E, parece, mais uma vez contra as simplificações, a vitória a tender para a Frelimo. A contar estão, a ver vamos.
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Eleições em Moçambique
Dezembro 3rd, 2004 — Política Moçambique
Eleições em Moçambique
Dezembro 2nd, 2004 — Política Moçambique
Dezembro 2nd, 2004 — Política Moçambique
Muita Abstenção a sul. Ou muita abstenção a Sul?
Dia de eleições
Dezembro 1st, 2004 — Política Moçambique
Há também quem, e de todos os partidos, preveja a hipótese a divisão de poder. Ou a ascensão do PDD a terceira força parlamentar com constituição de um governo de coligação. Ou, uma divisão mais radical, com vitórias dos dois grandes partidos em cada uma das eleições, legislativas e presidenciais. O que geraria um certo impasse no regime, de tipo presidencialista.
Da campanha nada posso dizer, não acompanhei ao vivo. Mas retiro muito menos ênfase na ameaça de fraude do que se esperava. Um cortejo de observadores internacionais também ajuda: EUA (ditos Carter Centre, com esse jeito americano de desestatizarem o Estado), UE, SADC, Commonwealth, e até CPLP (não conheço a dimensão desta missão, mas estou curioso) são aquelas de que eu tenho conhecimento. Mas creio que a menor ênfase no discurso da “fraude” por parte da Renamo terá também a intenção de impedir os efeitos desmobilizadores no seu eleitorado, temendo-o cansado de derrotas.
Mas essa redução do discurso da hipótese de “fraude” foi positiva, reduziu a tensão pré-eleitoral.
Dois pontos, agora que haverá mudança de poder:
- Joaquim Chissano cede o seu lugar. Algo muito raro em África, ainda para mais sendo o actual Presidente um homem relativamente novo. E a naturalidade com que tudo decorreu é sinal positivo para as instituições.
- A nova configuração de poder, ganhe quem ganhar, herda algo a sustentar. Pois o poder moçambicano é excelente, em termos absolutos, na condução da sua política externa. Eu diria inigualável. Esta tecnologia política é um capital fundamental para o país. Que não se perca, é o desejo do residente.
Novembro 29th, 2004 — Política Moçambique
A (dois) dias das eleições. Para os que aqui visitam e ainda não têm o hábito de cuscar na vizinha Passada ela deixou a sua visão do ambiente em Maputo a dias das eleições.
Novembro 27th, 2004 — Política Moçambique
Ter amigos nos diferentes partidos dá isto. Todos acreditam, e realmente, na vitória. Até o novo (e pequeno) PDD acredita vir a tornar-se a tão ansiada “terceira força”, partido-charneira, decisivo em coligação governamental e até em segunda volta presidencial. Esperançosos no voto do centro, em particular lá pelas banda dos ma-sena.
Dos grandes nem se fala, todos entusiasmados e crentes na vitória.
Alguém, muito alguém, ficará desiludido. A gestão da desilusão é a maior arte política. A ver vamos.
Novembro 20th, 2004 — Política Moçambique
Novembro 15th, 2004 — Política Moçambique
Acho um bocado exagerada a polémica, a levar a crispações desnecessárias. Não sou nada especialista mas acho que a lei eleitoral é boa. Os documentos que saem das mesas de voto são oficiais e soberanos. E todos os partidos têm acesso a um original desses editais. Isso chega. Para quê tanto alarido?
Isto a propósito de um refrescante jornal Notícias de hoje: nele se lê que Afonso Dhlakama afirmou no Cabo Delgado que não há espaço para quaisquer fraudes eleitorais, assim valorizando a lei.
Se os líderes em contenda desvalorizam o horizonte de “fraude” pouco espaço fica para essa arma de arremesso. E para o seu perigo.
Novembro 7th, 2004 — Política Moçambique
Campanha: "caça ao voto"
Outubro 28th, 2004 — Política Moçambique
Demonstrará isso que por aqui há uma melhor e mais acertada compreensão do que é a “política”? Mais descomplexada? Parece.
Outubro 23rd, 2004 — Política Moçambique
É a campanha! E atravesso no aguaceiro, o frescote que aqui digo “gélido”. E “hum, assim não ganham votos”…”aqui? assim?!”.
Outubro 21st, 2004 — Política Moçambique
Imagem polissémica, essa a que falhei. Ou apenas avaria.
Outubro 17th, 2004 — Política Moçambique
Agosto 18th, 2004 — Política Moçambique
Esconjurando ainda. E concordando…
Agosto 17th, 2004 — Política Moçambique
Esconjuro. A Paz pode ser picada. Caminho. Via qualquer. Estrada. Mas seja como for tem sempre linha de horizonte. O resto é beco. Que os meus cunhados andem. Mesmo que devagar. Mesmo que por vezes parem. Porque o resto é beco.
Maio 3rd, 2004 — Política Moçambique
Abril 21st, 2004 — Política Moçambique
Monroe…quem?
Março 16th, 2004 — Política Moçambique
Mas com muito menos retórica. Ah, e assim acredito que os corredores, Beira e Nacala, vão mesmo funcionar.
Monroe…quem?
Por águas diplomáticas
Março 4th, 2004 — Política Moçambique
Há cerca de duas semanas despediu-se de Moçambique o embaixador chinês. A ter cumprido o natural período que as missões diplomáticas demoram Sexa. Embaixador terá acompanhado (e quiçá impulsionado) o muito saudável e visível incremento da presença chinesa neste país, ao nível empresarial e também de cooperação - é voz corrente que a APD chinesa é absolutamente ligada, ou seja os seus projectos implicam associação a empresas chinesas. Não sei se é absoluta esta afirmação, não acompanho a matéria, mas o tangível (e audível) afigura-o.
Mas não é isso que me leva a este escrevinhanço. Apenas a despedida do senhor embaixador. Pois por essa ocasião deu Sexa uma entrevista ao jornal Notícias, na qual se debruçou sobre a vida machambeira.
Aí referiu serem as mulheres moçambicanas as obreiras de todo o trabalho agrícola, enquanto que os seus pares homens se limitam a pequenos trabalhos iniciais (o desmatar), e pouco ou nada mais fazem, preguiçando e bebendo no restante tempo. E dizia ainda, no rescaldo da sua missão, que se por cá os homens trabalhassem como as mulheres o país se desenvolveria a contento.
Nem me atrevo a questionar da justeza das conhecimentos agrícolas de Sexa Embaixador, ainda que talvez um pouco urbanos. Mas quando amigos se aprestaram a narrar-me estas espantosas (e até pouco diplomáticas) afirmações, o esconjuro da preguiça moçambicana, não pude deixar de me interrogar: e se tivesse sido o embaixador de um outro país a sair-se com esta? O sueco, o argelino, o brasileiro (e já nem digo o português)?
Não cairia o Pott e a Fortaleza???
O Senhor Pine Ataca de Novo
Março 4th, 2004 — Política Moçambique
O amigo Pine, exilado na apertada faixa entre estremadura e alentejo, enviou esta missiva. Após partilhar estas ma-schamba para exorcisar o luso estado surge, até poético, apelando ao por aqui…e transpirando essas saudades.Ocorre-me, ò das musas, que a vida não é um sonho. E apesar de tudo o importante é que se vá colimando. Daí que nada de desilusões…nem de ilusões. Grande abraço, e aqui segue transcrição:
Caro Ele,Que alegria reler a Macaneta, recordar o Inkomati, regressar à Ma-schamba. Que alegria recordar os amigos de lá longe, de onde saímos com saudade . Que bom é saber que a Ma-schamba ainda tem uma Macaneta onde chegamos, comemos, torramos e banhamos.
Um destes dias em que o sonho esteve comigo, sonhei com a Ma-schamba, com a imensa Ma-schamba de Pemba à Ponta do Ouro, com todas as Macanetas, Inhambanes, Quissicos, Ilha de Moçambique, tudo o que de bom vivi, sonhei que a estava a viver com a minha Ela, que ainda não conhece essa imensa Ma-schamba e que já a respira um pouco como eu.
Mas sonhei mais, sonhei com uma Ma-schamba em que uma mulher chamada Luísa fazia a diferença, porque a governava, com calças, como alguns dizem, mas também com paixão e com saber, sonhei que essa Luísa estava a fazer a diferença e que as ruas da Ma-schamba, todas as ruas dessa imensa Ma-schamba, estavam diferentes, mais bonitas, mais floridas, mais arranjadas, com mais pessoas, com menos crianças abandonadas à sua sorte. Sonhei que essa imensa Ma-schamba renascia, com amor e muita justiça, que essa imensa Ma-schamba não pedia ajuda, oferecia trabalho, crescia por si só, mostrava a alma de uma nação.
Sonhei que essa mulher de calças, que essa Luísa, fazia uma nova Ma-schamba, mais igual, mais rica, mais solidária, mais diferenciada. Sonhei que na capital da Ma-schamba existiam árvores que floresciam porque a Ma-schamba estava bem tratada e não porque a natureza assim o ordenava. Sonhei que na capital da Ma-schamba, como em cada uma das cidades e cidadezinhas da Ma-schamba, a minha Ela me dizia “que bonito, que povo sorridente, que povo bonito” e que eu lhe respondia que tinha sido uma Luísa, de calças, mas também de saia, porque uma Ma-schamba precisa de calças, mas precisa muito de umas saias que a tornem mais bonita e mais solidária.
Sonhei. E no dia seguinte acordei com a tristeza de ver que não são as calças que fazem uma Ma-schamba, que essa Ma-schamba talvez tenha calças a mais e conteúdo a menos. Estou longe da Ma-schamba e por isso não sei se ouvi boatos ou se ouvi verdades, mas sei que, inflizmente, uma vez mais a culpa vai morrer sozinha, como morreram algumas crianças, como morreu uma freira. E são estes boatos ou verdades que fazem com que a Ma-schamba não seja a do meu sonho, que fazem com que as árvores floresçam só porque a natureza manda e não porque a Ma-schamba está mais bonita e mais solidária.
Um abraço, ainda não completamente desiludido do Pine.

