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(Quase) Uma semana de Pretória.

1. Das medicinas privada e pública. Na privada (sul-africana) douta opinião do tira-tudo, acompanhada da lista de honorários - nem grande coisa diga-se. Na pública (santa terrinha) douta (e fraterna) opinão do espera-e-não-tira, sem honorários claro. Os óbvios malefícios do Serviço Nacional de Saúde. [O casal paterno, talvez porque óbvio socialista, tira nada.]

2. A Exclusive Books [entenda-se, a hiper-FNAC lá do sítio] de Neilspruit é melhor do que a Brooklyn Mall (Pretoria) e quase do que a de Sandton (JHB).


Onde vive a “elite” de lá, afinal em Trás-os-Montes?

3. Decadência sul-africana.

Não há novo livro de Madam & Eve.

4. Qualquer coisa sul-africana.

Cheira a Zuma.

5. Maputo (no regresso, mas antes também). No BB (belo blog) Solvstag cita-se Miguel Esteves Cardoso. Ler e comprovar que no Shamwari (ao talho Polana) se serve a melhor cerveja de pressão (aka “imperial”) da cidade.

6.
Maputo (no regresso, a ler e ouvir de Portugal). O meu ex-Presidente (e por isso sempre respeitado) Pedro Santana Lopes muito bem, baldando-se por ter sido trocado pelas malas da família Mourinho. E a minha surpresa com alguma da muito minha gente a não perceber, tamanha lhe é a clubite rosa, de que se trata mesmo da “a infantilização assassina que nos assola como uma praga …”, diga-se neste caso a futebolização.

7. Maputo (no regresso, a ler e ouvir de Portugal). Por falar em bola, eis o sossego da sociedade civil, a “auto-estima” lusa, a exigir outro Trapattoni “campeão”. O apito rubro? Sócrates (o inventor dos dez estádios do Europeu, então o arauto da sociedade [da construção] civil]) agradecerá.

8. Maputo (no regresso, a ler e ouvir de Portugal). Mentira pura nas palavras de Ruben A. Há imensa gente que atende o telefone. Portanto, pois

9. Maputo. E então, muito caro leitor frequente, deseja algum comentário face à polémica relativa às afirmações do arcebispo de Maputo sobre o Sida e suas origens? Menezes, meu caro leitor, Menezes …

[ainda que … em estando gravado se poderá dizer “nada de novo sob este céu” - os brancos de tudo têm culpa (sua condição semi-divina, dir-se-ia); e o preservativo como a arma do deboche não-marital. É o pacote habitual, amancebando-se (não sacramentalmente, já agora) com as ideias populares, de que é na camisinha que mora a doença e que são os brancos que a trouxeram para ficarem com estas belas terras. Contudo a Terra move-se, ainda que a Igreja Católica se atrase.]

10. E falando de coisas bem importantes. “Old age”, diz-me o mecânico, meneando a cabeça até pesaroso, face às múltiplas mazelas do meu

Musso. O nosso fim avizinha-se? Que será de mim?

Um cooperante português pode criticar a política externa portuguesa? Não, não deve (eticamente, com limites). Não, não pode (pragmaticamente, se tiver auto-juízo e leite da criança - e a conta da internet para poder blogar - para pagar). Muito mais quando é o PS a governar … - gente que não é boa gente.

Mas, foda-se, que o meu Estado não receba o Dalai Lama é um nojo. Sejam lá quais forem as razões “óbvias” - “chefe da clique teocrática”, dele escreveu aquando da sua última visita a Portugal o comunista Aboim Inglês, logo a seguir falecido. Será essa a razão? Ou a nossa filiação a regimes colonialistas?

Repito, foda-se!

Adenda: Zero, do 25 Centímetros de Neve informa-me, e muito lhe agradeço, que o Estado português recebeu, pela via do Presidente da Assembleia da República, o Dalai Lama. Aliás um progresso em relação à vergonhosa postura aquando da última visita do guia espiritual do povo colonizado tibetano.

Face a isso altero a entrada: onde se lia “foda-se!” entenda-se “bolas!”. Já agora, sobre a matéria é interessante ler o texto “o país que se vestiu de branco por Timor”, no Avatares do Desejo.

Os emigrantes portugueses continuam com os direitos civicos reduzidos

Portugal. Dia de eleiçoes na capital. O antigo presidente camarario, anterior ministro das obras publicas, na anterior campanha eleitoral disse ter oferecido umas consultorias ou isso (com dinheiro publico) aos membros de um outro partido para que este o apoiasse eleitoralmente. A vergonha passou, passou nos plumitivos blogosfericos, no resto dos opinativos, na tralha do seu partido - que ao nao o ter apeado imediatamente se ve agora apeada. Vai abaixo o escroque, ainda bem.Eleiçoes em Portugal. Ha anos um bloguista mui lido, constitucionalista encartado, rebaixava (tambem in-blog) intelectualmente os abstencionistas [vai sem elo, que aqui nao se ligam blogs com piadas anti-semitas, ainda para mais da lavra de representantes da Republica]. Prova mera de baixeza moral: hoje e dia de eleicoes na capital, aproveito para recordar. Estou aqui recenseado, estou aqui de passagem, poderia votar. Mas recuso-me a votar num regime em que tal constitucionalista e seus colegas (premiaveis, catedraticaveis, elogiaveis) se permitem definir quem sao os portugueses de primeira e os de segunda. Insisto, os emigrados nao podem votar nas eleicoes do parlamento europeu, nao podem votar nos referendos - sao menos portugueses do que os residentes. Sao de segunda.

Para me recensear onde vivo teria que prescindir dos meus direitos civicos. Mantenho-me recenseado, ha uma decada, em Lisboa. E abstenho-me, nao voto no regime desse(s) constitucionalista(s). Nao lhe reconheço primazia de cidadania.

E, confesso, tenho asco por quem tal lhe(s) reconhece. E com ele(s) vota.

Portugal. Em algum bloguismo ecos críticos, parece que os “dirigentes” (antiga palavra de dialecto latino, significando “líderes”, perdoe-se-me o arcaísmo altaneiro) europeus combinaram fazer um tratado constitucional europeu que não “constituição europeia” - e assim não sendo referendável. Nem ponho elos, o bruaa irá crescer, críticas ao governo (ao regime também) hasteando as bandeiras dos direitos cívicos, e isso.

Sorrio, os cidadãos portugueses emigrados têm direitos cívicos confiscados - herança da desonestidade cívica dos constitucionalistas, temerosos desses miseráveis reaccionários emigrantes. Sim, esses que ainda aí andam, “experts” prestigiados, premiáveis e tudo, nada como a toga do “senhor doutor juiz” ou similar para nos por o chapéu na mão -; não podem votar nos referendos, não podem votar nas eleições para a “Europa” (esse que agora se constitucionaliza). Os bloguistas, à esquerda, à direita, ao centro, não se incomodam com tal. Mas agora, feitos “a seco” cidadãos iguais aos seus compatriotas, vêm urrar, de aparência analítica.

Parvos? Desinformados iletrados? Nada disso, mera desonestidade. Muita desonestidade. (para quê os elos?, é só clic, clic). Olhem, viva os “líderes”, qu’antes eles que tal gente.

desabafo

Portugal. ‘E uma questao de espirito, ou de falta dele. Falta de “democraticidade”, de apego pela democracia, pelo exercicio publico ou privado da opiniao - sendo esta desinteressada, desinteresseira, interessada ou interesseira, informada ou desinformada, esperta ou imbecil, ‘e ela, sao elas, o seu entrecruzar, que contam. Estar contra isso nao ‘e arrogancia, ‘e mero acantonamento. O acantonamento do poder, crispado. Suicidario: felizmente, pelos energumenos que la estao; infelizmente, pela democracia que assim se impotencia.

Dai esta ligacao ao Avatares do Desejo, um completamente de acordo: no apontar o dedo aos tiques persecutorios, censorios, policiescos de um presidente da camara e do seu sequito (Rui Rio et al); no detectar-lhe a osmose (o humus adubado sera o mesmo) com a directora Margarida Moreira (que confirma usar os servicos do Estado para recensear “…tudo o que tem saído na comunicação social, nos blogues, ofícios, em tomadas de posição, em artigos de opinião..” que a critique, coisa muito para alem do mero arquivo de um organismo publico)), partidaria da delacao, da denuncia anonima, da abjeccao moral (que leio ter sido chefe de gabinete de Augusto Santos Silva - a ser assim confesso o meu incomodo, como justificar um regresso aos textos de um brilhante sociologo se homem turbo deste lixo? Frise-se, um homem desonesto nao pode ser bom cientista social pois obviamente falsificara o real para acorda-lo a sua retorica. E so um homem desonesto pode, dizendo-se democrata, ancorar-se nesta gentalha).

Estes tiques do poder sao continuos. A esmagadora maioria nao vem para o publico. Lembro ha anos que um contratado de um ministerio assistiu a uma audicao parlamentar a um secretario de Estado da cooperacao (o cujo, alias, ate me foi simpatico quando o conheci aqui). Dessa reuniao fez uma analise critica e fez circular via e-mail. Foi despedido. Uma tecnica dos servicos estatais fez um mero FW desse e-mail: foi dispensada. Nao ‘e diz-que-diz: conheco todos, ate aos que nem aparecem neste breve resumo e andaram a tratar dos processos.

Da delacao lembro receber de um importantissimo mas mero director-geral um documento oficial, assim espalhado pelos arquivos de multiplos organismos estatais. A instrucao era simples, que eu “comentasse” uma carta anonima, ali reproduzida, falsificando um “pretogues” para parecer obra de mocambicano como se estes fossem o colonial Parafuso. A carta dedicava-se a vida de uma professora portuguesa, criticada entre outras coisas, lembro, por frequentar a esplanada do Hotel Polana. “Comente” tal merda, mandava o miseravel director-geral, ainda que importantissimo (desses que nao so aceitam como induzem o tratamento de “Professor” bem antes do doutoramento). “Uma carta anonima nao se le”, comentei ao “doutor”. A professora nao ficou no seu posto, claro esta. Parece que ia ao Polana …

‘E tambem por isso que nada concordo com o sumo do Eduardo Pitta: os aqueles nao sao melhorzinhos do que os aqueloutros. ‘E um ambiente, um modo de viver, um achar que (tem que ser) ‘e assim - os episodios acima sao historias daqueles e daqueloutros, os canalhas ainda sao ou sao-no outra vez ou virao a ser “directores-gerais (nao) professores”. E ‘e por isso que insisto com o Lutz: os inimigos sao estes, nao o folclore autoritario sim o real autoritario.

(o objectivo do Ma-schamba quando o reabri era nao falar de Portugal. Mas eh um bocado dificil evitar a esparrela bloguistica, caramba, o rincao geme e um tipo irrita-se, quixotesco, familia dixit.

Tem custos isto - como o de perder elos em neo-blogs mocambicanos. Cada um bloga como quer, cada um ela como quer, e ainda por cima hoje os elos nao sao o motor de leituras que foram ha anos. Sao mais um simbolo de relacionamento. Mas ao ver um blog abrir com o primeiro elo aqui a velha casa e reparar na sua queda sorrio ao chauvinismo bloguistico. Tao digno como o chauvinismo. Tao esperto como. Seja qual for o rio que banha o dono.)

Portugal. Desgostoso com este texto no Quase em Portugues la deixei comentario que no Cocanha ascendeu a entrada.

Portugal. “Conversa da tretadisto disse-me um velho bloguista socialista português, perguntando-lhe eu sobre isto. Sê-lo-á, decerto. O que não é treta é isto: o ps é esta merda. Rosas no esterco? Porventura. Mas não mirram com o fedor?

Portugal. [Entrada “policiesca” apenas justificável porque o blog em causa não tem comentários, critério próprio decerto justificado e justificável, mas que impede os desabafos incomodados].

Neste alargado passeio por blogs portugueses dois textos exemplares (”casos-de-estudo” sobre o paradigma dos “dois pesos e duas medidas”, inultrapassável[?] no bloguismo político ) no blog Canhoto:

- um recente, sobre episódio inenarrável, uma “explicação abrangente” mas que na prática oblitera a falta de democracia no exercício público, resumida, afinal, a mera e infeliz “falta de inteligência e excesso de zelo” (apetece dizer, coloquial, “zelo de quê, pá?”). Hum!, uma nada subreptícia inversão das responsabilidades, um raciocínio “…insultuos[o] para aqueles que sofreram na pele a inexistência de liberdade de expressão.”

- um outro, já blogovelho, sobre a economia política portuguesa. Com uma esclarecidíssima voz sociológica subitamente afectada pelo mal economicista.

Pronto, de regresso. (Abençoado) Mavalane. A partir do qual se discorda, mas onde tendencialmente um quilo é um quilo … e um metro um metro.

Interregno português: um homem conta uma piada sobre o primeiro-ministro e é suspenso do seu trabalho. Um grão-bloguista cutuca o silêncio dos bloguistas. Um bloguista emigrante lembra os distraídos e os desiludidos: o PS está no governo. E assume-se, repetindo, peito aberto e desabrido: Pró ano é que é.

A minha contribuição verbal para as eleições municipais na minha cidade (no blog pro-Helena Roseta, por aviso do Portugal dos Pequeninos).

No Da Literatura ecos da questão do paiol explodido, por via da preocupação com o paradeiro do avião da TAP (saiba o Eduardo Pitta que se era para chegar mais tarde do que as 16 h. locais, 14 h. portuguesas, o avião foi desviado. E muito provavelmente foi-o, pois os voos costumam ser nocturnos com chegada de manhã ou diurnos com chegadas ao principio da noite. Estarão agora os seus familiares na free-shop de JHB, maçados a comprar curios ou na Exclusive Books). E a esse propósito faz um hiper-apropriado texto sobre a incompetência dos serviços de atendimento telefónico da TAP em Portugal. Para o emigrante, que nesse país usa serviços telefónicos pré-pagos, é absolutamente desesperante fazer um carregamento no multibanco e poder contabilizar os 10 + n euros a desaparecem enquanto espera ser atendido, enquanto tenta vários telefones da lista telefónica. E voltar ao multibanco para novo carregamento apenas para ter uma qualquer informação realmente urgente sobre os voos. E mesmo assim a falhar o objectivo.

Estou a falar criticamente de coisas de Portugal, algo que jurei não fazer neste neo-Ma-Schamba (entenda-se, para quê blogar criticamente sobre um país onde o ex-ministro das obras públicas e actual presidente da câmara da capital diz que oferece consultorias pagas pelo orçamento da “sua câmara” em troca de apoio eleitoral? e onde a rapaziada blogo-crítica não tecla em massa sobre tal esterco? como diria o saudoso almirante, bardamerda para os opinativos). Falo sobre Portugal, dizia, talvez por mero reflexo condicionado, produto da auto-censura militante, neste contexto de estrangeiro vendo um paiol re-rebentando. A deitar o fel exponenciado!

Mas que a TAP é péssima a tratar os clientes via telefone, é!

post polissémico: Nossa Senhora Atrás das Grades

(cerca de Monapo; Janeiro 2007)

Civilização. Regressei ontem a Maputo (exausto de conduzir, coisa da idade). Hoje de manhã, primeiro café entre-colegas. Explicam-me, com detalhes, a vida política portuguesa do último mês - presumem-me interessado? ou sou motivo para ecoar a tvsatélite? Aquecem na discussão de um referendo, levam-me até a um mal-intencionado “mas vs. votam?” lá nas coisas da minha terra. “De conservador a reaccionário” é o diagnóstico que fazem ao meu percurso, implacáveis. Talvez, mas não gosto de referendos (não saíram já as pessoas de casa para votar nuns tipos para seus delegados?). Talvez, mas não gosto de referendos (onde posso eu votar, se emigrado? no consulado-geral?).

Mas mesmo assim votaria (onde, se emigrado? no consulado-geral? - pantomina de democracia gerada por prestigiados constitucionalistas, nunca esquecer, vetando o voto da “direita” emigrada, desonestidade que nenhuma toga ou Prémio apagaria se a gente tivesse memória). Votaria num referendo sobre civilização, num referendo sobre Eutanásia. Sim claro. Mas os moribundos não votam, os moribundos não são “gender”, não gritam, dengosos, “o direito ao meu corpo”. E não revigoram o saudoso movimento nacional feminino gritando o “direito à vida” das ruínas cancerosas e gemebundas que grassam nos hospícios do sadismo imbecil.

Regressei a Maputo, os amigos falam-me do meu país. Bárbaro, de modas idolátricas, num entre cristandade e europeísmo pacóvios. Sonhava-o de civilização. Discutindo a ética da morte. A vida.

Mas por lá hão-de crescer. Se “deus” quiser …

Paulo Gorjão é um bloguista informado, atento, culto. E que olha mesmo para fora do rectângulo pátrio, não apenas para alimentar as turras internas. Ali um bloguismo que não necessita de superlativos. Também por isso tudo, pois assim inibem-se espúrias polémicas, este seu breve texto espelha um Portugal que teima em não se compreender. E em sobreviver.

Vindo de quem vem surpreende. Mas o espelho luso obscurece. Muito

(Sobre questões como a levantada por PG é interessante acompanhar as flutuações. Muito previsíveis, e já referidas pelo Miguel, no Agora Com Destino)

Política. Difícil nunca mergulhar, em especial a do nosso país. Andei nas caixas de comentários alheias, irritadíssimo. Por causa disto.