Polana venha a concretizar-se, o investimento do IPE deverá subir para cerca de 2,4 milhões de contos.”
E aqui está mais uma “maschambada”.
Fevereiro 7th, 2010 — Postais Moçambique
A leitora Adélia André simpaticamente enviou-nos várias reproduções de postais antigos de Lourenço Marques (reproduções anteriormente colocados neste sítio). Esta é matéria querida ao ma-schamba - e para os interessados lembro que ao longo dos anos fomos aqui colocando algumas reproduções, ligações a sítios e referências a livros sobre a iconografia antiga de Moçambique [categoria "Postais de Moçambique"]. Da colecção agora recebida deixo dois postais extremamente actuais – pois demonstrando que nem tudo é novidade:


["Acampamento de turistas boers na praia da Polana"]
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Dezembro 5th, 2009 — Postais Moçambique

por ABM (Cascais, 5 de Dezembro de 2009)
Ontem comprei este postal de Lourenço Marques para a minha colecção, que o Exmo. Leitor poderá apreciar em algum detalhe.
Na altura esta era chamada Avenida Castilho. É a rua que desce para a baixa da cidade e que primeiro a ligava à Ponta Vermelha. Bem, na altura a “baixa” era a Rua Consiglieri Pedroso, que misteriosamente reteve o nome. Por detrás de quem tirou esta fotografia já se situava o que é hoje a Embaixada Britânica em Moçambique. O edifício que se vê é hoje o Supremo Tribunal de Justiça de Moçambique, envolvido pelo Jardim Tunduru (anteriormente Jardim Vasco da Gama). Em baixo do lado esquerdo fica hoje o prédio de 33 andares.
Talvez mais curioso seja o que se vê mesmo no fim da rua, onde hoje se situam a Capitania do Porto e o indescritível Maputo Shopping Center. Só se vê a baía. Isto porque naquela altura ainda não se havia procedido aos trabalhos de aterro da vasta zona que ia (em linha quase recta) do pontão onde os barcos pegavam e largavam passageiros, até onde fica hoje o antigo Clube de Pesca, quase em frente à Ponta Vermelha. Em frente a esta antiga Avenida Castilho, onde se situa hoje a Avenida 25 de Setembro (anterior Avenida da República) ficava a praia.
Apanhava-se amêijoas ali.
Novembro 30th, 2009 — Amália Rodrigues, Curado Gama
Abaixo eu e ABM fizemos várias referências às digressões de Amália Rodrigues a Moçambique. Deixo duas imagens recolhidas no livro iconográfico “Era Uma Vez … Moçambique“, compilação de Curado Gama, editado pela Quimera (1ª edição 2004, 2ª edição 2005). Infelizmente as fotografias não estão creditadas.

(“Amália Rodrigues entre amigos e jornalistas, no aeroporto, em 1950″)

(“Amália Rodrigues com amigos no terraço do Hotel Polana”, 1950)
jpt
Outubro 13th, 2009 — Africa Austral, Fernando Pessoa, Fotografia Moçambique, História, História Moçambique, Portugal-Moçambique, Postais Moçambique

por ABM
Dando uma achega à detalhada inserção do JPT, relativa aos primeiros fotógrafos a operar em Moçambique, acima reproduzo um anúncio publicitário de J & M Lazarus, que terão operado em Barberton no fim do século XIX mais ou menos na altura em que naquela vila da então República Sul Africana Meridional (mais tarde, Transvaal, a seguir Mpumalanga) ocorrera uma corrida ao ouro falsa, depois mudaram-se para Lourenço Marques (mais tarde, Maputo), onde operaram durante alguns anos e deixaram um interessante espólio fotográfico na forma de postais e trabalhos para a então edilidade. Os irmãos Lazarus depois mudaram-se para Lisboa, onde passaram a operar, sendo mencionados nomeadamente no espólio da colecção fotográfica da presidência da república portuguesa, donde se deduz serem então considerados entre os melhores fotógrafos da capital portuguesa.
Obtive o anúncio acima reproduzido numa interessantíssima revista lisboeta, dirigida à classe burguesa, que se chama Contemporanea (sem acento circunflexo), edição de Abril de 1915, página 13.
A Europa estava então nos primeiros seis meses da I Guerra Mundial (então conhecida apenas como a Grande Guerra) e Portugal na altura ainda não fazia parte do conflito. Entraria mais tarde para salvar as colónias e porque, quase caricatamente, os militares portugueses, com tesão de mijo porventura por causa do Gungunhana, achavam que podiam jogar a sério na Liga Principal. De uma Paris assediada pelos alemães a Leste, um correspondente da revista, Justino de Montalvão, redigira um sórdido e sombrio artigo, descrevendo as vicissitudes dos parisienses, a cidade silenciosa, às escuras, sem transportes e sem vida nocturna, sob a constante ameaça dos bombardeamentos pelos zeppelins alemães.
Em Abril de 1915 a república portuguesa existia há apenas cinco anos, desde que houvera umas escaramuças em Lisboa e o rei fugira e se procedera ao envio de telegramas para as províncias e colónias a avisar que fora instaurada uma – a -república. O novo regime era caracterizado por um optimismo quase fantasioso, uma instabilidade total e um anti-clericalismo sem precedente, mas já mostrava sinais claros de estar a perder o rumo e assustado pelos efeitos de uma potencialmente catastrófica participação no conflito mundial. Estupidamente, entrou 11 meses depois: La Lys foi infame; de resto foi apenas muito mau: um submarino (o U-155, que no fim roubou uns chicharros para um churrasco) mandou uns tiros contra Ponta Delgada, a cidade do Funchal foi atacada uma vez, Paul von Lettow-Vorbeck fez o que bem quis no Norte de Moçambique durante quatro anos e houve umas chaticezitas em Angola.
No cômputo geral, os 7500 soldados portugueses mortos num único dia em La Lys (9 de Abril de 1918) permitiram que a delegação portuguesa tomasse um lugar entre os vencedores em Versailles, pedisse umas massas valentes e mantivesse o Império.
Nas páginas da Contemporanea, surpreendentemente pelo menos para mim, que tinha a impressão que a melhoria nas relações entre a República e a Igreja Católica só ocorrera com a ditadura de Sidónio Pais, há um artigo acompanhado de fotografias, atestando parcialmente esse degêlo já em Abril de 1915, alternando fotografias do General Pimenta de Castro e do seu governo (caracteristicamente breve: nomeado a 28 de Janeiro, derrubado em 15 de Maio) com imagens das procissões e missas que decorriam na capital portuguesa durante a Páscoa Católica nesse mês: um mar negro de devotos à porta das igrejas.
Nesse ano de 1915, um obscuro tradutor de nome Fernando António Nogueira de Seabra Pessoa, anestesiado por doses consideráveis de aguardente Águia Real, escrevia confusos gatafunhos e deixava frases soltas sobre literatura, misticismo e astrologia no seu livro de notas e, assinando sob o então novel pseudónimo de Álvaro de Campos, enviava uma carta indignada ao Diário de Notícias, reclamando contra o tratamento feito nas suas páginas ao Nº1 da revista Orpheu, a um artigo ali contido e escrito por “um tal” de Fernando Pessoa, e ainda ao livro, então publicado, de Mário de Sá Carneiro. A carta termina assim: ” espero da lealdade jornalística de V.Exa a inserção desta carta em lugar onde pelo menos os jornalistas a leiam. Na impossibilidade de fazer os nossos críticos compreender, tentemos ao menos levá-los a fingir que compreendem.”
Que foi o que fiz.
Outubro 3rd, 2009 — Postais Moçambique



Um bom amigo enviou-me as reproduções destes postais (pressionar para as aumentar). Sobre os quais não tenho, infelizmente, alguma informação.
jpt
Adenda: Rui M. Pereira, do fantástico Companhia de Moçambique deixou abaixo o comentário informativo, que muito lhe agradeço e que aqui transcrevo: “Estes postais foram produzidos em 1966 pela Fábrica Velosa, a principal tabaqueira do Moçambique colonial, ali ao Alto Mahé, encostada à Escola Primária João de Deus. Mais tarde, em 69 ou 70 (não estou certo) surgiriam outros com temáticas “multiraciais”, tema ainda ausente nos que aqui se reproduzem.”
Setembro 20th, 2009 — Livros Moçambique, Santos Rufino



Os célebres Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique (com ligação para a sua completa apresentação digitalizada organizada pelo projecto Memórias de África), uma fabulosa publicação iconográfica do final dos anos 1920s, foram longamente apresentados pelo belo blog Companhia de Moçambique. Também aqui lhes fui fazendo referência.
Agora tive a suprema felicidade (até eu de mim próprio tenho inveja) de me ter sido oferecida uma colecção. Um homem passa a vida a apoucar-se, a automelindrar-se, a autofagiar-se. E depois, a meio dos quarenta, descobre que tem um amigo que lhe oferece uma coisa destas …
Junho 1st, 2009 — Fotografia Moçambique, História Moçambique, Livros Moçambique, Postais Moçambique, Santos Rufino
A colecção de álbuns de Santos Rufino é coisa de culto. Agora que sei haver uma colecção completa à minha espera em Portugal, aquisição de um bom amigo (quem tem amigos assim … temo até não merecer tamanha felicidade), não resisto a partilhar o acervo digitalizado, algo integrado no trabalho espantoso de Memórias de África, o qual nunca será demais salientar.
Aqui ficam os diamantes – para aí se perderem.
Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique: Companhia de Moçambique – A Cidade da Beira. Aspectos do Território - [Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique]
Autor(es): José dos Santos Rufino | Pags.: 113
Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique: Distrito de Moçambique – Aspectos Gerais - [Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique]
Autor(es): José dos Santos Rufino | Pags.: 134
Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique: Distrito de Quelimane – Aspectos Gerais - [Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique]
Autor(es): José dos Santos Rufino | Pags.: 120
Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique: Gaza e Inhambane – Aspectos Gerais - [Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique]
Autor(es): José dos Santos Rufino | Pags.: 133
Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique: Lourenço Marques – Aspectos da Cidade, Vida comercial, Praia da Polana, etc. - [Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique]
Autor(es): José dos Santos Rufino | Pags.: 155
Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique: Lourenço Marques – Edifícios Públicos, Porto, Caminhos de Ferro, etc. - [Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique]
Autor(es): José dos Santos Rufino | Pags.: 118
Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique: Lourenço Marques – Indústrias, Agricultura, Aspectos das Circunscrições, etc. - [Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique]
Autor(es): José dos Santos Rufino | Pags.: 130
Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique: Lourenço Marques – Panoramas da Cidade - [Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique]
Autor(es): José dos Santos Rufino | Pags.: 38
Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique: Raças, Usos e Costumes Indígenas. Fauna Moçambicana - [Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique]
Autor(es): José dos Santos Rufino | Pags.: 143
Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique: Tete e Cabo Delgado (Niassa) – Aspectos Gerais - [Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique]
Autor(es): José dos Santos Rufino | Pags.: 104
Janeiro 25th, 2008 — História Moçambique, Postais Moçambique
Avisam-me que o Arquivo Histórico Ultramarino, de Lisboa disponibilizou na sua Iconoteca uma colecção de Postais e Gravuras. Nela se incluem imagens de Angola (302), Cabo Verde (302), Guiné-Bissau (79), S. Tomé e Príncipe (295) e Moçambique (424), entre outras.
Novembro 4th, 2007 — Arquitectura Moçambique, Daniel da Costa, Ilha de Moçambique, Literatura Moçambique, Mia Couto, Política Moçambique, Postais Moçambique
O fim do Xitonhana: um abraço ao António, que sei por vezes aqui. “Ilha de Moçambique”, poema de Mia Couto. “Mesquita Grande” da Ilha, de Rui Knopfli, no Petromax. O texto de Mia Couto apresentando “A Ciência de Deus e o Sexo das Borboletas, de Daniel da Costa, transcrito no Mãos de Moçambique. Postais antigos de Moçambique no Kafe Kultura A propósito do Prémio Boa Governação José Medeiros Ferreira anuncia relato de uma conversa com Joaquim Chissano, havida em 1976 na ONU. Será aquando da entrega do Prémio. Fica-se à espera, presume-se que significativa a conversa, interessante o relato. [via Lusofolia] O nada lento minguar da economia do continente africano, em estudo da Oxfam [meros 15% ao ano na última década e meia ...] – via Causa Africana. O shoppingcentrismo e seu mais moderno mamarracho, devastando a Baixa de Maputo, segundo o Chapa 100 O Machado da Graça, implacável sobre o processo de recenseamento eleitoral em curso (?). Nota sobre o genocídio ucraniano nos anos 30.
Outubro 6th, 2007 — Livros Moçambique, Postais Moçambique

“Rua Valsassina (Beira)”
(Edição The Newman Art, Publishing Co., Cape Town (cerca de 1930). Reproduzido de João Loureiro, Memórias de Moçambique, Lisboa, 1997.)
Postal aqui colocado por razões da minha infância (ainda que não esteja certo da ligação, se não estiver correcta fica a intenção)
[entrada repetida, colocada inicialmente em Maio de 2004]
Outubro 6th, 2007 — João Loureiro, Livros Moçambique, Postais Moçambique

Para quem tenha apreço pelos postais antigos que aqui foram postos, de modo avulso, ao longo dos anos (e serão) quero lembrar o belíssimo livro “Memórias de Moçambique” de João Loureiro, editado pelo próprio autor em 1997.
Uma cuidada edição que inclui 313 postais sobre Moçambique datados entre 1895 e 1975. Excelente trabalho, tal como as outras obras de semelhante teor que este autor vem publicando.
(entrada repetida, colocada originalmente em Maio de 2004)
Junho 20th, 2007 — Postais Moçambique
Sobre esta entrada, referindo um velhissimo livro de viagens em Africa, surgiu um comentario referindo o modo de reeditar essa literatura, desprovido de uma abordagem critica/contextualizadora, mera reproducao de um olhar que hoje apela ao saudosismo, sem essa coisa de analisar o que no olhar desse tempo transpirava (neste caso a total transposicao em paisagem da populacao). Coisas de entao.
Mas nao so. Aqui reproduzo alguns postais (adquiridos agora na Livraria Paulinas, 15 meticais cada), a coleccao Mhunu: uma edicao do Centro de Formacao Fotografica, com fotografias anonimas e sem indicacao da data de publicacao (pelo aspecto da impressao muito provavelmente datarao de finais da decada passada). Um olhar diferente, feito (do) actual? Mulheres tipicas, as “belezas” e “tracos” femininas tipificadas, folclorizadas, feitas objecto de uma estetica e de uma atencao que pouco se separa de outros olhares anteriores. Ou seja, caindo nas mesmas armadilhas coisificadoras do antes …







Junho 11th, 2007 — Postais Moçambique
Os postais ilustrados, artefactos em vias de extincao por via da imparavel expansao de informatica e digital, sao uma delicia, marcadores de uma estetica dominante (quando nao ate oficial), nao so sobre o que e quem mostrar (motivos), mas tambem sobre as cores a salientar e os requebros a sublinhar, o como mostrar. Deixo um breve conjunto, comprado a precos bem acessiveis na livraria Paulinas (15 meticais cada). Uma ja delicia.













1. Quedas do Rio Lurio, Cabo Delgado. Fotografia de Joao Costa (Funcho), edicao Coopimagem.
2. Cabaceira, Nampula. Idem.
3. Praia das Chocas, Nampula. Idem.
4. Praia das Chocas, Nampula. Idem.
5. Praia do Celeiro, Ilha de Mocambique, Nampula. Idem.
6. Chinde, Zambezia. Fotografia de Joao Costa (Funcho), edicao do autor.
7. Paisagem da Angonia, Tete. Fotografia de Joao Costa (Funcho), edicao Coopimagem.
8. Ponte Sobre o Rio Zambeze, Cidade de Tete. Idem.
9. Embondeiros, Tete. Idem.
10. Cordilheira de Chimanemane, Manica. Fotografias de Joao Costa (Funcho), edicao do autor.
11. Vanduzi, Manica. Fotografia de Joao Costa (Funcho), edicao Coopimagem.
12. Ponte Dona Ana (Rio Zambeze), Sofala. Idem.
13. Lagoa Azul. Bilene, Gaza. Idem.
Maio 15th, 2007 — Postais Moçambique
Interessantes 3 colecções de postais editados pela Escola Portuguesa de Moçambique, produzidas pelo seu Núcleo de História da Educação
Instrução Pública em Moçambique, 1929-1965 (2005), 10 postais.


Colonie de Moçambique: L’Enseignement, 1929
Banda da Escola da Missão de Malatane, Angoche, 1929
Comunhão Pascal dos Alunos do Liceu Salazar, 1965
integra ainda postais dos exercícios de ginástica públicos, típicos Estado Novo, imagens de alunos do Liceu Salazar (o principal liceu na colónia) das décadas de 40 e 50, e uma sala de aulas para “nativos” de 1929.
Escolas de Moçambique. Memórias dos Anos Vinte, Trinta e Quarenta (2006, 2ª edição), 10 postais

Alunos e Alunas da Missão de Magude, c. 1929
Escola de Professores, Manhiça, c. 1930
E
Estudantes do Liceu de Lourenço Marques (hoje Maputo), c. 1930
a colecção comporta ainda vários edifícios escolares das décadas de 1920 e 1930.
Educação em Moçambique, (2007)

Escola Santo António de Chambá, Mocumbi – c. 1949
Colégio Orfanato Nossa Senhora da Conceição, Inhambane, c. 1948

Festival Escolar, Lourenço Marques (hoje Maputo) – 1972
esta surge como a colecção semiologicamente mais marcada, centrada em imagens dos anos 60 e 70, vincando o carácter multirracial das salas de aula.
Março 12th, 2007 — Ilha do Ibo, João Loureiro, Livros Moçambique

(João Loureiro, Postais Antigos da Ilha de Moçambique e da Ilha do Ibo. Lisboa, Maisimagem, 2005 (2001)) – nao so interessante pelas belas imagens mas tambem porque nesta obra surgem bem mais olhares sobre a realidade humana envolvente do que o habitual nos multiplos albuns que Joao Loureiro vem, diligentemente, produzindo sobre a iconografia urbana colonial. E nesse ambito mais interessante ainda ver como os filtros de entao tao semelhantes sao aos actuais, como os nossos olhares reproduzem interesses anteriores (sobre o pitoresco, afinal?).







Dezembro 15th, 2006 — Postais Moçambique
Uma das caracteristicas notórias da iconografia colonial era a tipificação, a recolha dos traços folclóricos, do “um” ao “essencial”, o colectivo perene numa penada irreflectida. Tantas vezes na fotografia traduzido o hiato da incompreensão feita da radical assimetria. Enfim, um olhar sem ver – trago aqui exemplos, estas “Mãe e filho no mato”, “Mulher maconde” e “Rapariga Macua”, permanências das concepções de então – os seios à mostra, símbolo do impudor até naif, as escarificações, símbolo do primevo, a orera ntiana, símbolo da beleza pura(reproduzidos de Curado da Gama, Moçambique de Outros Tempos, Quimera, 2006, sem indicação de autor ou data, porventura porque não registados nas imagens originais – assim até frisando a perenidade e “colectividade” destas imagens).



Talvez ou também por isso tudo tanto me surpreende (surpreenderá?) encontrar estes postais relativamente recentes, publicados pelo Bureau de Informacao Publica (estatal). O mesmo olhar, folclorizador. O mesmo anonimato indatado, tipificador. A mesma distancia?



Agosto 30th, 2006 — História Moçambique, Livros Moçambique, Postais Moçambique
Alfarrabistas de Maputo: Av. Kim-Il-Sung, esquina com Av. Mao-Tse-Tung, aos serviços culturais dos Estados Unidos da América.
João Camacho Pereira (org.), Colecção de Gravuras Portuguesas – 11ª Série. Moçambique, Lisboa, Rotep, 1972, 350 exemplares (68 reproduções de gravuras identificadas) [PVP 300 meticais]
(“Distrito de Quilimane – Quane do Marral. Prazo arrendado e grande e bem tratada propriedade”; Gravura de Casellas, em madeira, formato 19 x 25 cm; publicada na “Revista Ocidente”, 1888, p. 25)
(“Ataque a Moçambique pelos holandeses em 1600″; Gravura em madeira, 1612)
(“Vila de Tete”; publicada “Colonias Portuguesas”, 3ª série, 1891, ano IX, p. 65)
Julho 31st, 2006 — Postais Moçambique
(Moçambique: Paesagem de Chinde)

(Moçambique: Chinde. Antiga Casa Colonial)

(Moçambique: Rio dos Bons Sinais)

(Moçambique: Aurora a Inhassunge)
(Moçambique: Arvore Jacarandá)
[Edição Vice Província Capuchinhos de Moçambique / Segretariato Missione Estere, Cappuccini di Puglia, Bari; Gráfica Favia, Bar; sem data]
Julho 31st, 2006 — Postais Moçambique
Tanganhangue em postal:
(“Momentum”, Tanganhangue, Mozambique; Jelisa Peterson)
Julho 31st, 2006 — Postais Moçambique
[Praia de Wimbi; Pemba - Moçambique (sem editor; sem data)]
Julho 31st, 2006 — Ilha do Ibo, Postais Moçambique

(Moçambique. Portuguese Ruins, Ibo Island; Jo Wise, 2002)
(Moçambique. Ornate Door, Ibo Island; Jo Wise, 2002)
Fevereiro 4th, 2005 — Maputografia, Postais Moçambique

Um belo postal, não-identificado. Anterior a 1911, como se reconhece pela inscrição manuscrita. Uma bela oferta do Marco. O qual se apresta para proporcionar grandes surpresas (e prazeres) aos leitores de blogs. Fico à espera.
Adenda: Machado da Graça acaba de deixar comentário a corrigir imprecisão, o qual aqui coloco pelo seu interesse: “O edificio chamava-se Predio Capitania mas creio que apenas por ser perto da dita cuja. Não creio que esses serviços alguma vez lá tenham funcionado. A sua última utilização, se bem recordo, foi como “casa de meninas“.”
Dezembro 24th, 2004 — Memórias, Postais Moçambique
(esse Sem Destino conheceu como foi)
Custa saber assim, mas há dez anos, acertados hoje, Coetzee, bom homem e cristão desses de me achar ali sozinho, carregou-me à aurora para aqueles quase 300 kms até aqui.
Neguei-me pouco e vim, uma sede feita das saudades de geleira, tanta que nem me discuti de onde lhe vinha esse “sozinho”. E aqui mesa farta de natais deslocados, tantos e quase todos meus então desconhecidos. Também patrício sei lá como, querendo-se regressado, e talvez por isso em ares de força por saia vizinha, coisa pouco-natal, torneei. Pois se nunca, quanto mais agora e aqui, nestes tempos de, aprendi-o então, gingar. E gingar bem
Natal de empapar, e isso lembro. Noite de ir longe, de imortal ainda, até surpresa o sem-fundo. Noite em tempo de construir modos, esse constante “to jump” na fala, e esse fazer bandeira, não só mostrá-la, no tudo o resto.
Noite de natal, meia-noite, de saltar corrido para o quase-sopa, assustando o banhista vizinho, este clamando-se aflito de mim, que noite de natal, meia-noite, mas pescador de redes ali à faina. Noite, afinal, também de não-natal.
[reprodução de postal anónimo, sem data e sem referência de editor]
Dezembro 23rd, 2004 — Arte Moçambique, Ma-Schamba, Postais Moçambique
A todos os que aqui vieram saudar deixo os meus desejos de boa colheita.
[reprodução de chibanga muali malundi, mueda 1989, aldeia lutete; sem referência de editor]
Novembro 7th, 2004 — Postais Moçambique
Agosto 29th, 2004 — Postais Moçambique, Santos Rufino
Abaixo deixei a dúzia de postais de Santos Rufino que reproduzi no Ma-schamba ao longo de alguns meses. Aproveitando a chamada de atenção do Abrupto, a qual implicará a chegada de leitores desconhecedores deste blog e dos postais e álbuns em questão, e o início da sua cuidada apresentação no Companhia de Moçambique. Espero que esta curta série incentive o interesse geral na tarefa a que o Rui se vai dedicar.
Agosto 29th, 2004 — Ilha de Moçambique, Postais Moçambique, Santos Rufino
(postais de Santos Rufino, 1928)
Agosto 29th, 2004 — Ilha de Moçambique, Postais Moçambique, Santos Rufino

(Postais de Santos Rufino, 1928)