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Fevereiro 15th, 2006 — Politica Portuguesa
Incontornável: a memória do assassinato de Gaspar Castelo-Branco, Director-Geral dos Serviços Prisionais, perpetrado pelas FP-25 em 1986, e facto esquecido pelo regime.
Nota: um dos episódios semi-calados é a “exportação” dos operacionais das FP-25 para Moçambique, decerto exílios então combinados a “alto” nível. Desconheço se já abordado por algum jornalista. De livro não há notícia.
Adenda: também recordado aqui; e ainda, numa pequena nota lembrando mais uma acha da imoralidade estrutural do partido socialista em Portugal, aqui.
Fevereiro 12th, 2006 — Politica Portuguesa, Politicamente Correcto
Há alguns anos, lembro incerto 1999, Veiga Simão então ministro da Defesa de Portugal, velho homem de Estado e dignissimo universitário, espantou ao despachar a lista dos membros dos serviços de informação portugueses para uma Comissão Parlamentar. Logo alguém dessa comissão, muito provavelmente um deputado da República, remeteu a lista para os orgãos de comunicação social.
Lembro estar em Maputo e telefonarem-me de Portugal informando do acontecido, na ironia do “amanhã a lista dos espiões sai no Independente, vê lá quem são os daí“, narrando-me o acontecido e eu balançando entre a gargalhada descrente e o nojo por portugueses que partilham, apesar de mim, o meu país. Logo o solicitei, curiosidade certa, e na manhã tinha no gabinete um fax (era ainda o tempo dos faxes, imagine-se) com a cópia do jornal Independente onde constava uma lista de dezenas de indivíduos. Os nomes riscados, aparentemente a marcador (como se isso impedisse uma leitura por parte de profissionais interessados), mas os países de colocação bem à vista. Foi logo um reboliço telefónico, irónico e curioso, amigos cuscando se alguém sabia ou imaginava quem eram os dois agentes colocados em Moçambique, coisa que iria durar ainda uns dias. De imediato imaginei os dois homens, decerto avisados de véspera, que tudo aquilo foi inopinado, abandonando o país no mais madrugador avião para Joanesburgo ou, mais certo, cruzando nos primeiros alvores da matina a Namaacha ou Ressano Garcia, a inquietude dessa derradeira noite postados diante das fronteiras, avessas que são elas ao trânsito nocturno. E imaginei também, leituras velhas construindo imagens, homens e mulheres partindo em contido alvoroço de dezenas de países. E ainda o súbito encerramento de empresas nos arrabaldes lisboetas, filiais de seguradoras, consultoras, contabilidade, sei lá que tipo de coberturas escolhidas nesses sombrios Rios de Mouro ou Paios Pires tão a jeito para realidades feitas filmes, e o espanto de mulheres a dias, fornecedores e vizinhos com o vácuo então criado.
Veiga Simão retirou-se de uma longuissima, e até contraditória, vida de serviço público. E nada mais. Mudaram-se governos, a oposição subiu a poder e regressou a oposição, as comissões subiram a observados e regressaram a comissões, os então observados tornaram-se observadores e de novo ascenderam a observados. Deputado algum, assessor algum, foi confrontado com a evidente traição ao país. Uma traição não metafórica. Linear. Pura e simples. A Assembleia da República, ao que agora se bloga prenhe de mictórios entupidos e de deputados que apenas do próprio mijo se lembram na hora da crítica fácil porque tão tardia, fez por esquecer, e esqueceu, o facto de acoitar traidores e nisso continuar impávida.
Os jornais publicaram, decerto em nome de um qualquer interesse público (confundindo, cientes disso, “público” com “do público”) e da sacrossanta liberdade de expressão. O povo, que é manifestamente imbecil, creio que devido à dieta, nunca se lembrou disto, continua a votar nos traidores e nos que os protegem [alguém acredita que ninguém saiba quem foi o “brochista” (em inglês se quiserem) que denunciou os serviços de informação?]. Contente, ulula julgando-se patriota, assim reconfortado da merda que é, tv aos gritos no jogo da selecção, bandeira nacional numa mão, jornal Independente, o lixo traidor, na outra.
Anos passados ninguém liga, ninguém se lembra. A rapaziada de esquerda, relativizada, apupa a liberdade de expressão, máscara da falsidade ocidental ou até mesmo da inexistência ocidental, ainda que lhe reconheça, se cutucados, o mérito de denunciar a perfídia espia nacional, vista arma de exploração de inocentes alheios, inocentes porque alheios, porque diferentes, porque outros. A rapaziada menos relativista, reza loas à liberdade de expressão, coisa absoluta, tanto que até lhes dá para trair o país, nos intervalos de declarações pomposas sobre nação e quejandas. Coisa sem limites, dizem. E, escroques, realizam. No remanso do piadismo fácil e do linkismo ignorante. Punhetam, viris. Ambos os todos.
A propósito destas questões um amável comentador aqui afirmava há dias, “não compreendo o que dizes, mas entendo que te sintas longe”: Longe, eu?! Foda-se, eu estou aí. Isso é meu. Quem está longe, quem está bem longe, quem nem sequer merece isso, é essa corja. Corja não, que parece queiroziano. É essa vara, fica melhor. Estais longe.
(texto escrito em estado de liberdade de expressão relativa e sobriedade absoluta)
Fevereiro 6th, 2006 — Politica Portuguesa
que são uma violência sobre crenças alheias, uma falta de sensibilidade e de ecumenismo.
Janeiro 31st, 2006 — Blogs, Politica Portuguesa
Não só o nevão animou o bloguismo luso pós-eleitoral. Agora a chegada do historiador Vasco Pulido Valente provoca as mais unânimes e até desvairadas reacções de júbilo. Benvindo seja, como se diz na Câmara Municipal de Lisboa (de vez em quando convém lembrar que por lá mora um engenheiro eleito que compra apoios partidários com o orçamento geral do Estado. Não é que tenha a ver com o acima referido, apenas me veio à tecla/cabeça. De facto as pessoas gostam dele, elegeram-no e ainda bem. Até faz nevar na autarquia, não deve ser mau homem).
Janeiro 26th, 2006 — Politica Portuguesa
Nampula, calor. Quente ainda mais da minha directa, antes e durante a estrada até a este cá, refogada no “chapa” suicidário que me carregou, coisas já no para além da minha idade, concedo. E agora 8 horas de espera pela frente, tão quente assim que só na fácil leitura da net que não há livro ou escrita que resista ao sono. E não vai mal, quase duas semanas sem notícias justificam este refúgio de ar condicionado, vinte paus cada meia hora.
Nos blogs célebres novas, novas importantes, coisas engraçadas até. Beto saíu do Sporting (finalmente … agora só falta o Polga). O meu mesmo Sporting que contratou um tal Koke, mais tralha decerto. E haverá um Benfica-Sporting no fim-de-semana, não me lembrava, já o irei apanhar em Maputo.
Entretanto o Porto tem 50 pontos, o Benfica 20, o Sporting 13. E, já descidos, o Guimarães 8 e o Penafiel 5, apenas.
Comentadores conhecidos, catedráticos, juizes, críticos afamados, ex-praticantes, dizem que a vantagem do Porto é tangencial. Já nem me espanto. Apenas hesito, serão homens a soldo do Veiga ou meros estúpidos? Ainda que afamados. Foda-se, que gente. De que vale lê-los, como crê-los sobre outros algos, se a tamanhos rasteiros se prestam?
Agora, espremido o fel que este regresso ao tugando me causou, vou almoçar ao Sporting de Nampula (o qual até é, pelo menos o ano passado era, explorado por um benfiquista). Gente assim como nós, gente “população”, mera “população” nós, nada “estrutura”. A fazermos pela vida, gente população, sem os meneios da putice de mordomo.
O Ma-schamba interrompe outra vez. Bastou um pouco de bloguismo para enjoar alhures. Mar alto? Nada … Apenas constatar que custa tugar. Ele há cada merda nos patrícios.
Como se diria de onde venho: “fecalismo a blog aberto”. Que pivete!
Janeiro 15th, 2006 — Politica Portuguesa
Portugal. Dois pesos pesados nisto do pensar in-blog, o Eduardo Pitta e o Francisco, concordam que se encerre o Ministério da Cultura. Respeitando-lhes a opinião geral esta particular marca pontos.
E ocorre-me ainda, então e encerrar o Ministério da Economia? De obra feita não se conhecem ecos nem efeitos. E ao menos vamos recordando os nomes dos ministros da cultura. Aos da economia nem isso. Superlativo da irrelevância?
Janeiro 10th, 2006 — Politica Portuguesa
Jcd como Jcd. 100 bloguistas destes e construía-se um império (intra-fronteiriço, intra-fronteiriço …). Mas como não fica Portugal socialista com o “comboio (rápido) descendente”.
Janeiro 9th, 2006 — Politica Portuguesa
Preciosa, Obrigatória, a entrada “Soares e Cavaco …” (8.01.2006) no Africanidades [o cujo não tem elos permanentes nas entradas].
Janeiro 8th, 2006 — Politica Portuguesa
[modificado e completado, pois encontrei o recorte do texto referido]
O melhor texto sobre Portugal que li durante o ano passado não foi nenhum “ensaio” de café de filósofo conceituado. Nem post brilhante de bloguista talentoso. Foi, imagine-se, um editorial do jornal Público, abaixo transcrito.
Está lá tudo sobre o país que é. Não nos surpreendamos, um país há vinte anos inundado de ajuda pública ao desenvolvimento, vulgo cooperação (isso que em Portugal é eufemisticamente chamado de “fundos estruturais”), só se pode corromper. A gestão de riqueza não-produzida é mais passível de corruptora do que a de riqueza produzida, nem que seja porque esta “tem donos”, tem quem a controle. (A bem dizer a dita “riqueza não-produzida”, a tal APD, é produzida diplomática e politicamente e paga-se, mas isso é complicar-me o argumento). Os ignorantes muito falam da corrupção em África e bem podiam exercer o espírito comparativo a ver se abrem os olhos.
Esse texto jornalístico, esse “Joaquim Pina Moura”, mostra o país. E mostra, ao limite do essencial a essência do PS. Moldado desde a sua legalidade na gestão patrimonial dos bens públicos, na apropriação partidária (e por essa via também pessoal) dos bens sociais. Blindado por essa figura cuja biografia monográfica urge fazer para perceber esta II República, o anterior vitalício Provedor. Orientalizado em Macau. E crismado no guterrismo, ante um país espantado, saído de uma laranjização corrupta do país (com Cavaco, apesar de muitos pensarem que “apesar de Cavaco”. Eu acho que “até com Cavaco”.) e julgando que ia para melhor. Mas não indo. Bem pelo contrário.
E agora com avatares. De Guterres, óbvio. Socrates foi o homem do PS, do verdadeiro PS, desse que qualquer homem de bem abominará, se assim se entender. De Pina Moura, até por analogias político-biográficos. Está aí, aeroportizando. Essa gente “anda aí”. No poder. E não há como ser gente de bem e teclar por eles, fechando a honra e vendendo os olhos. O respeito democrático, o respeito pelas diferentes opiniões, cessa diante da aldrabice. De quem rouba. E de quem defende.
Em alguns blogs (no Da Literatura, no Portugal dos Pequeninos) discute-se agora a minudência do Teatro Nacional. Não posso deixar de sorrir diante da indignação ingénua. Pois o “socialismo”, o “ps” é “isto”. Um a um, passo a passo, canto a recanto, coisa enorme ou quasi-nadas. “Está-lhes na natureza”, como na piada do escorpião. Na realidade está na mundivisão dessa gente, que nada é natural neste mundo de homens. Gente acantonada, vivendo da fidelidade, da submissão, de “favorismo” em “favorismo”. Assim. E está também, está fundamentalmente, em quem lhes aperta a mão, apesar de …
A merda toda é que acima de tudo a culpa é, sei-o bem, minha.
[abaixo transcrição do texto]

Dezembro 22nd, 2005 — Politica Portuguesa
Não quero retomar questões que passaram de moda (a tal semana que referi aquando da semana em questão). Mas será legítimo que um organismo de um Estado laico envie cartões de “Boas Festas” com motivos bíblicos, ligado ao Natal cristão? Será legítimo que indivíduos colocados em lugares de um Estado laico enviem, em nome da sua posição, cartões desse género?
Sim, sei que cartões de boas festas decaem no uso, em troca de SMS e correio electrónico. Mas tal não impede a questão.
Eu estou-me, rigorosamente, nas tintas para o facto. Mas não deixo de sorrir. Sorrio porque passou a tal semana. Causas de semana. Em bom português, tesão de mijo. (Sim, sei que é ordinário. Leia, sff, com sotaque carioca, vai ver que é “bélo falarr âssim”).
Dezembro 17th, 2005 — Politica Portuguesa
Ainda não vi nenhum. Mas tenho lido blogs que sobre eles discorrem. Alguns pontos sobre estes. Mas, note-se, apenas sobre os ecos dos debates. Pois uma coisa é escrever sobre eleições e seus candidatos, outra coisa é escrever sobre “debates” e seus “resultados”. É sobre esta última “actividade” que boto:
1. O primado do “quem ganhou”, impressionista, “o candidato x ganhou por 6-0“, “3-2“, “por esmagamento“, “KO“, “humor“, “aparência elegante“. Quem ganha um debate? O que melhor passa as suas ideias, quem melhor combate as alheias. Quem melhor passa a sua pessoa, quem melhor dilui a pessoa alheia. Decerto que a forma de avaliar a melhor (no sentido de mais eficaz) actuação de um candidato não é a opinião (mesmo que douta) de um bloguista, ainda para mais sendo este quase sempre já apoiante, passível de rigidez preconceituosa. Tem que ser uma avaliação global, estatística se se quiser.
Este tipo de “eu-achismo” é um caso radical da pobreza intelectual no bloguismo “que-se-quer político” português.
2. É normal e legítimo que cada um opine. Claro. Mas é espantoso ver que os apoiantes de um candidato opinam sempre no sentido de que o seu candidato debateu melhor do que os oponentes: “o candidato X [que por acaso é o que eu apoio, mas só por acaso] ganhou o debate contra o candidato abecedário“.. Dir-se-á que se alguém está mais sensível e mobilizado para determinado candidato e seus argumentos tenderá a valorizar as suas afirmações. Certo. Mas isso não implica, em caso nenhum, que essa maior sensibilidade implique muito sérias e assertivas considerações de “vitórias em debate”, tipo juri de patinagem artística naquilo das “nota técnica” e “nota artística”. Mais que não seja dado que uma “derrota” num debate não implica qualidades ou defeitos instrínsecos de um candidato presidencial.
Este tipo de “eu-achismo” enviesado é um caso total de desonestidade intelectual no bloguismo “que-se-quer político” português.
3. É normal que numa campanha eleitoral se valorizem as propostas próprias e as que se apoiam. Mas isso não implica gritar, em tom arbitral, vitórias num debate televisivo. Além disso isso conduz a considerar os blogs como instrumentos de campanha eleitoral. Há-os explícitos. Os outros, os perenes, ao subordinarem-se a uma campanha eleitoral, subordinando os pontos de vista dos seus autores aos dos interesses de uma campanha, menorizam-se. Não por se politizarem, longe disso. Menorizam-se pois matizam a franqueza com que a escrita, perene repito, desses blogs é realizada. E também se menorizam pois evidenciam um, desajustado, propósito de moldar as suas afirmações à vontade de influenciar o sentido eleitoral dos seus leitores.
Este tipo de “eu-achismo” estrategizado é um caso total de prostituição no bloguismo “que-se-quer político” português. E de imbecilização dos seus hipotéticos leitores.
4. Mas, acima de tudo, é um caso radical de auto-estima tonta do bloguismo “que-se-quer político” português. Pois muito dificilmente algum bloguista (passivo ou activo) mudará o sentido de voto devido ao que lê nos blogs, ainda para mais neste contexto de parcialidade histriónica. Aqui há apenas uma ladainha auto-convencida da sua influência. Inútil. Inútil politicamente. Mas muito útil bloguisticamente. Pois mostra a pobre gente que está às teclas.
Dezembro 15th, 2005 — MS, Politica Portuguesa
Doeu ver como dois velhos amigos e companheiros, grandes símbolos do meu Portugal democrático, chisparam raios e coriscos. Mais uma desilusão. Nada é para sempre, nem mesmo a amizade. Tantas cumplicidades, tantas batalhas para, na dita idade da sabedoria, tudo se esfumar. É triste!
MS
Dezembro 15th, 2005 — MS, Politica Portuguesa
Mário Soares abusará um pouco ao repetir-se na denominacão “Caixa Geral dos Depósitos“?
(isto não é uma declaracão de voto).
(MS)
Novembro 23rd, 2005 — Politica Portuguesa
Ide jogar o jogo da forca no Adufe.
E, tal como ontem, começar o dia com uma blogocitação: “Como se pode ver pelos estudos que já estão disponíveis … a decisão tem pouco a ver com os estudos.”.
Para se ficar mesmo mal-disposto ler aqui.
E nisto penso que há dias bloguistas compraziam-se com a mediocridade de quem tinha exigido os estudos e agora os ignorava. Pobre missão a do campanheador.
Novembro 22nd, 2005 — Politica Portuguesa
A ler, JCD sobre a construção do aeroporto da Ota. A argumentação poderá ser discutível por que quiser. Mas impossível de tornear este último parágrafo: “É por estas e por outras que os estudos que vão ser apresentados pelo governo não valem nem o custo do papel em que são impressos. Afinal, para que é que interessam estudos quando a decisão já está tomada?”.
Não só um diagnóstico sobre esta macro-projecto. Acima de tudo o diagnóstico sobre o governo que Portugal tem. Sobre o povo que elegeu o governo que Portugal tem, acima de tudo.