Archive for the ‘Economia Moçambique’ Category

ESTAMOS JUNTOS 1 – TUDO BOM 0

Quinta-feira, Junho 24th, 2010

por ABM (Quinta-feira, 24 de Junho de 2010)

Na véspera da data em que Moçambique completa trinta e cinco anos de independência, certamente se vai assinalar a efeméride com a habitual lenga-lenga da longa noite da treva colonial e de que estas três décadas e meia foram uma celebração de virtudes. Alguns mais avisados, fizeram como o meu caríssimo José Luis Cabaço (cujo pai era um distinto sócio do Desportivo, a minha alma mater moçambicana) que aproveitou para dar os retoques finais numa longa (looonga) tese de doutoramento no Brasil sobre o assunto. Numa entrevista que foi transcrita no Jornal de Angola, publicada ontem na cidade de Luanda, Cabaço contou que, entre as bênçãos da (sua) geração que governou depois de 1974, ter logrado manter o conceito da unidade nacional entre os moçambicanos. Tudo bem, mas para que fique registado, não me recordo de os portugueses coloniais terem sequer pensado em retalhar o país. E quando diz que ainda permanece o problemazito “herdado” do tempo colonial” da sociedade a duas velocidades (a da cidade e o pessoal no mato), aí a coisa já dá para algum debate. Ah afinal isto foi herdado do tempo colonial? foi uma coisa desses malandros colonialistas? não terá sido um fenómeno normal em qualquer sociedade rural que se moderniza? e a sua resolução é uma questão política? ah é? e como se vai resolver isso?

Obviamente uma questão para os senhores que vêm a seguir.

Mas, a propósito, queria aproveitar para fazer uma pequena pré-celebração do 25 de Junho. Eu tenho a boa fortuna de estar na lista de distribuição da Ferro & Ferro, uma excelente empresa de comunicação baseada em Maputo, que ao princípio da noite enviou aos seus subscritores um comunicado da empresa de telecomunicações celulares MCel, indicando que no domingo passado, a empresa havia instalado o seu serviço de comunicação celular no longínquo Distrito de Majuni, na província nortenha do Niassa (longínquo para quem está em Maputo, isto é. Para os Majunianos aquilo é a casa deles).

O facto não seria tão assinalável não fosse a nota indicando que, com este melhoramento, certamente muito bem vindo na localidade, a MCel no domingo completou o seu programa de cobertura de todo o território nacional (bem, as Quirimbas vai ser complicado mas há-de chegar o dia).

E se José Luis Cabaço refere a unidade nacional em termos políticos, creio que este anúncio da MCel não é menos significativo e precisamente pela mesma razão: com esta infra-estrutura, Moçambique cada vez mais é só um país e um povo.

Apropriado, na véspera de mais um feriado nacional.

Por isso felicito os moçambicanos e também a MCel. Os países fazem-se, e traçam os seus destinos, por actos como estes.

E o povo de Majuni agradece.


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OBAMA VS. SULEIMAN

Quinta-feira, Junho 3rd, 2010

por ABM (3 de Junho de 2010)

Maputo acordou ontem de manhã com a notícia, convenientemente digerida em privado antes de ter que se dizer alguma coisa em público, de que o governo dos Estados Unidos da América do Norte, na sua óptica, declarava proscritos o Sr. Bachir, a sua família, associados e negócios, acusando-o e às suas organizações, em termos muito pouco susceptíveis de interpretações diversas, de alimentarem, e alimentarem-se, de um considerável volume de tráfico regional e internacional de narcóticos.

O surgimento desta tomada de posição por parte dos algo longínquos Estados Unidos, num relativo vácuo de comentário quer por parte de Moçambique ou da África do Sul, supostamente um dos alvos principais do alegado tráfico, quer das suas autoridades quer da sociedade, quase chocaram os menos avisados. No noite passada, ao vivo na televisão nacional moçambicana, um Bachir combativo proferia a sua indignação e inocência e exigia que se provassem as alegações contidas nos comunicados de Washington. A seguir divulgou uma carta dirigida ao actual embaixador norte-americano em Maputo a pedir uma reunião e a produção das provas do que o seu governo dizia.

Apesar de, ao longo dos tempos, vários (e corajosos) jornalistas terem publicado detalhados relatórios sobre o aparentemente crescente negócio do tráfico de droga, do posicionamento de Moçambique na rede global desse tráfico, e dos numerosos indícios da presença desse negócio na economia e sociedade moçambicanas, a reacção da imprensa diária moçambicana desta manhã foi a esperada e dividiu-se em três campos. Uma parte limitou-se a reportar a acção americana, uma parte reportou o que os americanos fizeram e a declaração de inocência do Sr. Bachir, e uma parte reportou apenas a declaração de incoência do lídero do Grupo MBS. Um ou outro, inacreditavelmente, nem mencionaram o que acontecera.

Que eu tenha conhecimento, o governo de Moçambique nada comentou sobre o assunto até ao momento.

Sobre o assunto tenho apenas dois comentários a fazer.

O primeiro é que tudo isto é extremamente grave. Suleiman Bachir não é uma pessoa qualquer. É uma figura de primeiro plano do Moçambique actual, com um elevadíssimo perfil económico, social e político e ligações profundas com a comunidade de negócios e a elite política do país.

Se o que aquilo que foi divulgado pelo governo dos Estados Unidos da América é verdade, o que indicia sobre Bachir e especialmente sobre o Moçambique actual, deve preocupar de sobremaneira os moçambicanos. Pois, a ser verdade, indicia graus de impunidade e de compadrio a níveis nunca dantes observados. E, a ser verdade, implica a necessidade de um processo da lavar as mãos como nunca se viu em Moçambique desde a independência há 35 anos.

E, creio que, dadas as actuais circunstâncias, não há como dar a volta ao assunto. Alguém vai ter que investigar e dizer se o que os americanos, ao mais alto nível, dizem, é verdade.

O segundo comentário é que eu acho que as pessoas que leram e ouviram o que os norte-americanos, formalmente e por escrito, disseram, não entenderam bem o alcance das medidas agora implementadas.

Ao declarar proscritos o Sr. Bachir, familiares, associados e todos os seus negócios, o governo norte-americano não está apenas a inibir a actuação de cidadãos e empresas norte-americanas em relação ao dono da MBS, sua família e associados.

O impacto e abrangência das medidas agora tomadas é muito mais vasto, e inclui a maior dificuldade nestas pessoas se fisicamente se deslocarem internacionalmente e movimentarem fundos, e ainda de fazerem negócios, e, nas suas empresas, de transaccionarem internacionalmente.

Mais importante, as medidas ora anunciadas formalmente, inibem as pessoas e entidades por ela abrangidos, de transaccionarem com entidades que, directa ou indirectamente, façam negócios ou tenham alguma relação, directa ou indirecta, com pessoas ou entidades que tenham algo que ver com os Estados Unidos da América – sob pena de essas entidades serem severamente penalizadas com multas ou verem os seus bens nos Estados Unidos confiscados pelas autoridades norte-americanas.

Por exemplo, os bancos europeus e sul-africanos que detêm capitais de bancos moçambicanos (mais do que 80 por cento da banca moçambicana e que incluem o Bim, BCI, Standard, Barclays e o pequeno FNB) e que directa ou indirectamente têm relações com os Estados Unidos, deverão reconsiderar urgentemente manterem negócios com estas pessoas e entidades, sob pena de, da sua actuação em Moçambique, haver repercussões na Europa e nos Estados Unidos, na forma da imposição de pesadas multas e o confisco de bens. No mínimo (uma curiosidade que só mesmo os americanos é que podiam inventar) estas entidades provavelmente não poderão deter quaisquer contas no nome destas pessoas e entidades denominadas em dólares norte-americanos, mesmo (especialmente) em Moçambique.

Mas no fim do dia, a atenção recairá no plano diplomático. Face a uma acusação tão contundente, que não dá qualquer margem para uma interpretação diversa do que ali está dito, qual será a actuação do governo de Moçambique?

Qualquer que seja o resultado final, é um escândalo.

Se os americanos se enganaram, é um erro de proporções bíblicas e um crime contra Bachir.

Se não se enganaram (entre outros, um recente artigo de Marcelo Mosse na Newsletter da CIP Nº5, aponta contundentemente para este cenário) esta é uma situação insustentável.

Pelas ilacções que daí se podem fazer.


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A NORTE DO NORTE

Terça-feira, Maio 11th, 2010

O Norte do Norte: o Rovuma, junto à Tanzania

por ABM (11 de Maio de 2010)

Não se pode deixar passar despercebida nesta casa a inauguração, durante o dia de amanhã, da ponte que atravessa o rio Rovuma e que passará doravante a ligar o lado moçambicano da fronteira com o lado tanzaniano, por via rodoviária.

Como nunca lá meti os pés nem pelos vistos há fotografias da tal dita cuja ponte (“Ponte da Unidade”), fiz o que se pode fazer hoje em dia: percorri toda a extensão do rio Rovuma no Google Maps, até encontrar o que me parece ser (à data de 2007) o local da ponte. É a foto que se vê em cima. Tirando a ponte, não parece haver rigorosamente nada de cada lado da fronteira. Mas a esta hora os terrenos já estão todos com dono e já há balcão do BIM por perto.

Esta ponte, segundo reza a imprensa, faz parte de um velho desejo expresso por Samora e Nyerere lá para 1975. Como supostamente só custou 30 milhões de dólares (e da melhor construção chinesa), temo só de pensar quanto é que vai custar a unidade entre os povos quando alguém tiver que passar para o lado de lá e vice-versa.

Aliás, para já interrogo-me qual será o uso da ponte, tirando os traficantes de droga, os candongueiros e os batedores de carros de Gauteng, que subitamente passaram a ter um novo mercado (se a PRM não lhes pregar uma entretanto). Aliás, não sei se, nestes termos, a abertura deste novo acesso ao território moçambicano não vai trazer tantos problemas como benefícios. Acredito que haverá bastante trânsito de transbordo da África do Sul para os países a Norte. Mas, e de lá?

A ver vamos. Para já, aguardam-se os discursos solenes, os desfraldares de bandeiras, o reiterar da amizade tanzaniano-moçambicana e o brindar do champanhe.

E removido este obstáculo dos equilíbrios regionais e das promessas por cumprir, talvez agora se possa descomplexadamente fazer a única ponte que falta para ligar o país de Norte ao Sul, o Sul que falta para completar e preparar rapidamente a expansão da capital moçambicana (que já se faz tarde), o tal Sul que deu mais dores de cabeça em tempos aos diplomatas portugueses dos tempos do Império que quase todo o resto da então projectada colónia.

E a ponte até é curtinha. Por detrás (espero que bem por detrás) da velha estação dos CFM até à Catembe é quase, apenas, um salto.

A Norte, Maputo. A Sul, A Ka Tembe, e o Sul de Moçambique


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QUEM VIVE NA PERIFERIA

Terça-feira, Março 30th, 2010

por ABM (Alcoentre, 30 de Março de 2010)

Nas últimas semanas referi primeiro um projecto ambicioso para construir um bairro de luxo nos aterros onde se situava a FACIM na zona baixa da cidade de Maputo, e a seguir um artigo sobre o crescimento quase desmedido da periferia da capital moçambicana. É oportuno ver o quadro acima, baseado em dados da ONU, sobre o que se tem passado no mundo, e tirar uma ou duas ilacções.

Refira-se que os dados, citados numa peça do Economist desta semana, compreendem o periodo entre 1990 e 2007, ou seja, excluem os efeitos da crise que estalou em Outubro de 2008 e que começou com a falência do banco norte-americano Lehman Brothers.

Já por mais que uma vez afirmei que a maior revolução em termos do planeta e da nossa espécie, iniciada no século XVIII na Europa e que agora percorre o planeta, é a urbanização, isto é, a saída em massa das populações das zonas rurais para cidades. Esta migração tem tido e continuará a ter consequências profundíssimas em todos os aspectos da vida e actividade humanas, para o ambiente, para a terra. É uma revolução cataclísmica.

Referirei aqui a África do Sul, que está no quadro, e Moçambique e Portugal, que não estão.

Em vinte anos, a população sul-africana que vive em bairros da lata, que em 2007 se estimava ser cerca de 8.4 milhões de pessoas, diminuiu em cerca de metade em termos percentuais. Ou seja, presume-se que essa alteração assentou na integração de milhões de pessoas na fibra das cidades sul-africanas, o que em parte reflecte a evidência de que o objectivo – o sonho – de um (essencialmente, negro) sul-africano poder viver numa cidade é não só altamente desejável como um objectivo exequível.

Ora a taxa de sucesso nesta migração, ainda que se tenha reflectido em maiores taxas de criminalidade e a saturação das infra-estruturas sul-africanas, paradoxalmente é se calhar o maior sucesso da fase do pós-apartheid. De certa forma manteve a África do Sul a caminho do futuro (e o futuro, inexoravelmente, é a urbanização) e politicamente permitiu manter a paz política através da concretização do novo “sonho sul-africano” e ainda (pelo menos por enquanto) relegar para segundo plano a questão emocional mas largamente irrelevante da posse da terra, que naquele país podia ser tão quente senão mais do que no vizinho Zimbabué. Que está e vai estar de rastos.

No caso de Portugal, a saída das pessoas das zonas rurais, quer por via da urbanização para as cidades portuguesas, quer por via da emigração (que na verdade é outra forma de urbanização) acentuou-se nos anos 50 do século passado e percentualmente está a atingir os níveis médios da Europa Ocidental, com a consequência que um tema recorrente e popular na política portuguesa nos últimos anos é a “desertificação” das zonas rurais e interiores (as principais cidades portuguesas situam-se na faixa litoral atlântica). Esta tendência não se vai alterar. As muitas vilas e aldeias portuguesas, que hoje fazem lembrar as boom towns desertas do Faroeste americano de há cento e trinta anos atrás, irão continuar a esvaziar-se à medida que as gerações mais velhas morrem. As escolas continuarão a fechar, os serviços a deslocarem-se para onde está agora a viver a maior parte dos portugueses (fábricas, hospitais, polícia, serviços). O luxuoso capricho de tentar “fixar” as populações no interior tem sido apenas isso: luxuoso, e caprichoso.

O caso de Moçambique é mais difícil de quantificar mas mais interessante .

É mais interessante pelo percurso da sua urbanização e pelas escolhas políticas feitas antes e depois da independência.

Nos anos 50 e 70 e até 1974, as cidades moçambicanas, em larga parte “alimentadas” pelo crescimento económico e industrial e pela migração de quadros médios e técnicos especializados, a maior parte dos quais vindos de Portugal dada a inexistência de meios de os formar na então província portuguesa (mais conhecidos localmente por “os brancos”) caracterizavam-se pelo crescimento concumitante de vastas periferias residenciais e industriais para onde gradualmente se deslocavam as populações africanas vindas das zonas rurais. No Sul, essa migração era há muito “desviada” pela então deslocação de centenas de milhares de homens para alimentar a indústria mineira e agrícola sul-africana, iniciada nos anos 80 do século XIX com as descobertas de vastos depósitos de ouro e de diamantes em Kimberley e no Witswatersrand.

Mas a situação alterou-se radicalmente com o advento da independência, quando a economia entrou em colapso quase imediato e radical, e a liderança política da altura fez dogma da ruralidade, consagrada numa legislação chamada lei da terra – legislação e dogma que, com enormes, quase aberrantes buracos, permanecem até este dia, com algumas consequências funestas.

O efeito combinado destas realidades foi que a população moçambicana permaneceu no mato e quer o processo de modernização social, representado pela urbanização, que invariavelmente se traduz em mais oportunidades de trabalho, maior disponibilidade de serviços e qualidade de vida, congelou. De facto, a apregoação das virtudes da vida rural tornou-se em quase uma religião de Estado e uma forte (mas, a meu ver, falsa no longo prazo) mola de apoio do regime. Ainda hoje faz parte do discurso político a (totalmente falaciosa) afirmação de que uma das grandes “conquistas” da independência foi a posse da terra pelo “povo” (na realidade, à disposição de quem manda).

Pois a prazo, a terra é apenas – apenas – um factor de produção. Como exemplo, nos Estados Unidos, de longe a maior potência agrícola do planeta, menos que 1 por cento da população trabalha a terra.

A segunda migração urbana de Moçambique consistiu em tirar os portugueses e seus descendentes (“os brancos”) das cidades e substitui-los por moçambicanos. Para o efeito, o governo, que, convenientemente, apregoava uma linha dura de marxismo-leninismo, para além da terra, nacionalizou quase tudo. Em 1984, quando visitei Moçambique pela primeira vez desde a independência, as cidades e arredores estavam congeladas, as casas construídas até 1974 cheias de gente que viera do mato e quase sem nada que fazer. Os efeitos das guerras e da consequente repressão começavam a fazer-se sentir.

A terceira migração ocorreu no fim dos anos 80 quando a guerrilha da Renamo, com o apoio logístico das forças de segurança sul-africanas, espalhou a guerra pelas vastas zonas rurais moçambicanas e aterrorizou as populações que ali viviam, uma parte das quais fugiu e refugiou-se nas cidades e suas periferias, cujo controlo e relativa segurança eram ainda asseguradas pela Frelimo. Quando a guerra acabou em Outubro de 1992, as principais cidades moçambicanas estavam inundadas por gente rural essencialmente refugiada.

Uma boa parte da qual não voltou para os campos, que estavam abadonados, minados e sem quaisquer infra-estruturas. Afinal, a miséria peri-urbana era menos sombria que a enorme incerteza de sobreviver no mato, sem qualquer rede de apoio.

As cidades moçambicanas e o establishment político levaram algum tempo a reagir. A ideologia “ruralista” e a lei da terra intocadas, a sensação do observador externo era que se esperava que, cessadas as hostilidades, as pessoas voltariam para os campos e tudo voltaria a ser como dantes.

Só que não voltaram.

E aconteceu entretanto outro fenómeno; a população continuou (e continua) a crescer agressivamente. O que significa que em 2008 Moçambique passa a ter um cenário curioso: ao mesmo tempo, apesar de todos os esforços, continua com perto de 80 por cento da sua população total, que se cifra perto dos 22 milhões de pessoas (havia 6 milhões em 1974) a viver no mato e primariamente da subsistência – eufemisticamente descrita como “actividade agrícola”- enquanto que os remanescentes 20 por cento residem nas cidades e suas periferias, as quais, na sua configuração básica, continuam a ter quase exactamente a mesma estrutura que tinham em 1974, com a agravante dela não ter sido mantida nem tão pouco expandida.

Aliás daqui se extrai uma curiosa estatística: apesar de percentualmente, segundo os magos destas coisas, haver hoje uma percentagem da população abaixo de um mitológico (qualquer) “limiar da pobreza absoluta”, em números reais hoje há muito mais moçambicanos na miséria do que nunca.

Os poderes constituídos, convertidos entretanto a uma espécie de capitalismo keynesiano em que os capitalistas são eles e a parte keynesiana é composta por um curioso sortido de países doadores, ONG’s, empréstimos de instituições internacionais e grandes empresas, têm feito o que podem. O que se tem traduzido por “grandes” projectos de extracção daquilo que os portugueses pelos vistos se esqueceram que estava debaixo dos seus pés durante 475 anos.

Só que, à excepção daquela estação espacial que é a Mozal, e que fica entre Boane e a Matola, esses projectos têm que ficar situados por cima de onde os bens se encontram, que são sítios como Moatize, Moma, Pande, etc.

Bom, mas não vai resolver por si só o problema dos números.

Nos países que passaram por este processo, a urbanização foi acompanhada por forte (ou melhor, quase selvagem) crescimento industrial e comercial nas cidades e suas periferias, que geravam, bem ou mal, empregos aos milhares.

Mas o mundo de hoje já não é o que era. Não é fácil promover a substituição de produtos manufacturados importados pelos mesmos produzidos domesticamente, até porque, neste caso, como se sabe, só entre a China e a vizinha África do Sul, não há quase nada que Moçambique possa possivelmente fazer que estes dois países não façam melhor, mais barato, mais depressa e com maior qualidade.

Portanto, se já há algum (peco aqui pela contenção) sub-emprego urbano e suburbano pela ausência de uma “revolução comercial e industrial” urbana, como é que vai ser quando, nos próximos 50 anos, aproximadamente metade da população rural de Moçambique, e os seus descendentes, se deslocarem para as periferias das cidades, em busca de emprego e de uma melhor vida? Estamos a falar de 12 milhões de pessoas. Como vão Maputo-Matola, a Beira, Nampula, Chimoio, Xai-Xai, Inhambane, aguentar?

Como vai ser gerir Maputo com cinco, seis milhões de habitantes, noventa por cento dos quais provavelmente, praticamente, à beira da miséria?

Por outro lado, o que vai acontecer nas zonas rurais?

Este irá ser seguramente um dos maiores desafios da liderança da geração dos pós-fundadores.

Um desafio logístico, político e de paradigma.


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No Olho do Furacão

Sábado, Dezembro 5th, 2009

zim dollars

por ABM (Cascais, 5 de Dezembro de 2009)

Se há coisa que aprendi na vida é que a vida está sempre pronta para nos ensinar coisas novas. Cabe-nos ter valores fundamentais para que possamos gerir o presente e tentar antecipar algum futuro.

Na área do nosso dinheiro, esta é uma altura de aprender e de analisar esses valores fundamentais. Pois as opções que tomarmos agora e nos próximos tempos poderão ser críticas.

Se se analisarem alguns dos elementos económicos que nos afectam para além do emprego e ou negócio em que estivermos envolvidos – e cinjo-me a Portugal e Moçambique, essencialmente – os indicadores permanecem algo preocupantes.

Moçambique

Em Moçambique, há a relativa boa notícia de que a inflação média baixou para níveis históricos – 1.4% nos dez meses que terminaram em Outubro. Mas o défice da balança, o corte no investimento e fontes de financiamento externos podem vir a dar problemas e a desvalorização já observada na cotação do Metical auguram dias de renovada inflação. Pois – e o governo moçambicano é o primeiro a dizê-lo e muito bem – Moçambique ainda importa imenso, mas, mais importante, importa demasiadas coisas que não deveria ter que importar. Essa velha solução “terceiro-mundista” e pouco “globalizadora” que se chama a substituição das importações, deveria ser “o” desígnio nacional. O país tem uma relativa almofada na aparentemente perpétua disposição de cerca de vinte países para subsidiarem os custos do seu funcionamento e os projectos de infra-estrutura. Mas essa disposição não é na verdade perpétua. A confiança dos agentes económicos locais baixou e o resultado foi a saída de milhões de dólares em moeda estrangeira do mercado pela porta do cavalo, dinheiro esse que faz falta ao país. Quando há poucos anos foi relativamente fácil montar a operação de aquisição da maioria do capital da HCB (a “reversão”…) hoje a montagem da operação de financiamento da barragem e central de Mpanda-Nkua (cuja construção defendo devia ser iniciada ainda nesta legislatura) está a ser menos fácil. Para além de toda a trepidação em termos do impacto ambiental, as fontes de financiamento não são o que eram há cinco anos.

E há ainda assuntos por encerrar, como por exemplo a manutenção dos preços dos combustíveis a níveis artificialmente subsidiados pelo governo. Mais cedo ou mais tarde, esses valores vão ter que ser ajustados, com as previsíveis consequências para os factores de custo.

No entanto, politicamente o país saíu de uma eleição importante com um mandato forte para o governo do partido maioritário em quase todas as esferas da governação. E em termos macroeconómicos a gestão tem sido particularmente cuidadosa.

Não se passa o mesmo em Portugal.

Portugal

As mais recentes estimativas para a economia portuguesa são quase assustadoras. Apesar de se esperar uma  inflação nominal negativa este ano, há certos factores como o custo dos combustíveis que estão a níveis historicamente muito altos. O défice orçamental, que se estima agora em cerca de 8.5%, é uma loucura, apenas ofuscado na zona Euro pela Irlanda, Espanha, Itália e a Grécia, que são loucuras absolutas (mas com a desgraça dos outros todos podemos aguentar, não é?). Estes valores não levam em conta a intenção do governo central em continuar com chamados mega-projectos, cujo custo será enorme e cujo financiamento terá que vir de fora, e ainda com elementos pouco descuráveis como a contabilização da intervenção do Estado na nacionalização do Banco Português de Negócios e do Banco Privado Português, cujos processos se vão arrastando sem fim à vista. Adicione-se a esse contexto a maior dívida externa privada da história de Portugal e a crescente onda de desemprego, que deverá subir para os 11 ou 12 por cento antes que o próximo ano termine. A pressão política para aumentar os subsídios aos desempregados e as empresas já tecnicamente falidas e sem vendas aumentará e com ela os custos do governo. Governo esse que não só não tem qualquer maioria ou mandato especial para governar, como ainda por cima tem que lidar com a oposição menos organizada e mais descabida que já se viu numa geração.

O efeito destes condicionalismos económicos e políticos serão uma maior tensão social, uma maior chance de algum “caos” em termos de tomada de decisões, um contínuo aumento nos impostos directos e indirectos, uma maior pressão sobre o património e os rendimentos dos contribuintes particulares e empresas, bem como medidas “anti-corrupção” – não tanto porque a corrupção seja algo errado ou imoral, mas porque o governo central precisa desesperadamente de mais dinheiro para custear os seus programas e pagar as suas dívidas.

Curiosamente, mais por causa dos problemas similares nos Estados Unidos, o euro até agora tem mantido um valor considerável contra o dólar e a libra. Mas isso pode mudar, se se vier a confirmar que a economia europeia demorará a recuperar e irá absorver directamente os custos de financiamento dos défices acumulados dos seus estados via aquilo que os americanos já fizeram – imprimindo mais papel-moeda. Uma descida no valor do euro ajudaria nas exportações mas pressionaria a inflação e subiria as taxas de juro. Domesticamente, os efeitos poderiam ser perversos.

No caso português, corre-se ainda o risco de alguma contaminação resultante da deterioração económica em Espanha, um parceiro privilegiado e muito entrosado já com Portugal, onde a taxa de desemprego já se cifra em 20% e que está a passar por uma quebra sem precedente no sector imobiliário.

Claro que há muito pior que isso. Não consigo imaginar o que é viver estes dias no Zimbabué. Que cola com o centro de Moçambique.


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China e África: A Análise de Uma Relação

Segunda-feira, Novembro 16th, 2009

china_africa_21

Por ABM (Cascais, 16 de Novembro de 2009)

Loro Horta, um Visiting Fellow numa Universidade em Singapura, publicou recentemente, no Centro para o Estudo da Globalização da Universidade norte-americana de Yale, um comentário, baseado numa série de entrevistas e visitas que fez no continente, sobre a percepção que os africanos tinham da quase súbita atenção dada pela China às suas relações económicas e políticas com África.

Refira-se ainda que Loro, um académico e consultor, é timorense e o filho de José Ramos Horta e Ana Pessoa, respectiva e actualmente o Presidente e a Procuradora Geral do único país da Ásia que tem esta língua como oficial. Ana Pessoa viveu exilada vários anos em Moçambique durante a ocupação indonésia da sua terra e terá trabalhado em Moçambique nos tribunais.

A conclusão de Loro sobre o assunto é que há actualmente em África – com nuances variando de país para país – duas percepções muito claras mas quase diametralmente opostas em relação à presença, investimentos e forma de estar dos chineses no continente.

Por um lado, as elites em geral favorecem e vêm com bons olhos essa presença, que preenche uma importante lacuna em matéria de investimentos e importação de conhecimentos (know-how), especialmente numa altura em que, quando se sentia uma maior pressão para desenvolver, os países e as empresas ocidentais não só diminuíram o seu empenho no desenvolvimento e nos negócios em África, como ainda dificultaram o processo interligando aos donativos e investimentos todo um conjunto de imposições, desde reformas políticas e administrativas à prática de políticas humanitárias e ambientais as quais são frequentemente percepcionadas como neo-colonialismo ou interferência com as suas soberanias. Sendo conhecido que a China tem-se demonstrado quase ostensivamente blasé em termos dessas questões.

Pelo contrário, o modelo de desenvolvimento económico e social chinês, baseado num dirigismo algo rígido do PC Chinês (Loro chama-lhe em inglês “China’s model of a strong government”) é visto em muitas capitais africanas como uma tentação, senão uma inspiração, especialmente se se tiver em conta aquilo que vêm como a imposição “neo-colonialista” do modelo democrático-liberal ocidental por parte dos investidores e doadores que, reclamam, não funciona na perfeição em África.

Dos investimentos Chineses, alguns em condições particularmente favoráveis e em projectos de infra-estruturas e na agricultura (onde os países ocidentais não investem) resultam ainda parcerias muito interessantes que ajudam essas elites a fazer negócios e assim enriquecer.

Por outro lado, reporta Loro, as classes sociais menos abastadas nesses países vêm muito desfavoravelmente essa presença, a bordejar no racismo anti-asiático puro e duro, principalmente porque invariavelmente o investimento originado na China vem acompanhado de milhares de trabalhadores não especializados (frequentemente em condições miseráveis) para executar os projectos, logo não oferecendo trabalho à mão de obra local e em contraste flagrante com nalguns casos estritas quotas em termos do número de estrangeiros que podem trabalhar numa empresa ou numa empreitada (veja-se os casos em Moçambique e Angola, países que Loro conhece e refere especificamente e em que contrasta esta forma de estar com a dos portugueses, sujeitos ao total cumprimento das leis que limitam a presença de nacionais seus nos projectos).

Adicionalmente, o investimento chinês é também acompanhado por um abrir de portas dos países (visto mais como uma invasão) de pequenos e médios comerciantes, a maioria deles relativamente pobres, que trazem milhares de produtos a preços imbatíveis, competindo contra, e ameaçando, o pequeno e médio comércio local, que é absolutamente crucial para a sobrevivência de milhares e milhares de famílias africanas.

Os chineses tendem ainda a viver isolados do resto da população local e nem sempre seguem as melhores práticas ambientais nos projectos que patrocinam, provocando desconfiança na população e a hostilidade dos grupos ambientalistas.

Loro termina o seu artigo recomendando alguma reflexão sobre estas tendências a ambos os lados e o seu impacto na relação China-África e citando um anterior ministro dos Negócios Estrangeiros moçambicano que não identificou, que em relação à China fez o seguinte comentário: “No fim do dia, é a nossa responsabilidade. Os chineses, como quaisquer outros, têm os seus interesses e extorquirão de nós (o termo usado em inglês é mais violento: “they will plunder us”) aquilo que conseguirem até onde permitirmos. O futuro de África estã nas nossas mãos, tal como sempre tem estado. Deixemos de culpar os outros e de esperar que os outros tenham pena de nós”.


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Câmbio Metical Dólar a 30 até ao fim do ano?

Quarta-feira, Outubro 21st, 2009

mil-meticais

por ABM -

Segundo declarações feitas a 15 de Outubro à agência de notícias Bloomberg a partir de Joanesburgo, Yvonne Mango, economista do Grupo Standard Bank para a região de África, a moeda moçambicana, que desde Janeiro já perdeu 14% no seu valor contra o dólar norte-americano, deverá estabilizar no patamar dos 30 MT/USD até ao fim do ano.

A justificação da economista do Standard Bank para esta previsão, segundo reportado pela Bloomberg, deve-se a dois factores: primeiro, que a desvalorização já ocorrida em 2009 é “suficiente” para tornar as exportações moçambicanas mais competitivas; e segundo, que a posição das reservas moçambicanas em moeda estrangeira melhoraram recentemente, o que “ajudará a promover a estabilidade na valorização da moeda”.

Segundo um comunicado de imprensa do Banco de Moçambique publicado no dia 12, respeitante à análise dos agregados monetários e de inflação feita na mais recente reunião do Comité de Política Monetária, os indicadores apontam para uma taxa de inflação significativamente mais baixa que no período homólogo do ano anterior, em que algumas oscilações ascendentes principalmente no preço do petróleo (12%) estão a ser contrariadas por subidas no valor de exportação de algumas matérias, como o alumínio (15%) e no açúcar (22%) e no preço de bens importados como o arroz e do trigo.

Ao nível do consumo, apesar de variabilidades dependendo das regiões e bens sob análise, O BM indicou que a taxa média de inflação situava-se, nos 12 meses até o final de Setembro, nos 4.61%, sendo que aponta como objectivo específico este indicador não exceder os 5% até ao final do ano.

Para tal, e como referiu a analista do Standard Bank, a República de Moçambique beneficiou recentemente de uma alocação de cerca de 170 milhões de USD pelo FMI e o desembolso de 62 milhões de USD, contribuindo para um saldo nas reservas em moeda estrangeira de 1.866 milhões de USD no fim de Setembro.

Refira-se que no seu comunicado o BM revela que a desvalorização da moeda moçambicana desde Janeiro contra o dólar americano foi de 9.7%, não de 14% conforme acima referiu o Standard Bank, situando-se em 14 de Outubro o câmbio de venda a 27.70 MT/USD, segundo o seu portal.

Mais interessante talvez sejam os dados do BM sobre o sector financeiro. Assim, o saldo do endividamento junto da banca terá aumentado a uma taxa anual de 62% – o mais alto dos últimos sete anos, resultante em parte do efeito cambial, mas também pelo condicionamento das fontes de financiamento externo dos agentes económicos, resultantes da crise económica e financeira internacional.

Por outro lado, tendo o medidor mais amplo de moeda em circulação (M3) excedido as previsões em cerca de 600 milhões de MT no fim de Setembro, o BM procedeu a um conjunto de medidas que incluíram a venda de 78 milhões de USD, operações de VTs e repos, de que resultou uma secagem de perto de 2.200 milhões de Mt e fechando o mês com um saldo de 21.111 milhões de MT.

Sendo assim, no cômputo geral a gestão criteriosa dos mecanismos de gestão macroeconómica tem permitido um soft landing no valor do Metical para patamares mais competitivos, enquanto que mantendo a liquidez e a inflação em valores bastante adequados, sendo que as taxas de juro, tendo baixado, ainda são algo elevadas.

Esta situação, no entanto, não é sustentável no médio e longo prazo, pelo que, a não ser que a economia e as exportações acelerem (algo que depende de factores exógenos), ou que hajam investimentos e ou continuem a ocorrer transferências pontuais de fundos em moeda estrangeira, ocorrerá o risco simultâneo de uma subida na taxa de inflação – que mais não seja, pela via de facturas mais altas via a importação – e de uma continuada desvalorização no valor do Metical contra o dólar americano e o rande, talvez acima dos valores expressos pelo Standard Bank. Sinal inequívoco do algum nervosismo observável no mercado é o comportamento do dólar nos mercados informal e das casas de câmbio – não há e quando há é a preços mais caros que os tabelados oficialmente – os 30 ou mais meticais o dólar que o Standard Bank refere não estarem ainda aqui.


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A Economia Moçambicana Segue …

Terça-feira, Setembro 29th, 2009

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ABM -

…mas ainda não soma, fruto de um ambiente internacional muito desfavorável. Ainda assim, os indicadores macroeconómicos são positivos, sendo que há claras pressões sobre a moeda nacional e no que concerne a inflação, segundo a declaração feita ontem por Johannes Mueller, chefe da missão do FMI que esteve duas semanas em Maputo a ver os números e em reuniões com os principais envolvidos.

Mais interessante foi o piscar de olhos à banca e ao governo. Mueller referiu que a sua missão (um acto formal nos termos da PSI e ESF) a) apoia um aumento no défice à medida que as despesas aumentam e as receitas fiscais estagnam, sendo que há apoio financeiro adicional e b) que na “almofada” adicional criada por estas acções e facilidades, o sistema financeiro verá criadas as condições para suportar simultaneamente uma (traduzo) “forte expansão na concessão de crédito ao sector privado” e, talvez mais importante para o sistema e quem tem crédito em moeda estrangeira, a substituição do crédito em moeda estrangeira por crédito em meticais.

Umas parte substancial do crédito empresarial em Moçambique é ainda denominado principalmente em dólares, em parte porque fazia sentido para exportadores e importadores, mas também porque historicamente as taxas de juro e os spreads em USD eram escandalosamente mais baixos do que em meticais. Mas – sabiamente – o Banco Central tem vindo paulatinamente a nivelar essa discrepância utilizando os mecanismos à sua disposição, sendo de longe o principal e quiçá o mais importante a estabilidade da política monetária ao longo do tempo. Mas ainda há empresas (e pessoas) a mais a ganhar em meticais e a dever em dólares, o que representa um risco de instabilidade sistémica. Numa altura como a que se vive agora, em que o câmbio metical-dólar degradou significativamente (8% desde janeiro) e a economia abrandou, as pessoas e empresas com dívidas em moeda estrangeira sofrem uma maior pressão financeira, apesar de as taxas de base do dólar estarem a níveis historicamente muito baixos (ao que os bancos locais reagem com spreads com níveis estratoesféricos, como aliás devia ser).

Se ao sinal dado pela equipa do FMI fôr dada sequência, haverá essa reconversão e consequente aumento na estabilidade do sistema. Agora como os bancos da praça e os clientes reagirão a esta intenção e como o Banco Central actuará é pouco claro. Possivelmente, para esta reconversão o Banco Central terá que aumentar muito significativamente os níveis da liquidez em meticais e/ou baixar as reservas obrigatórias e/ou alterar as taxas de tomada e cedência de liquidez, sem criar pressões inflaccionárias nem permitir uma degradação na qualidade do crédito (tudo isto mais fácil dito que feito, talvez programando essa reconversão) e quiçá emitir um aviso explicitando o que e como chegar a esse objectivo.


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A(s) Modernidade(s) te(ê)m muitas faces.

Terça-feira, Dezembro 23rd, 2008

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“Portas-fora” com publicidade à MCel, Ressano Garcia, Janeiro 2006.

e a “ciência económica” é uma batata.

Adenda ao blog, pois post “ideal-tipo” de Moçambique – e do mundo.

Reprise muito actual do colocado em Fevereiro de 2006.


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Piripiri Sakana

Segunda-feira, Março 24th, 2008

Há alguns meses no Dondo contactei com estes preparativos para a comercialização de piripiri, um projecto da Fundação L.Vida que implica o fomento do seu plantio.

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Agora em Maputo felicito o meu palato – e o de vários já fiéis co-consumidores. A marca de piripiri Sakana não é apenas forma de incremento de rendimentos das famílias do Dondo. É um must de marketing. E uma excelência à nossa mesa.

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Entenda-se, em particular para os mais cépticos e/ou adeptos da malagueta (como este bloguista): a geleia de piripiri Sakana é uma descoberta inolvidável.

Adenda: de meu conhecimento o mais que recomendável produto é vendido no Talho Polana e na sede da Fundação (Avenida Mao Tse Tung).


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Turismo em Moçambique

Quinta-feira, Janeiro 10th, 2008


Recorte do jornal Público, edição de 29 de Dezembro de 2007. Aqui apresentados algumas selecções de destinos turísticos mundiais, realizadas na imprensa internacional. Significativa presença moçambicana. O New York Times coloca o país como o 31º melhor destino turístico; o Guardian elege-o como destino ecológico; o Lonely Planet coloca-o na bluelist, entre os sete melhores destinos, e a National Geographic Traveler coloca Bazaruto como a 56ª melhor ilha. Tudo isto aparenta a hipótese de um incremento da actividade.

Há muito para oferecer. E há muito para melhorar – dos ecos que vou ouvindo, de moçambicanos em particular, o que urge melhorar é a atitude das pequenas autoridades locais. Excessivamente habituadas a pressionar os “vindouros”. E, também, os “industriais” de turismo na presença dos turistas. Pressiona os tais “vindouros” que eles destroem, no boca-a-boca, todas estas boas referências.


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Sábado, Outubro 6th, 2007

Um interessante artigo de Manuel Ennes Ferreira, que recentemente por cá passou (para agrado geral). A imagem (a pressionar para aumentar) é roubado ao homem do Lusofolia.


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Segunda-feira, Março 26th, 2007


(Caia, local de reabastecimento de combustivel. Na estrada nacional norte-sul, nos 620 kms a sul de Nicoadala este e o ponto mais “institucional” de abastecimento. Um total absurdo nos dias de hoje. Com a area do Inchope totalmente demarcada, apenas esperando os investimentos, ainda expectantes. Francamente!)


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… por falar em indústria …

Quarta-feira, Fevereiro 28th, 2007

(“Orgulhosamente Mocambicano”, Publicidade, Namialo, Janeiro 2007)


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A Fome em Moçambique

Quinta-feira, Novembro 10th, 2005

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Está aí, coisa da seca persistente. A do ano passado, a que parece continuar este ano. Fome dita a Sul. Mas também a Norte. Essa que encontrei no litoral do norte nos meados deste ano, já então grandes distribuições de farinha para populações muito carenciadas. Da seca à pouca produção, daí à inexistência de reservas familiares. 650 mil sofredores, aventa o governo, 800 mil em perigo enchem-se os jornais. E, provavelmente, mais, muitos mais. No combate da vida, contra este nada. E, também, contra o silêncio.

Entretanto sobre o assunto um texto de Mia Couto. Excelente. Sobre a fome e sobre o pensar: “Outra Fome” ["Mais", Outubro 2005]

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