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Premonições

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“As tendências e as aspirações renovadoras e progressistas da época não tardam a confrontar-se com bloqueios cruzados, que provêm, quer do sistema político, quer da estrutura económico-social, quer da cultura burguesa, quer do campo intelectual propriamente dito. Vistos da perspectiva da intelligentsia nacional - uma perspectiva unilateral que essa mesma intelligentsia conseguirá transmutar ideologicamente, com grande efeito para a posteridade, em a perspectiva global -, os bloqueios induzem ao desânimo e à desistência, ou ao afastamento da acção prática, ou a complexos compromissos com a situação (de que a trajectória política de Oliveira Martins se tornará paradigma), ou ao enfileiramento no optimismo alternativo do movimento republicano.” (meu negrito)

Augusto Santos Silva, “O Povo nos seus lugares. O clima moral da primeira etnografia portuguesa.”, Palavras Para Um País, Oeiras, Celta, 1997, p. 116

Segurança Rodoviária

Portugal: uma polícia competente e previdente, cuidando da segurança rodoviária. O progresso é isto, uma cuidada tolerância zero em prol dos cidadãos.

Os luso-bloguistas politiqueses de serviço aplaudirão? Nem pensar. Contextualizarão, explicarão, entreparenteserão. Ah, se o PM fosse JMDB, PSL, ACS quantos tonitruantes e pacóvios blogo”A mim ninguém me cala” se ouviriam. Ao menos que fossem assessores do governo na bloga - mas são só mesmo criados de fora. Moços de estábulos - não se lhes arranja um lugarzito de polícia sinaleiro, a ver se desandam da bloga? É que fedem - a bosta de égua. A urina dos potros.

Eleições para o Conselho das Comunidades Portuguesas

Sede: O Conselho das Comunidades Portuguesas é um orgão da República Portuguesa: “órgão consultivo do Governo para as políticas relativas à Emigração e às Comunidades Portuguesas e representativo das organizações não governamentais de portugueses no estrangeiro“, segundo o sítio da Comissão Nacional de Eleições, um pouco diferente segundo a recente Lei publicada em Diário da República (Lei n.º 66-A/2007, D.R. n.º 238, Série I, Suplemento de 2007-12-11). Eu não sou jurista, cavalgo as discrepâncias. Os juristas também são assim?

Ainda que decorra o processo de preparação eleitoral o sítio informático do Conselho das Comunidades Portuguesas está suspenso - repito, é um orgão estatal. “Algo está podre na república …”, diria um dramaturgo. Ou é meu exagero?

Os cidadãos portugueses residentes em Moçambique eram representados por um conselheiro que era também representante dos cidadãos portugueses da Suazilândia e no Zimbabué. Na nova regulamentação são agregados aos portugueses residentes no Zimbabué e no Quénia. Só por curiosidade, quem passará a representar os cidadãos portugueses na Suazilândia? É que não encontro na lista. Cegueira minha ou distracção alheia? Na dúvida calo-me …

Moçambique: 1. A legislação indica que os cadernos eleitorais estão prontos desde 19 de Fevereiro. Que são consultáveis pelos cidadãos, para reconhecimento de hipotéticas falhas, entre 20 de Fevereiro e 1 de Março (amanhã), data a partir da qual serão inalteráveis, ainda que as reclamações posteriores sejam justificáveis.

2. O período de apresentação das listas de candidatos inicia-se a 11 de Março e decorre durante quinze dias. A nova lei indica que as listas candidatas têm que ser propostas por um número determinado de eleitores, proporcional aos inscritos. Neste caso sendo de 250 apoiantes, enquanto anteriormente poderia haver propostas por via das associações de portugueses residentes.

Estamos diante de uma eleição para um orgão do Estado. Com uma nova lei, alterando os processos. Com um eleitorado muito relapso à participação neste tipo de actos - e também aos processos de registo e recenseamento.

Os serviços do Estado português no local assumiram alguma posição? Houve alguma informação pública? Terão, aliás, recebido alguma instrução nesse sentido? Algum cartaz nos locais públicos usualmente frequentados por portugueses, nas associações de portugueses? Houve uma circular por email? Um prospecto postal? Um anúncio de meia página no Notícias e/ou Domingo (que, aliás, são uma tradição para os eventos). Uma recepção alargada para um “Porto de honra” com uma mão-cheia de intermediários com a “comunidade” para apelo à inscrição e participação? E estou a falar de Maputo - que dizer das acções realizadas (?) nas outras províncias moçambicanas, pelo cônsul, pelo grupo de cônsules honorários, pelas “antenas consulares” (essa misteriosa entidade)? Ou, suprema leitura, entenderão que os serviços do Estado nada têm a ver com os orgãos do Estado? E que não devem incrementar a representatividade destes, bem como a respectiva interacção?

“Uma maçada, tudo isto”, não é? Isto em determinado sotaque. No meu, menos arrastado, diz-se pura e simplesmente “estar a dormir na forma”. Aqui e na sede.

Está, evidentemente, na altura de dizer “passo de corrida”.

República

Por razões que só algum fastio explicará entrou-me o Expresso em casa. Nele uma entrevista com a antiga presidente do Movimento Nacional Feminino do tempo do “dr. Salazar” (sic) e de “o Marcello” (sic) - um retrato do tempo, por assim dizer. Mas em todo o lado há verdades, entenda-se. Quem me havia de dizer ficar tão impressionado com a presidente do Movimento Nacional Feminino?Pois abençoada seja:

“EXPRESSO - A sua relação com Salazar acabou por ser de tão grande proximidade que se dizia que em muitas alturas funcionava como uma primeira-dama?

CECÍLIA SUPICO PINTO - Primeira-dama em Portugal …! Isso é uma invenção americana que depois os brasileiros copiaram. Acham chique [sic]. Nunca as mulheres de Presidente, e conheci tantas, se sentiam primeira-dama, segunda-dama … Dá-me vontade de rir.”

Fico contente.

Era cibernética

Tempos houve que foram de José Gil, mergulhando no “Salazar: a retórica da invisibilidade” (Relógio d’Água, 1995). Agora o futuro chegou, e vivemos com Paulo Querido, dando-nos “José Socrates em Discurso Directo”.

Ah, se aqueles semiólogos semióticos francófilos dos 60 vivessem. Que júbilo teriam … ou inveja?

Hoje tem data

19 de fevereiro, essa que se tornou especial, ano após ano. De a meio do dia me lembar do “mais um ano…”. Há 11 anos que vivo em Maputo. Vim por 3. Vou indo …

(dir-se-á “vou indo”?)

Escrevo à mão, o que me é raro, tão raro que já sou incapaz de textos definitivos quando assim. Uma velha caneta de tinta permanente, oferta paternal (eu em saudades? pois se 19 de Fevereiro). Empapo de suor as páginas e esborrato a escrita, página sobre página, como me lerei? Tenho o polegar direito preso, como se espartilhado entre falange e falangeta (e já não sei o resto, esquecida a ladaínha) - demasiado computador, nem preciso da médica para o dizer…

 

Nisto de escrever à mão, nisto de data de efeméride, regresso a anos atrás. E daí ao meu país (blogopaís também). Um país livre, finalmente livre da maldita culpa, essa ideia com que a igreja o impregnou séculos a fio. Um primeiro-ministro que mal amanhou o seu cursito, homem de andar a ganhar uns tacos por fora, ilegais, tipo de uns acordos de deontologia desonesta, e agora é uma referência. À culpa diz nada, até aplaudido por quem tecla. E se ele assim, boas notícias para todos nós, pois morta a culpa. A puta da culpa.

Tempo para voltar. Que num país desculpado até para um merdas como eu há lugar. E, se calhar, com uma pitada de cagança mais outra de atrevimento, até vou a referência. Pois como aquilo vai quem não o pode sonhar?

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West Coast e a parvónia

1. Há quatro anos aqui escrevi sobre um imbróglio entre a BBDO e o ICEP sobre uma campanha publicitária: Portugal como West Coast. A história de então é simples de recordar: a agência publicitária queixava-se de plágio. Uma campanha proposta, recusada e o conceito, posteriormente, utilizado pelo organismo público. Uma delícia, ver agora a campanha em marcha, uma Lisboa capeada pela tal “Costa Oeste”. A contento da agência, decerto. E do lado do ICEP? O plágio, assim confirmado, morre sozinho? Funcionalismo …


2. Lisboa está pejada de cartazes gigantes, uns em inglês outros em português. Portugal é a Costa Oeste (aka West Coast) dizem-nos ilustres (e jovens) patrícios. Teoricamente tudo isto é marketing nacional, dinamizador da indústria turística. Tudo bem - a “Florida da Europa” é o futuro que me anunciam amigos por lá, um bom sistema de transportes e de saúde e seremos o refúgio dos reformados europeus, amealhando-lhe as reformas. Afonso de Albuquerque e António Vieira não sonharam o país como lar de terceira idade mas que me interessa isso, “desígnios nacionais” são nada, sabêmo-lo bem. Se resmungo não é por tralha patrioteira, é mais por me lembrar dos “eucaliptos como petróleo verde” de Manuel Pinho, perdão, de Mira Amaral. E daquilo do Silicone Valey da Europa, nos inícios de Cavaco Silva. Chavões para mesas de cafés em bocas de mandarins.

Percebo que uma grande campanha, esta do “Costa Oeste”, seja divulgada no país. Agora isto de atafulhar a capital com cartazes gigantescos, omnipresentes nas zonas centrais é uma total bimbice. We are West Coast by nick não-sei-quantos. Para quem é isto? Para os estrangeiros que já cá estão? A mim parece-me mesmo “pela auto-estima, marchar, marchar”, pendurar cartazes. Marketing turístico? Isto é marketing político, e do mais piroso - Manuel Pinho quer (e quanto o queria) ficar bem na fotografia? “Vejam bem o que estamos a fazer!”? Que palhaçada. Os parvónios no poder. Antes fosse só isso. Isto é uma pobre manipulação dos transeuntes, kitsch desonesto.

3. Há quem ache fantástico, industrioso, cabedal bem gasto (veja-se o que está aqui ecoado.) Ali pass(e)ando avenidas fora imaginei um impossível contrafactual. Fosse primeiro-ministro, imagine-se, um Santana Lopes e que então diria a gauche qui rit ao ver o D. Maria encoberto, os Restauradores pejados, o Marquês idem, a Av. da República e por aí fora com estes trapos pintados a dizerem-nos que agora somos a “West Coast”? Que gente …

(19.12.2007) Política portuguesa. Uma lei a querer extinguir os partidos com menos de 5000 militantes. Preciosismos jurídico-constitucionais à parte pergunto-me “porquê?” “para quê?”. Cristal cristalino a falta de democraticidade deste(s) legislador(es), a ausência do gosto no democrático. Gente vil se de cajado na mão.

E, nunca esquecer, da má matéria de quem são feitos os “senhores doutores juízes” que os acolitam, em particular esses de que de mandato partidário habitam o tribunal constitucional. Gente vil, com o cajado na mão.

Como está Moçambique?, pergunta habitual em todas as férias em Portugal. Que responder? Que vivo num dos países mais pobres do mundo. Numa das sociedades mais assimétricas do mundo - o recôndito rural parece mesmo outro mundo. Numa particular concepção do que é democracia. Numa prática específica do poder.

Mas vivo num Moçambique que confrontado com buracos bancários produziu Carlos Cardoso, jornalista investigador das tramas económicas - e por isso assassinado. E Siba-Siba Macuacua, economista do Banco de Moçambique, investigador das tramas económicas - e por isso assassinado.

Em Portugal, tão mais desenvolvido e democrático, abundam os “nicolaus santos”, bem falantes na tv, e os “victores constâncios”, hieráticos simulando pundonor e transparência. Nem um jornalista a investigar as tramas económicas, nem um quadro do estado a investigar as tramas económicas. Sobre BCP o lixo apenas reproduzia o mito urbano do filho de Jardim Gonçalves a sondar o crédito à habitação nos outros bancos, vejam lá o quão espartano é o Grande Engenheiro.

Como está Portugal?

Longo almoço, febras de porco, prato do dia na Associação Portuguesa (Av. F. Engels). Conversa ainda mais longa, gente de cá, conhecedora de podres e isso. Sobre gente que por cá passou, jovens PCs cooperantes nos idos de 70s e 80s, suas malfeitorias com patrícios e, mais do que tudo, com o país que lhes acolhia “saberes” técnicos e “doutrinas” avulsas. Seus percursos, coisas da podridão humana que todos temos, mas mais uns do que outros. De como hoje de ministros a gente graúda no poder socialista vão sobrevivendo. Do nojo de quem os conheceu.
Da surpresa, a minha diga-se, pela ausência de quem encha uma capa com isso - pois se das histórias dos ex-mrpps tanto se fala. Que neste caso, sim, há História a narrar, não historietas de adolescência erótica.
Mas que interessa isso?

Quarta-feira de RTP-África. Madrugada quase, “Prós e Contras” sobre a Cimeira Europa-África e o tratado europeu (o tal que querem de “Lisboa” como se isso fizesse esquecer a aldrabice de não referendar o que estava a ser chumbado em referendo - ainda que, delenda Cartago est, a constituição portuguesa mantendo a impressão digital dos comunistas de 1975, hoje apreciados socialistas, espolie os emigrantes do direito ao voto [eles “são de direita”, nunca esquecer], sendo portanto uma constituição anti-democrática desenhada por constitucionalistas de cidadania miserável - por mais catedráticos e Asdis que se afirmem).

Mas debate televisivo: um bloguista imparável, um neo-bloguista excitável (se cortarem a voz ao Miguel Portas ele diz umas coisas, se o deixam espraiar ele morre na praia), um secretário de Estado muito funcional (ok, simpatizo com ele, mas aguentou-se muito bem). E um propagandista europeu (Sousa Pinto?). Logo de início dizia o deputadozito, em ejaculações neo-nacionalistas (”neo” porque é também um nacionalismo europeísta), gabando o sucesso cimeirista da presidência portuguesa - Portugal como único país europeu que poderia ter alcançado tal desiderato (o “da nova atitude”, da “nova era”, etc). E porque tem uma “relação desinteressada com África” (ultra sic) - Salazar, Salazar, Salazar (e dizem que Soares gostava do rapaz …). Todas as asneiras que veio a dizer ficaram anunciadas - antes Jorge Lacão, de quem se dizia que Soares não gostava, até ao insulto.

Ainda há disto? Ainda há desta gente? No cosmopolita (e europeísta) PS? Pobre de que junto desta cáfila se tem que sentar? Que imbecil …

Lembranças. Hoje, ao volante, lembrei-me da história daquele urânio, empobrecido ou enriquecido já nem sei. Como é que terão ficado? As conclusões, claro.
(entrada colocada a 20 de Maio de 2004 - já então uma memória)

Estes meus amigos, para os quais sempre sou um “reaccionário simpático”, estes meus amigos da esquerda que foi revolucionária, que se quer progressista, que se mantêm anti-americana, que promove a desalienação, estes meus queridos amigos que terão dito nesta semana, a de Lula e Edir Macedo (o da IURD) tudo juntos?Estes meus amigos sempre prontos a resmungarem contra ZéDu, o cleptocrata, (ah, a rivalidade angola-moçambique!) como passearão as suas belas e burguesas t-shirts com o guevara ao peito?

Quem serão os “reaccionários simpáticos”, afinal? Até (meus) “queridos”?

(Quase) Uma semana de Pretória.

1. Das medicinas privada e pública. Na privada (sul-africana) douta opinião do tira-tudo, acompanhada da lista de honorários - nem grande coisa diga-se. Na pública (santa terrinha) douta (e fraterna) opinão do espera-e-não-tira, sem honorários claro. Os óbvios malefícios do Serviço Nacional de Saúde. [O casal paterno, talvez porque óbvio socialista, tira nada.]

2. A Exclusive Books [entenda-se, a hiper-FNAC lá do sítio] de Neilspruit é melhor do que a Brooklyn Mall (Pretoria) e quase do que a de Sandton (JHB).


Onde vive a “elite” de lá, afinal em Trás-os-Montes?

3. Decadência sul-africana.

Não há novo livro de Madam & Eve.

4. Qualquer coisa sul-africana.

Cheira a Zuma.

5. Maputo (no regresso, mas antes também). No BB (belo blog) Solvstag cita-se Miguel Esteves Cardoso. Ler e comprovar que no Shamwari (ao talho Polana) se serve a melhor cerveja de pressão (aka “imperial”) da cidade.

6.
Maputo (no regresso, a ler e ouvir de Portugal). O meu ex-Presidente (e por isso sempre respeitado) Pedro Santana Lopes muito bem, baldando-se por ter sido trocado pelas malas da família Mourinho. E a minha surpresa com alguma da muito minha gente a não perceber, tamanha lhe é a clubite rosa, de que se trata mesmo da “a infantilização assassina que nos assola como uma praga …”, diga-se neste caso a futebolização.

7. Maputo (no regresso, a ler e ouvir de Portugal). Por falar em bola, eis o sossego da sociedade civil, a “auto-estima” lusa, a exigir outro Trapattoni “campeão”. O apito rubro? Sócrates (o inventor dos dez estádios do Europeu, então o arauto da sociedade [da construção] civil]) agradecerá.

8. Maputo (no regresso, a ler e ouvir de Portugal). Mentira pura nas palavras de Ruben A. Há imensa gente que atende o telefone. Portanto, pois

9. Maputo. E então, muito caro leitor frequente, deseja algum comentário face à polémica relativa às afirmações do arcebispo de Maputo sobre o Sida e suas origens? Menezes, meu caro leitor, Menezes …

[ainda que … em estando gravado se poderá dizer “nada de novo sob este céu” - os brancos de tudo têm culpa (sua condição semi-divina, dir-se-ia); e o preservativo como a arma do deboche não-marital. É o pacote habitual, amancebando-se (não sacramentalmente, já agora) com as ideias populares, de que é na camisinha que mora a doença e que são os brancos que a trouxeram para ficarem com estas belas terras. Contudo a Terra move-se, ainda que a Igreja Católica se atrase.]

10. E falando de coisas bem importantes. “Old age”, diz-me o mecânico, meneando a cabeça até pesaroso, face às múltiplas mazelas do meu

Musso. O nosso fim avizinha-se? Que será de mim?

Um cooperante português pode criticar a política externa portuguesa? Não, não deve (eticamente, com limites). Não, não pode (pragmaticamente, se tiver auto-juízo e leite da criança - e a conta da internet para poder blogar - para pagar). Muito mais quando é o PS a governar … - gente que não é boa gente.

Mas, foda-se, que o meu Estado não receba o Dalai Lama é um nojo. Sejam lá quais forem as razões “óbvias” - “chefe da clique teocrática”, dele escreveu aquando da sua última visita a Portugal o comunista Aboim Inglês, logo a seguir falecido. Será essa a razão? Ou a nossa filiação a regimes colonialistas?

Repito, foda-se!

Adenda: Zero, do 25 Centímetros de Neve informa-me, e muito lhe agradeço, que o Estado português recebeu, pela via do Presidente da Assembleia da República, o Dalai Lama. Aliás um progresso em relação à vergonhosa postura aquando da última visita do guia espiritual do povo colonizado tibetano.

Face a isso altero a entrada: onde se lia “foda-se!” entenda-se “bolas!”. Já agora, sobre a matéria é interessante ler o texto “o país que se vestiu de branco por Timor”, no Avatares do Desejo.

Os emigrantes portugueses continuam com os direitos civicos reduzidos

Portugal. Dia de eleiçoes na capital. O antigo presidente camarario, anterior ministro das obras publicas, na anterior campanha eleitoral disse ter oferecido umas consultorias ou isso (com dinheiro publico) aos membros de um outro partido para que este o apoiasse eleitoralmente. A vergonha passou, passou nos plumitivos blogosfericos, no resto dos opinativos, na tralha do seu partido - que ao nao o ter apeado imediatamente se ve agora apeada. Vai abaixo o escroque, ainda bem.

Eleiçoes em Portugal. Ha anos um bloguista mui lido, constitucionalista encartado, rebaixava (tambem in-blog) intelectualmente os abstencionistas [vai sem elo, que aqui nao se ligam blogs com piadas anti-semitas, ainda para mais da lavra de representantes da Republica]. Prova mera de baixeza moral: hoje e dia de eleicoes na capital, aproveito para recordar. Estou aqui recenseado, estou aqui de passagem, poderia votar. Mas recuso-me a votar num regime em que tal constitucionalista e seus colegas (premiaveis, catedraticaveis, elogiaveis) se permitem definir quem sao os portugueses de primeira e os de segunda. Insisto, os emigrados nao podem votar nas eleicoes do parlamento europeu, nao podem votar nos referendos - sao menos portugueses do que os residentes. Sao de segunda.

Para me recensear onde vivo teria que prescindir dos meus direitos civicos. Mantenho-me recenseado, ha uma decada, em Lisboa. E abstenho-me, nao voto no regime desse(s) constitucionalista(s). Nao lhe reconheço primazia de cidadania.

E, confesso, tenho asco por quem tal lhe(s) reconhece. E com ele(s) vota.

Portugal. Em algum bloguismo ecos críticos, parece que os “dirigentes” (antiga palavra de dialecto latino, significando “líderes”, perdoe-se-me o arcaísmo altaneiro) europeus combinaram fazer um tratado constitucional europeu que não “constituição europeia” - e assim não sendo referendável. Nem ponho elos, o bruaa irá crescer, críticas ao governo (ao regime também) hasteando as bandeiras dos direitos cívicos, e isso.

Sorrio, os cidadãos portugueses emigrados têm direitos cívicos confiscados - herança da desonestidade cívica dos constitucionalistas, temerosos desses miseráveis reaccionários emigrantes. Sim, esses que ainda aí andam, “experts” prestigiados, premiáveis e tudo, nada como a toga do “senhor doutor juiz” ou similar para nos por o chapéu na mão -; não podem votar nos referendos, não podem votar nas eleições para a “Europa” (esse que agora se constitucionaliza). Os bloguistas, à esquerda, à direita, ao centro, não se incomodam com tal. Mas agora, feitos “a seco” cidadãos iguais aos seus compatriotas, vêm urrar, de aparência analítica.

Parvos? Desinformados iletrados? Nada disso, mera desonestidade. Muita desonestidade. (para quê os elos?, é só clic, clic). Olhem, viva os “líderes”, qu’antes eles que tal gente.

desabafo

Portugal. ‘E uma questao de espirito, ou de falta dele. Falta de “democraticidade”, de apego pela democracia, pelo exercicio publico ou privado da opiniao - sendo esta desinteressada, desinteresseira, interessada ou interesseira, informada ou desinformada, esperta ou imbecil, ‘e ela, sao elas, o seu entrecruzar, que contam. Estar contra isso nao ‘e arrogancia, ‘e mero acantonamento. O acantonamento do poder, crispado. Suicidario: felizmente, pelos energumenos que la estao; infelizmente, pela democracia que assim se impotencia.

Dai esta ligacao ao Avatares do Desejo, um completamente de acordo: no apontar o dedo aos tiques persecutorios, censorios, policiescos de um presidente da camara e do seu sequito (Rui Rio et al); no detectar-lhe a osmose (o humus adubado sera o mesmo) com a directora Margarida Moreira (que confirma usar os servicos do Estado para recensear “…tudo o que tem saído na comunicação social, nos blogues, ofícios, em tomadas de posição, em artigos de opinião..” que a critique, coisa muito para alem do mero arquivo de um organismo publico)), partidaria da delacao, da denuncia anonima, da abjeccao moral (que leio ter sido chefe de gabinete de Augusto Santos Silva - a ser assim confesso o meu incomodo, como justificar um regresso aos textos de um brilhante sociologo se homem turbo deste lixo? Frise-se, um homem desonesto nao pode ser bom cientista social pois obviamente falsificara o real para acorda-lo a sua retorica. E so um homem desonesto pode, dizendo-se democrata, ancorar-se nesta gentalha).

Estes tiques do poder sao continuos. A esmagadora maioria nao vem para o publico. Lembro ha anos que um contratado de um ministerio assistiu a uma audicao parlamentar a um secretario de Estado da cooperacao (o cujo, alias, ate me foi simpatico quando o conheci aqui). Dessa reuniao fez uma analise critica e fez circular via e-mail. Foi despedido. Uma tecnica dos servicos estatais fez um mero FW desse e-mail: foi dispensada. Nao ‘e diz-que-diz: conheco todos, ate aos que nem aparecem neste breve resumo e andaram a tratar dos processos.

Da delacao lembro receber de um importantissimo mas mero director-geral um documento oficial, assim espalhado pelos arquivos de multiplos organismos estatais. A instrucao era simples, que eu “comentasse” uma carta anonima, ali reproduzida, falsificando um “pretogues” para parecer obra de mocambicano como se estes fossem o colonial Parafuso. A carta dedicava-se a vida de uma professora portuguesa, criticada entre outras coisas, lembro, por frequentar a esplanada do Hotel Polana. “Comente” tal merda, mandava o miseravel director-geral, ainda que importantissimo (desses que nao so aceitam como induzem o tratamento de “Professor” bem antes do doutoramento). “Uma carta anonima nao se le”, comentei ao “doutor”. A professora nao ficou no seu posto, claro esta. Parece que ia ao Polana …

‘E tambem por isso que nada concordo com o sumo do Eduardo Pitta: os aqueles nao sao melhorzinhos do que os aqueloutros. ‘E um ambiente, um modo de viver, um achar que (tem que ser) ‘e assim - os episodios acima sao historias daqueles e daqueloutros, os canalhas ainda sao ou sao-no outra vez ou virao a ser “directores-gerais (nao) professores”. E ‘e por isso que insisto com o Lutz: os inimigos sao estes, nao o folclore autoritario sim o real autoritario.

(o objectivo do Ma-schamba quando o reabri era nao falar de Portugal. Mas eh um bocado dificil evitar a esparrela bloguistica, caramba, o rincao geme e um tipo irrita-se, quixotesco, familia dixit.

Tem custos isto - como o de perder elos em neo-blogs mocambicanos. Cada um bloga como quer, cada um ela como quer, e ainda por cima hoje os elos nao sao o motor de leituras que foram ha anos. Sao mais um simbolo de relacionamento. Mas ao ver um blog abrir com o primeiro elo aqui a velha casa e reparar na sua queda sorrio ao chauvinismo bloguistico. Tao digno como o chauvinismo. Tao esperto como. Seja qual for o rio que banha o dono.)

Portugal. Desgostoso com este texto no Quase em Portugues la deixei comentario que no Cocanha ascendeu a entrada.

Portugal. “Conversa da tretadisto disse-me um velho bloguista socialista português, perguntando-lhe eu sobre isto. Sê-lo-á, decerto. O que não é treta é isto: o ps é esta merda. Rosas no esterco? Porventura. Mas não mirram com o fedor?